
Capítulo 816
Assassino Atemporal
Três minutos e trinta e quatro segundos.
Esse foi o tempo que Leo levou para eliminar os 122 mil soldados estacionados nesta base militar, pois embora a ação tenha ocorrido com uma velocidade brutal, ele nunca precisou usar nem mesmo uma fração de sua força real.
Assim que sua aura se implantou sobre os inimigos, a vontade de lutar deles desabou, e na hora em que ele avançou por entre suas fileiras, a resistência que deveriam ter oferecido se desfez em algo suave e quase imperceptível.
Suas mortes aconteceram quase por si mesmas, como se o próprio universo tivesse decidido o desfecho bem antes dele realizar os movimentos finais e simples que os eliminaram.
No entanto, mesmo com um tempo de eliminação tão rápido, mesmo com toda uma base armada apagada em menos de um instante, Leo não sentia nenhuma sensação de avanço em direção à figura muito maior que carregava como seu objetivo final, pois ainda faltavam dois bilhões, uma distância grande demais para sentir como tocada por momentos como aquele.
"Entendi… não consigo alcançar isso nesse ritmo."
A compreensão veio silenciosamente, pois o problema que ele enfrentava agora não era mais a velocidade com que podia matar seus oponentes, já que, uma vez neutralizada sua aura, eliminar milhares só levava alguns segundos sem esforço algum.
Mas, sim, o problema agora residia em como localizar todos eles reunidos, já que sua preocupação mudou de força dos inimigos para a questão mais complicada de quão juntos eles estavam em um só lugar.
'Não importa se enfrento cem mil inimigos ou dez milhões.
Independente da quantidade, o resultado será o mesmo, desde que todos sejam Transcendentes ou inferiores.
O verdadeiro desafio é encontrá-los agrupados como um só.
Pois, a menos que eu ataque uma grande cidade, onde milhões de civis estão aglomerados, não farei progresso real, já que matar nesse ritmo modesto fará com que eu perca a janela para salvar Veyr.'
Ele concluiu, percebendo que só ao eliminar esse único batalhão obteve uma compreensão inédita de sua própria força, e de como o número de inimigos deixou de representar algo para ele.
Porém, ao mesmo tempo, também ganhou uma compreensão mais clara e precisa das limitações que ainda bloqueavam seu caminho, e rapidamente pensou em uma forma de contorná-las.
"Bem… se é assim, acho que ainda não posso matar o comandante…"
Leo murmurou, enquanto pacientemente cruzava os braços atrás das costas e olhava para o céu, esperando o comandante inimigo aparecer.
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(Enquanto isso, comandante Yu Zu)
O comandante Yu Zu acelerou em direção à base militar do Setor Onze como se não houvesse amanhã, sua mente pulsando de alegria e otimismo ao imaginar todas as elogiosas palavras e a fama que poderia conquistar se capturasse ou neutralizasse o infame Dragão das Sombras, do Culto do Mal.
'Se eu conseguir capturá-lo vivo, virei um herói universal!
Meu nome será dito na mesma frase que a do comandante Raymond, e ficarei para sempre na história como uma lenda!'
Ele pensou, enquanto um largo sorriso surgia em seu rosto ao voar em direção ao destino.
'Não sei qual é mesmo o plano dele ao vir aqui sozinho. Porém, certamente, não posso deixá-lo sair agora que chegou.
Se veio sozinho, deve ter alguns dispositivos de fuga no corpo.
Porém, preciso garantir que ele não possa usá-los…'
Refletiu, enquanto esfregava as palmas das mãos, ansioso.
"Fique exatamente onde está, Skyshard… Eu estou quase lá."
Disse, enquanto cortava o ar em direção à base do Setor Onze, seu corpo deslizando com uma velocidade sem esforço, enquanto pegava animadamente a empunhadura da espada presa ao quadril.
O vento se agitar ao seu redor enquanto ele se movimentava, carregando o som familiar de energia que acompanha um Monarca em ação.
No entanto, não importava o quão perto ele chegasse, nenhum som de explosões ou colisões de metal entrava em seus ouvidos, o que lhe parecia estranho, sendo um veterano.
"Sem sinais de luta? O Skyshard já foi neutralizado?"
Ele perguntou, até que, ao estar a menos de um quilômetro da base, a verdade se revelou diante de seus olhos.
"Huh…?"
O som escapou involuntariamente, suave e incerto, enquanto ele piscava e esfregava os olhos com a parte de trás da mão.
Por um momento, pensou se o calor, o poeira ou sua própria incredulidade poderiam estar distorcendo a visão do que via.
Porém, por mais que fitasse por um tempo, nada mudava, e só então a verdade finalmente se revelou para ele.
"Que diabos?"
Ele murmurou, enquanto seu cérebro, finalmente, aceitava a devastação avassaladora espalhada pelo terreno.
Todo o cenário ao redor da base havia sido esculpido em um enorme craterão, cujas bordas estavam rasgadas por uma força bem além de qualquer expectativa dele.
E por aquela cratera, espalhados em todas as direções, jazia o corpo imóvel dos soldados guarnecidos, dezenas de milhares de corpos estendidos sobre o terreno destruído, como se tivessem sido abatidos no mesmo instante congelado.
Cento e vinte e dois mil.
A força completa estacionada.
Todos desaparecidos.
E bem no centro daquela cratera, contra a desolação, de forma silenciosa e nítida, uma figura permanecia.
Leo.
Ele estava parado, quase relaxado, sua postura composta, completamente deslocada no cenário de ruínas ao seu redor.
Com a cabeça levemente inclinada para cima, seu olhar encontrou Yu Zu no instante em que ele entrou na visão, como se Leo o percebesse no exato momento em que cruzava o horizonte.
Yu Zu sentiu o estômago torcer, uma sensação de espanto crescente tomando conta dele ao tentar compreender a escala impossível do que estava testemunhando.
"Não pode ser… não pode ter matado todos eles no tempo que levei para chegar aqui…"
O pensamento ecoou dentro dele, relutando em se formar de modo claro, negando-se a se encaixar em algo lógico.
Desde a chamada pelo comunicador até sua chegada, apenas sete minutos tinham passado. Quase tempo insuficiente para ele responder, quanto mais para toda uma força desaparecer do mapa.
Mas…
Aí estava.
A silêncio.
A crateras.
A quietude de 122 mil soldados caídos.
E Leo, de pé, sozinho no centro, como se esse nível de devastação fosse apenas uma pausa rápida em seu caminho.