Assassino Atemporal

Capítulo 792

Assassino Atemporal

(Planeta Ixtal, O Pórtico Fora do Retorno de Soron, POV de Chaosbringer)

*Bate*

*Bate*

Chaosbringer tocou levemente a porta do antigo castelo, com as mãos entrelaçadas atrás das costas, esperando pacientemente que Soron respondesse.

O eco do seu batida atravessou o ar carregado, desaparecendo na quietude vazia do castelo adiante.

No entanto, apesar do som ser alto e claro, as portas pesadas do castelo nem mesma tremeram de resposta, sua superfície fria e imóvel sob o brilho tênue de uma energia divina que ainda persistia.

'Ele me ouviu?'

Chaosbringer perguntou-se, enquanto permanecia ali, esperando que passos surgissem do outro lado, mas não ouviu nada, nem um som.

Uma gota de suor escorreu pela têmpora enquanto ele lançava um olhar para a floresta, onde os sobreviventes observavam de longe, sem ousar se aproximar, todos silenciosamente na esperança de que seu pedido fosse atendido.

Mais um minuto passou. Depois cinco. Depois cinquenta.

Indo, nada.

Chaosbringer moveu o peso do corpo, com a testa franzida levemente.

"Com certeza ele sabe que estou aqui," murmurou baixinho.

"Um deus certamente não precisa ouvir uma batida para saber que tem um visitante."'

Ele disse enquanto seus olhos se voltavam para a porta selada novamente, quase esperando que ela se abrisse sozinha, mas ela não se moveu.

*Suspiro*

Ele exalou, devagar e silenciosamente.

"Devo… bater de novo?" ele sussurrou consigo mesmo. "Ou isso seria grosseira? E se ele estiver meditando? E se eu o interromper? E se estiver me testando?"

Ele esfregou as palmas das mãos nervosamente, olhando pelo corredor como se buscasse uma orientação divina que não vinha.

"Não posso ficar aqui de braços cruzados para sempre também," refletiu suavemente, caminhando de um lado a outro na frente da porta. "Mas se eu sair e ele abrir depois que eu for embora, parecerá que perdi a paciência. Droga... por que sempre que me aproximo de guerreiros poderosos parece que estou caminhando numa mina terrestre?"

Parou, fixando novamente o olhar na porta.

Aquietar-se agora, a solidão se intensificava, como se pudesse quase sentir a presença de Soron atrás dela — pesada, sufocante, viva.

Ele não tinha certeza se aquilo era reconfortante ou assustador, mas sentia que era uma mistura de ambos.

"Certo," sussurrou finalmente, fortalecendo-se ao levantar a mão novamente. "Uma última batida. Apenas uma. Se ele não responder dessa vez, eu... eu espero. Por mais que demore."

Ele concluiu, respirando fundo, batendo de leve novamente, quase com um pedido de desculpas, antes de juntar as mãos mais uma vez e ficar em pé com postura ereta.

*Bate*

*Bate*

* rangido*

Dentro, ele quase podia jurar que ouviu alguma coisa se mexer, talvez um leve arrastar de uma cadeira, uma tosse, ou talvez apenas o ranger de pedra antiga movendo-se ao vento.

Antes que pudesse decidir, o som se foi, deixando-o sozinho mais uma vez com sua incerteza.

"...Vou esperar," disse baixinho para si mesmo, as palavras meio que um voto, meio que um pedido.

E assim permaneceu, com a postura de um crente devoto, esperando que um Deus lhe concedesse Sua presença.

—-------

Enquanto isso, dentro do castelo, Soron já havia percebido há tempos que alguém aguardava lá fora, mas, por seu estado frágil, sabia que ainda não tinha condições de receber o visitante.

*Bate*

*Bate*

O som voltou a chegar até ele, suave, mas insistente, enquanto sua paciência já desgastada ficava mais fina.

Ele rangeu os dentes, um fraco rosnado escapando de sua garganta enquanto uma nova crise de tosse o atacava.

*Tosse*

*Tosse*

*Arranhar*

Ele se curvou, uma mão pressionando a mesa, a outra segurando as costelas enquanto outro jato de sangue negro saltava e espalhava-se pelo chão.

*Gota*

Um cheiro metálico encheu imediatamente o quarto, enquanto as paredes pareciam ecoar o som úmido e irregular de sua respiração.

"Eu ouço você, droga," murmurou baixinho, com a voz rouca e áspera. "Espere só uns minutos, vai?"

Sua mão tremeu ao limpar o canto da boca, o dorso da mão marcado de vermelho e preto. Sentia seu coração desacelerar, de forma irregular, cada batida como um tambor morrendo lentamente.

'Não agora... não posso deixar que me veja assim. Pelo bem do meu povo, tenho que parecer forte e poderoso sempre.'

Pensou, enquanto forçava-se a erguir-se, ignorando a tontura momentânea ou como as bordas do quarto se tornaram borradas por um instante antes de se ajustarem novamente.

Cada osso do corpo parecia pesado, vazio, como se pudesse desintegrar-se a qualquer momento sob seu próprio peso.

'Vou sair assim que isso passar. Assim que parecer novamente comigo mesmo.'

Decidiu, ajeitando-se lentamente, respirando fundo e passando a mão pelo cabelo, alisando-o mesmo com o suor escorrendo na testa.

*Estalo*

Ao som, o sangue vomitado no chão desapareceu, as manchas sumiram como se nunca tivessem existido, e o aroma de podridão foi substituído por ar limpo, enquanto a vela tremeluzente estabilizava-se.

Outro estalo, e o brilho intenso retornou à sua pele, apagando a palidez quase mortal.

As cavidades sob os olhos preencheram-se um pouco, a tremedeira nos dedos cessou, enquanto a energia divina fluía através dele mais uma vez.

Quando ajustou a túnica e prendeu o broche no peito, parecia quase inteiro, pelo menos o suficiente para enganar quem não soubesse a verdade.

"Certo," disse baixinho, com voz firme agora, calma, quase autoritária. "Vamos não fazer o convidado esperar demais."

Virou-se na direção da porta, sua expressão impenetrável mais uma vez.

Cada passo carregava a mesma autoridade controlada que um dia fazia galáxias tremerem, mesmo que por trás daquela postura, seu corpo clamasse por descanso.

Chegando ao limiar, passou a manga da túnica mais uma vez, escondendo o leve borrão negro sob as dobras do robe, antes de respirar fundo e liberar um suspiro suave.

'Só mais alguns minutos de força,' pensou. 'Só preciso disso.'

Então, empurrou as portas antigas, com o rosto tranquilo e radiante, como se as últimas horas de agonia nunca tivessem acontecido.

"Entre..."

Disse, sua voz poderosa, virando com a pose de um Imperador, conduzindo Chaosbringer pelo corredor até a câmara do chá.

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