Assassino Atemporal

Capítulo 823

Assassino Atemporal

(Planeta Ixtal, Dentro do Castelo de Soron, ponto de vista de Amanda)

O interior do castelo de pedra de Soron era mais acolhedor do que Amanda esperava, iluminado suavemente por luminárias de mana que flutuavam, lançando um brilho âmbar suave pelos corredores. Ela seguia o velho Deus pelos corredores antigos, seus filhos caminhando silenciosamente ao seu lado enquanto Su Pei e Dumpy vinham logo atrás, como guardians silenciosos.

O aroma de pedra antiga misturado com uma leve fragrância de ervas vinha de áreas mais profundas do castelo. Eventualmente, o corredor se abriu em um amplo pátio nos fundos da estrutura, onde uma grande área aberta se estendia sob o céu, cercada por muros de pedra baixos e árvores altas que balançavam com o vento.

"Isso é um pátio de treino?"

Su Pei perguntou a Dumpy, enquanto quem respondia era Soron, que se virou para explicar.

"Sim…"

O velho Deus respondeu, conduzindo o grupo em direção ao pátio.

O chão dentro do pátio de treinamento era compactado, com a terra amolecida pelos anos de passos.

Perto da parede, várias estruturas de madeira sustentavam lanças de varas entalhadas, espadas de madeira de ponta arredondada, escudos amassados e alguns bonecos de treino redondos, que pareciam bonecos de pano com rostos pintados, cuja tinta havia desbotado pelo sol e pela chuva.

Parecia antigo, bem cuidado, familiar—como um lugar repleto de memórias que estavam esquecidas por tempo demais.

"Podem deixar as crianças brincarem," sugeriu Soron, parando perto da borda do pátio, seu olhar se desviando para a fileira de armas de madeira dispostas ordenadamente nas estantes.

"Eram nossas," ele acrescentou em tom quieto. "Meu e do Kaelith. Nós costumávamos treinar aqui quando tínhamos aproximadamente a idade deles."

Ele compartilhou, enquanto Amanda olhava para o espaço aberto, depois para as crianças, cujos olhos já brilhavam de curiosidade inocente.

"Vão lá…"

Ela disse suavemente, e imediatamente, os dois soltaram suas mãos, seus pezinhos batendo levemente no chão enquanto corriam em direção às estantes de madeira.

"Fiquem à vista," Amanda lembrou gentilmente, enquanto os garotos assentiam com entusiasmo, examinando os bastões desproporcionalmente grandes, que pareciam quase cômicos ao serem segurados por corpos tão pequenos.

Enquanto isso, Soron caminhou até um espaço sombreado sob um arco de pedra que dava vista para o pátio, onde uma pequena mesa os aguardava.

*Estalo*

Ele fez um gesto com os dedos, pegando de seu anel de armazenamento uma panela de chá de ervas e quatro xícaras, indicando para que os convidados se sentassem.

"Por favor…"

Ele disse, enquanto Amanda se sentava à sua frente, exalando com gratidão, e Su Pei se acomodou ao seu lado com uma expressão tranquila.

"Essas cadeiras são pequenas demais para mim."

Dumpy comentou, embora tivesse a capacidade de encolher-se para um tamanho menor, escolheu sentar-se no chão, colocando-se tacitamente entre Soron e as crianças.

*Sons de despejo de líquido*

Soron primeiro encheu seu próprio copo, depois fez o mesmo para os outros, observando as crianças explorarem o pátio com olhos brilhantes de empolgação.

Caleb pegou inicialmente uma lança de madeira, tocando sua comprimento com admiração, mas logo seu interesse virou-se para as duas adagas de madeira que descansavam em uma prateleira mais baixa.

Mairon imitou-o um instante depois, pulando de um pé ao outro, enquanto pegava um pau de madeira sem dobrar que vagamente lembrava uma faca de caça.

Como os dois pareciam irresistivelmente atraídos pelas adagas em vez das espadas, lanças ou escudos, Soron sorria suavemente, apreciando o comportamento deles.

"Parece que a linhagem traz o instinto natural," comentou, sua voz suave pela primeira vez, enquanto tomava o primeiro gole de chá.

*Lambe-lambe*

Do outro lado do pátio, Mairon levantou sua adaga e encheu o peito com orgulho.

"Irmão, olha! Agora sou um guerreiro como o papai," declarou, sua voz pequena carregada de orgulho sincero enquanto balançava a lâmina de madeira com ambas as mãos.

*Swoosh*

*Swoosh*

No entanto, apesar da empolgação, Caleb apenas balançou a cabeça de forma desapontada, com uma expressão séria, dizendo—

"Não, papai luta com duas adagas. Se você quer ser como ele, precisa de uma em cada mão."

Instruindo, enquanto mexia de forma desajeitada na estante de armas até achar outra adaga semelhante para Mairon pegar.

"Ooo, beleza!"

O pequeno exclamou, pegando a segunda adaga de madeira com alegria, e levantando as duas no alto, triunfante.

