
Capítulo 815
Assassino Atemporal
"Aquele é o Dragão das Sombras, Leo Skyshard..."
Um dos soldados da Facção Justa reconheceu com a voz trêmula, enquanto Leo lentamente voltava a cabeça em direção ao homem e lhe oferecia um sorriso suave que, de alguma forma, parecia muito mais aterrorizante do que qualquer ameaça que ele pudesse ter feito.
"Que gentil da sua parte reconhecer quem eu sou..."
Ele respondeu suavemente, com um tom quase de conversa casual, enquanto relaxava os ombros e inclinava a cabeça de um lado para o outro, cada alongamento formando um estalo suave que ecoava de forma inquietante pelo círculo de soldados blindados que se fechava ao redor dele.
*Engolir em seco*
*Suspiro apertado*
*Som de desarmar
Os soldados ao redor engoliram nervosamente enquanto Leo alcançava atrás da cintura com calma deliberada e puxava suas adagas gêmeas da bainha, seu movimento tão casual que parecia apenas uma preparação inocente, como se estivesse aquecendo para algo muito além de suas reais capacidades.
"O que ele está fazendo?"
"Ele realmente acha que pode lutar contra todos nós, sozinho?"
Questionaram entre si os soldados, enquanto uma sensação de desconforto começava a se espalhar pelo grupo.
Alguns arranharam os pés no chão.
Outros ajustaram suas mãos nos armamentos.
Enquanto a maioria apenas engolia em seco, sem entender por que o ar parecia mais denso no momento em que ele revelou suas armas.
"Dragão das Sombras... você veio para se render?"
Um soldado próximo à frente perguntou, enquanto o suor escorria devagar pela testa, e sua voz tremia a cada palavra.
No entanto, Leo apenas levantou uma sobrancelha diante da pergunta, olhando para o homem com leve diversão, como se a ideia de se render fosse algo realmente engraçado para ele.
"Parece que eu tenho cara de quem veio se entregar?"
Ele respondeu com um desdém descontraído, levantando suavemente os cantos da boca, enquanto vários soldados recuavam cautelosamente sem perceber completamente que tinham feito isso.
Até então, os números ao seu redor haviam crescido significativamente, indo de centenas para milhares, fazendo o círculo ao seu redor diminuir consideravelmente de tamanho.
"Ele está falando sério...? Realmente planeja atacar uma base militar inteira sozinho...?"
"Eu pensei que ele fosse um Grande Mestre... como consegue ficar ali, sem parecer que algo importa...?"
"Como ele ainda não enlouqueceu após ficar anos em um Mundo Estagnado? Ouvi dizer que a mana contaminada lá fazia todo mundo enlouquecer?"
"Fiquem atentos. Não é possível que ele veio sozinho. O Culto sempre manda reforços depois da primeira chegada..."
Sussurros espalharam-se rapidamente entre a multidão, cada voz alimentando a tensão nervosa que se espalhava pelas fileiras, enquanto Leo permanecia no centro de tudo com suas lâminas baixadas ao lado do corpo, sua aura completamente controlada, esperando pacientemente que mais e mais soldados se reunissem diante dele antes de agir.
'Vamos lá, mais rápido, não me faça esperar demais.'
Pensou, enquanto podia sentir-os se aglomerando ao seu redor como insetos atraídos por uma chama, suas energias fracas em comparação às dele, mas numerosas o suficiente para tornar o ar carregado.
"MOVA!"
"DEIXEM-NOS PASSAR!"
Ordenaram os oficiais de maior patente, avançando lentamente para a frente, com uma presença mais calma e poderosa do que os soldados mais fracos, assumindo gradualmente o comando da situação.
"FIQUEM ATENTES, HOMENS! ELE PODE ESTAR SOZINHO, MAS SUA AURA É PODEROSA!"
Uma voz aguda cortou o barulho, enquanto um tenente de nível Transcendente avançava para a linha de frente, sua aura piscando suavemente enquanto tentava manter o moral dos soldados.
"Sou um Transcendente, e mesmo assim consigo sentir aqui de perto," continuou, suor escorrendo pela testa apesar de seus esforços para parecer confiante. "O que significa que ele é muito forte. Essa luta não será fácil, mas se mantivermos a formação e ganharmos tempo, podemos resistir até o Chefe chegar..."
O tenente declarou, enquanto Leo direcionava seu olhar para ele, seu interesse ligeiramente despertado.
"Você já informou ao seu Chefe que eu estou aqui?"
Ele perguntou casualmente, rodando uma de suas adagas no dedo, como se estivessem discutindo uma agenda banal em vez do início iminente de uma carnificina.
"De fato," respondeu o tenente, forçando a voz a permanecer firme. "O Chefe chegará em aproximadamente sete minutos. Então, essa é sua última chance de se render pacificamente e aceitar o julgamento sob as Leis da Facção Justa."
Ele ameaçou, enquanto, por um momento, Leo apenas olhava ao redor, observando o mar de rostos ansiosos, as armas levantadas, a incerteza que passava pelos olhares endurecidos, uma leve risada escapando de seus lábios, apesar da gravidade da situação.
"Sete minutos, é...?"
Ele murmurou, com os olhos semicerrados, respirando fundo e girando suavemente os punhos.
"Acho que posso esperar sete."
Disse com frieza, enquanto o tenente franzia a testa, claramente sem entender o que ele queria dizer.
