
Capítulo 794
Assassino Atemporal
(Dentro do Castelo de Soron, Ponto de Vista de Soron)
Soron Pegou o dispositivo holográfico das mãos de Chaosbringer sem dizer uma palavra, seus dedos roçando o metal frio enquanto um leve zumbido era emitido de seu interior.
O ar dentro do castelo parecia estar em pausa, esperando por seu comando, enquanto ele despejava um fluxo constante de mana no aparelho, que ativou as imagens gravadas em seu interior.
*Tsssh*
*Flick*
O que se desenrolou a seguir não foi uma mensagem, mas um espetáculo, uma encenação cuidadosamente elaborada de crueldade disfarçada de retidão.
A primeira imagem que apareceu foi de uma cidade vasta banhada por uma luz brilhante do sol, cujas torres ostentavam a insígnia da Facção Justa.
As ruas transbordavam de pessoas gritando elogios e maldições ao mesmo tempo, suas vozes se misturando em um rugido febril de ódio e zombaria.
E no centro de tudo estava uma jaula colossal being arrastada pelo boulevard por correntes grossas como um braço humano, enquanto dentro dela ajoelhava o Dragão do Culto, Aegon Veyr, seu corpo ensanguentado e completamente nu, com os pulsos e tornozelos presos por correntes que brilhavam como ferro derretido contra sua pele ferida.
Ele parecia menos um homem e mais uma besta ferida, sua estrutura outrora majestosa coberta de hematomas e sujeira, enquanto suas costas marcadas por cicatrizes de chicote ainda gotejavam sangue sob a luz.
*Estalo*
O som de um chicote reverberou na projeção, afiado e impiedoso, enquanto os soldados do Justo riam, puxando-o para frente enquanto a multidão jogava frutas podres, lama e sujeira nele.
O ar estava carregado de cânticos, cada palavra cortando mais fundo do que qualquer arma.
"Vejam o Messias do Culto do Mal!"
A voz do locutor ecoou pelas ruas, triunfante e venenosa ao mesmo tempo. "O falso messias! O carrasco de Nemo! O cão do Deus do Culto do Mal!"
A projeção mudou, mostrando Aegon sendo exibido por todos os bairros, enquanto era cuspido, chutado e humilhado pela multidão que gritava.
A câmera o seguia de perto, capturando cada detalhe de sua humilhação, cada tremor, cada queda, cada suspiro desesperado enquanto era forçado a se levantar novamente sob as vaias daqueles que um dia temeram ele.
Quando chegou a última cena, o tom do vídeo mudou, tornando-se quase cerimonial. Uma voz solene começou a narrar enquanto a imagem mostrava Aegon acorrentado no topo de um palco de exibição, seu corpo inclinado para frente, com os olhos vazios, mas um sorriso de desafio.
"Em dois meses," declarou a voz, "este monstro enfrentará a justiça divina na Arena, diante dos olhos de todo o universo. Que sua execução marque o fim da tirania do Culto, e o início de uma era eterna de pureza."
O homem falou, enquanto a imagem se recolhia na escuridão, a projeção piscando antes de se transformar em uma faísca de luz fraca.
Por um breve momento, ninguém falou, enquanto o ar parecia engrossar, como se até as paredes estivessem segurando o fôlego.
Depois veio o som de metal rachando.
*Crkkk*
A mão de Soron apertou o dispositivo até ele ceder, o cristal se quebrando entre seus dedos enquanto lascas quebradas caíam silenciosamente ao chão.
Suas pupilas se contraíram, sua expressão ainda serena, mas seu corpo tremia levemente, como se contivesse uma tempestade que implorava para ser libertada.
*Rumble*
As paredes do castelo antigo tremeram violentamente à medida que a pressão no ar mudava.
Rachaduras se espalharam pelo chão de mármore, velas tombaram, e o próprio ar começou a vibrar sob o peso de sua fúria.
No entanto, apesar do caos, Chaosbringer não sentiu dor, nem a pressão que sufocava seus pulmões, nem uma aura divino que o asfixiava espiritualmente.
Ao contrário da pressão de Leo, que afetava tudo ao seu redor de maneira igual, Soron parecia ter dominado auras o suficiente para direcioná-las às objetos que mereciam seu ódio, e afastá-las daqueles que não.
"Como eles ousam?" murmurou Soron, com uma voz baixa, gutural e tremendo de uma ira quase contida.
"COM QUE CORAGEM?"
Repetiu enquanto cerrava os punhos com mais força, veias pretas saltando sob sua pele enquanto os vestígios de energia divina cintilavam em seus braços.
Sua mandíbula se tensionou, seus dentes rangendo audivelmente enquanto seus ombros se levantavam e abaixavam a cada respiração pesada.
"Como ousaram despir ele… e fazê-lo andar pelas ruas como um criminoso de menor expressão?" sussurrou, elevando a voz.
"Como ousaram chicoteá-lo na frente de multidões que aplaudiam seu sofrimento? Como ousaram transformar o Dragão do Culto, símbolo de nossa força, em um espetáculo para seu divertimento?"
Sua voz ficou mais alta a cada palavra, ecoando pelo castelo, enquanto sua aura brilhava com mais intensidade a cada batida do coração.
"Ele não é uma fera para ser humilhada! Ele é um guerreiro, um salvador, um herói para seu povo!"
E eles ainda o tratam como um estuprador comum? Ou como um ladrão de pouca vergonha?"
*Impacto*
Soron atingiu a mesa ao seu lado, fragmentando-a ao meio, a madeira estilhaçando enquanto energia divina se espalhava, sacudindo o pó e poeira dos tetos.
Sua respiração acelerou, o peito arfando, os olhos brilhando em vermelho sob a luz das velas enquanto a fúria crescia quase à margem do selvagem.
"Quem eles acham que são?" rosnou, sua voz se rompendo em algo mais sombrio e pesado. "Quem lhes deu o direito de tocar no Dragão com tanto desprezo?"
Ele avançou, sua presença preenchendo a sala como uma tempestade que destrói uma rochedos.
"É porque acham que estou morto? É porque acham que sou fraco?"
gritou, enquanto Chaosbringer concordava, sua própria raiva refletindo a de Soron.
"Certamente cruzaram uma linha vermelha," disse Chaosbringer finalmente, com tom frio, mas satisfeito. "Uma linha que nunca deveriam ter ousado atravessar. Uma ação que agora traz consequências."
Ele falou enquanto Soron se virou para ele, os olhos do deus cruéis, a mandíbula cerrada com uma raiva quase implacável.
"Então vamos lembrá-los," disse, sua voz agora calma, assustadoramente calma, como a quietude antes de um golpe mortal.
"Vamos mostrar por que o Culto da Ascensão já dominou o universo."
Ficamos tempo demais aceitando abusos.
Guardei minha força por tempo demais.
Se eles não podem tratar o messias do Culto com o respeito que ele merece.
Então acho que é hora de dar uma lição de respeito…
Uma lição que suas próximas dezessete gerações terão medo de esquecer."
Ele falou enquanto sua aura se acalmava em um brilho silencioso e sufocante.
"O Lorde Chefão quer tentar salvar o Dragão. Se você concordar em ajudá-lo, talvez tenha um plano para salvá-lo de A Arena…."
Soron assentiu, compreendendo, já decidido sobre o próximo passo.
"Bom. Diga a Skyshard para me procurar aqui assim que puder."
"Diga a ele que estou com ele para o que precisar…."
"Diga a ele que chegou a hora da revanche."