"Arrr—!" — gritou, soltando o mais doce grito de guerra que o pátio provavelmente já ouviu em décadas, enquanto Caleb ria ao seu lado.

"Hahaha, crianças,"

Soron disse sorrindo, os cantos dos olhos suavizando enquanto observava os garotos correrem e balançarem as adagas nos bonecos inofensivos, com movimentos mais selvagens do que controlados, mas cheios de vida.

"É por isso que continuo lutando…" Soron começou, sua voz mudando para um tom mais sério enquanto deixava a xícara de lado e descansava os cotovelos nos joelhos.

Amanda lançou um olhar para ele, percebendo a mudança no seu humor.

"Luto para que nosso futuro possa aproveitar a infância em paz, para que as crianças permaneçam crianças o máximo que puderem antes que a sociedade as force a se tornarem guerreiras," continuou Soron, seu olhar fixo nas duas pequenas figuras praticando ataques desajeitados contra os bonecos de madeira.

Su Pei assentiu lentamente, refletido.

Enquanto Amanda também concordava, seu coração se suavizava com a sinceridade das palavras de Soron, segurando a xícara com ambas as mãos, deixando o calor passar às palmas.

"Eu costumava brincar assim com meu irmão mais velho, Kaelith," ele disse, com os olhos distantes, como se suas memórias o puxassem de volta no tempo.

"Meu pai sentava exatamente aqui, neste mesmo lugar, tomando chá e nos observando com uma paciência cansada."

Ele recordou, e Amanda quase podia imaginar—a dupla de garotos correndo descalça pelo pátio sob o sol, balançando espadas de madeira.

"No entanto, nunca fomos tão pacíficos assim," admitiu Soron com um sorriso de leve tristeza no rosto.

"Tinha tanta boneca de prática, mas preferíamos atacar um ao outro.

Como Kaelith era mais velho e forte, eu sempre perdia."

Ele balançou a cabeça suavemente, quase com carinho.

"Demorei anos para vencê-lo. E, quando consegui… acho que foi um dos momentos mais felizes da minha juventude," concluiu Soron, e Amanda e Su Pei trocaram sorrisos de compreensão tímida.

Dumpy permaneceu em silêncio, bebendo o chá lentamente, embora Amanda pudesse perceber que ele ouvia atentamente.

O olhar de Soron voltou para os meninos mais uma vez.

"Espero que essas crianças permaneçam juntas para sempre e nunca se voltem uma contra a outra," continuou suavemente.

"Elas estão destinadas a se tornarem grandes guerreiras, se não se perderem cedo demais."

Elogiou, enquanto Amanda se endireitava, um pouco inquieta ao ouvir suas palavras.

Até então, ela nunca tinha realmente imaginado seus filhos se tornando lutadores, seguindo o caminho perigoso de Leo.

A ideia a encheu de orgulho e de medo, uma emoção que ela não conseguiu nomear.

"Se eles permanecerem unidos, serão imparáveis," concluiu Soron, sua voz suave, mas firme.

"Nada que irmãos não possam conquistar se o vínculo permanecer intacto."

Ele recostou-se, enquanto o vento balançava as árvores do pátio, levando o som das risadas dos garotos até eles.

"Porém, na maioria das vezes, eles não permanecem junto…"

Ele disse com ar sombrio, enquanto Dumpy finalmente concordava com um gesto decisivo.

"Eles vão ficar bem," disse Dumpy, com tom calmo e convicto.

"Não sei quem seu pai foi,"

"Mas eu conheço o pai deles. E, por conhecê-lo, sei que eles vão ficar bem."

Ele afirmou, enquanto Soron bufou diante de suas palavras.

*Nojinho*

"Sabe, se eu fosse mais novo, te enfrentaria aqui mesmo, sapo," murmurou Soron, balançando a cabeça.

"Mas estou numa fase da vida em que já ultrapassei essas bobagens."

Disse, enquanto Dumpy deu uma leve estalada na língua e puxou uma pequena carta dobrada, selada com cera envelhecida, do anel de armazenamento.

"Aqui está algo que venho guardando especialmente para você."

Disse, deslizando a carta na direção de Soron, que a pegou com cautela e curiosidade.

"O que é isso?"

Soron perguntou, virando o envelope para examinar o selo.

"O homem de fumar me entregou há muitos anos, antes de morrer," explicou Dumpy, cruzando os braços enquanto recostava.

"Disse que eu tinha de entregar pessoalmente a você. Então tenho guardado até agora."

Compartilhou, e Soron sentiu seu coração apertar inesperadamente ao olhar para a carta.

'Charles deixou uma mensagem para mim antes de morrer…?' pensou, o peso das memórias antigas crescendo no peito, enquanto o pátio de repente ficava mais silencioso, o mundo se estreitando ao redor daquele pedaço de papel na sua mão.

Com dedos lentos e cuidadosos, Soron quebrou o selo.

E começou a ler.

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