"Esperar sete...? O que você quer dizer com isso—"
Ele começou, mas foi interrompido quando Leo finalmente desabafou, deixando sua aura realmente se manifestar.
*FWOOM*
A aura de Leo explodiu para fora em uma onda violenta, invisível mas esmagadora, batendo contra os soldados reunidos como uma enchente de pressão pura que fez a atmosfera ao redor ficar tão densa que até respirar passou a ser uma tarefa árdua.
*Engasgar*
*Ajoelhar-se*
Soldados do nível Mestre foram os primeiros a fraquejar.
Um a um, caíram de joelhos com gemidos sufocados, as armas caindo ao chão enquanto os braços se recusavam a obedecer, com a testa pressionada contra a terra como se a gravidade ao redor de Leo tivesse aumentado dez vezes.
Os mais fortes tentaram manter os dentes cerrados e resistir, veias saltando pelo pescoço enquanto lutavam para ficar em pé, mas a visão turva e os pensamentos dispersos, o medo transformado quase em pânico primal.
Os Grandes Mestres se saíram um pouco melhor, embora não muito.
Alguns recuaram cambaleando, as botas arrastando sulcos no chão enquanto lutavam para permanecer de pé, suas próprias auras inflamando instintivamente na tentativa de resistir à pressão sufocante, mas tudo o que fizeram foi desacelerar sua queda, sem conseguir parar completamente.
"Que raio de pressão... o que é isso?"
O tenente engasgou, enquanto seu confiança anterior evaporava, suor escorrendo pelo rosto, os pulmões queimando a cada respiração, como se o ar tivesse se transformado em ferro derretido.
"Achou que isso era bom?"
Leo perguntou casualmente, apontando uma de suas adagas para o homem, com os olhos estreitados de desdém silencioso.
"A pressão que dei anteriormente foi uma quantidade mínima que não consegui controlar," disse, com voz calma e conversa rotineira, como se estivesse explicando um conceito simples a um estudante confuso. "Essa pequena fração é o motivo pelo qual não posso ver meus filhos sem machucá-los.
O que também virou uma fonte de enorme humilhação pessoal para mim..."
Confessou, enquanto o tenente o encarava como se fosse um monstro em pele humana, incapaz de entender como alguém poderia chamar de mero traço uma força tão opressiva.
"No entanto," continuou Leo, seu tom mudando ligeiramente com um brilho afiado no olho, "a pressão que vocês estão sentindo agora é cerca de sessenta por cento do que sou capaz, e tenho orgulho disso."
Leo explicou, enquanto um calafrio terrível percorria a espinha do tenente.
"S... sessenta por cento...?"
Conseguiu balbuciar, enquanto suas pernas tremiam involuntariamente.
Sorriso de Leo se ampliou, embora não houvesse calor algum nele, apenas um sorriso predatório e de diversão.
"Sim. Sessenta por cento," confirmou, inclinando um pouco a cabeça. "Porque meus cem por cento... parecem assim."
*FWOOM*
Ele declarou, enquanto sua aura se intensificava novamente, fazendo o ar pesado ao redor ficar absolutamente sufocante, como se uma mão invisível gigante houvesse descido sobre toda a área e pressionado com força implacável.
*Engasgar*
*Pancada forte*
*Garganta cerrada*
Nesse momento, guerreiros do nível Mestre, que de alguma forma permaneceram conscientes abaixo de sessenta por cento, caíram de forma sem vigor ao chão, os olhos revirando enquanto desmaiavam, seus corpos espalhados em montes inertes ao redor da cratera.
Grandes Mestres mais frágeis logo também caíram, os joelhos batendo na terra enquanto se agarravam ao peito, mentes ficando vazias enquanto suas forças se desintegravam sob a pressão esmagadora.
Até mesmo os Grandes Mestres mais resistentes tiveram que se curvar, com a respiração ofegante e trêmula, alguns cuspindo sangue devido ao esforço de não desabarem completamente.
Já o tenente Transcendente, seu joelho direito cedeu de vez, fazendo seu corpo afundar até a metade do caminho ao chão, uma mão apoiada no solo enquanto tremia violentamente, as veias ao redor dos olhos escurecendo como se fossem explodir.
"Que pressão insana..."
Sussurrou, cada palavra puxada dolorosamente da garganta, enquanto Leo caminhava lentamente na direção dele, o som de suas botas rangendo na pedra de arenito de forma estranhamente nítida no meio da sinfonia de respirações ofegantes e gemidos sufocados.
Os soldados só podiam assistir.
Alguns deitados, paralisados apenas pela aura, incapazes até de levantar a cabeça. Outros de joelhos ou agachados, corpos tremendo enquanto tentavam levantar suas armas, mas os braços pareciam chumbo, os instintos gritando para correr, mesmo que seus corpos se recusassem a se mover.
"M... monstro..."
O tenente sussurrou, com os olhos arregalados de descrença e horror, ao encarar o olhar indiferente de Leo que descia sobre ele.
Porém, Leo apenas sorriu a essa frase, como se fosse exatamente o que queria ouvir.
"Obrigado pelo elogio."
Disse suavemente, enquanto sua adaga reluzia uma última vez.
*SHLICK*
A lâmina cortou limpidamente o pescoço do tenente, sua cabeça se separando em um movimento suave enquanto uma fina arcada de sangue traçou o ar, antes que ambos os pedaços caíssem ao chão em direções opostas, dando início ao verdadeiro espetáculo de morte.