
Capítulo 791
Assassino Atemporal
(Planeta Ixtal, ponto de vista de Chaosbringer)
Embora Chaosbringer tivesse recebido relatos de que Ixtal fora conquistado pela Facção Justa, ouvir falar disso e ver com seus próprios olhos eram duas coisas distintas, pois ele não conseguia acreditar na quantidade de destruição que tinha sido infligida a esse planeta outrora vibrante.
Tudo havia sido transformado em escombros, exceto pela Floresta Perdida e o castelo de pedra que se erguia como um espectro dentro dela. Enquanto ele voava pelos céus de Ixtal, tudo que via eram cidades queimadas, pontes quebradas e planícies vazias que um dia abrigaram milhões.
O ar estava carregado de silêncio. Até mesmo o vento parecia mais pesado, como se o próprio planeta ainda lamentasse.
*Whrrr*
Sua nave desceu lentamente pelo ar morto, os motores esforçando-se para manter a estabilidade enquanto lutavam contra a aura residual de Soron, que ainda impregnava a atmosfera de Ixtal.
Por outro lado, não havia sinais de inimigos da facção justa, o que ele presumiu que tinha sido resolvido por Soron, enquanto, no pior cenário, parecia que pouco mais restava de Ixtal.
*Thrum*
No instante em que sua nave cruzou a fronteira da floresta perdida, a paisagem mudou completamente.
A terra negra deu lugar a um verde vibrante, às árvores que pulsavam suavemente com vida, cujos galhos brilhavam com frutas e flores.
O castelo de Soron estava à frente, ao centro de uma clareira ampla, suas antigas paredes de pedra parcialmente cobertas de vinhas, mas emanando uma pressão que fazia arrepiar a espinha, enquanto ao redor, na borda da clareira, tendas improvisadas e abrigos rudimentares pontilhavam o campo, indicando a presença de sobreviventes.
Ele contava talvez algumas centenas de tendas, no máximo, embora houvesse a possibilidade de mais escondidas mais profundamente na floresta.
'Devem ser os que não fugiram quando a invasão começou,' pensou, sua expressão suavizando. 'Aqueles que ficaram e suportaram tudo.'
Ele pensou com um sorriso, enquanto a nave desacelerava e começava a descida.
*WHOOSH*
Os sobreviventes, ao perceberem a nave, reagiram de imediato, armados, prontos para proteger-se contra a entidade desconhecida.
"Identifique-se!" um deles gritou, a voz tremendo de medo e desafio enquanto Chaosbringer aguardava o escárnio baixar da rampa para sair ao ar úmido, a bainha de seu longo casaco tocando a terra ao tocar os calçados.
Ele levantou lentamente uma mão, com o tom calmo e firme.
"Fiquem tranquilos. Não venho para fazer mal."
Disse, enquanto por um momento, o silêncio pesou no ar.
Os sobreviventes trocaram olhares desconfiados, os olhos tremendo entre seu rosto e o emblema costurado em seu casaco, que era a antiga insígnia dos Anciãos do Culto.
Então, de repente, veio o reconhecimento.
Um dos mais jovens arregalou os olhos e baixou a arma primeiro, a voz tremendo de alívio repentino.
"Galera… é o Sétimo Ancião! O Ancião está aqui!"
O grupo parou de se mover, mergulhado em murmúrios e suspiros enquanto a esperança surgia no lugar da tensão.
Chaosbringer soltou um suspiro silencioso, um sorriso suave escapando de seus lábios enquanto avançava, sentindo novamente a alegria de estar entre seu povo.
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*Tosse*
*Tosse*
Enquanto Chaosbringer conversava com os sobreviventes, Soron tossia violentamente dentro do castelo de pedra, tremendo todo seu corpo enquanto mais um jato de sangue preto, espesso, escorria pelo chão.
*Splatt*
O som ecoou pela câmara oca, formando um ritmo grotesco que nenhum deus deveria produzir, e ainda sim, era o único que o mantinha consciente—um lembrete cruel de que ainda respirava, de que ainda não tinha desmoronado na quietude que o aguardava a cada minuto que passava.
*Flick*
A luz da vela tremeluziu fracamente, revelando a extensão de sua decomposição.
Sua pele, que antes era bronzeada e luminosa, agora pendia solta e sem cor, esticada sobre um corpo que parecia mais ossos que carne.
Suas bochechas afundaram, a mandíbula afiada como uma lâmina, enquanto suas costelas se moviam visivelmente a cada inspiração ofegante.
Suas veias sob a pele pulsavam lentamente, carregando um sangue que já não parecia vermelho, mas negro como alcatrão e lento, como um veneno tentando sair de dentro dele.
'Não está bem… Essa tosse está demorando muito mais para passar do que o normal,' pensou enquanto segurava a borda da mesa para se equilibrar, os nós dos dedos ficando brancos com outra onda de tosse.
*Hrk*
*Splatter*
O sangue espirrou no chão de pedra, sibilando suavemente enquanto traços de mana corrompida queimavam por ele.
Ele cuspiu, limpou a boca com o dorso da mão e olhou para a mancha escura na palma, brilhando sob a luz da vela, quase refletindo.
Sua respiração acelerou, os pulmões gritando por ar, mas tudo que conseguiu foram inspirações superficiais e trêmulas, que assobiavam dolorosamente pelas vias respiratórias parcialmente colapsadas.
"Mais alguns dias…" murmurou para si mesmo, a voz áspera como uma lixa arrastando-se por metal.
"Só preciso sobrevivir mais alguns dias…Até poder ter uma última batalha."
Assim falou, enquanto agarrava o bloco de Metal do Próprio que tinha refinado nas mãos.
Mesmo na penumbra, ele pulsava suavemente, emitindo um baixo zumbido que vibrava pelo chão, vivo de uma forma que nenhum metal comum deveria ser. Sua superfície não refletia nada, absorvendo a luz, como se recusasse a revelar seus segredos.
Soron colocou uma mão trêmula sobre o metal, seu toque cheio de reverência e desespero ao mesmo tempo. "Preciso encontrar os ferreiros," murmurou, sua voz quase um sussurro. "Aqueles que ainda são leais ao Culto… os capazes de moldar isso numa lâmina à altura da minha vingança."
Ele apertou o metal com força, os dedos tremendo violentamente, manchas de sangue escorrendo pelo pulso e caindo sobre a superfície metalizada.
"Quando eu tiver a lâmina…" arfou, um sorriso fantasma nos lábios, "…vou finalmente fazer eles pagarem."
Mas mesmo com as palavras, seus joelhos cederam e ele caiu no chão, o corpo convulsionando com outra onda de dor.
*Tomba*
Ele respirou com dificuldade, segurando o peito enquanto sangue saía de sua boca mais uma vez, a cor mais escura e viscosa—prova de que seus pulmões estavam falhando mais rápido do que sua cura divina podia compensar.
Sua visão começou a ficar turva nas extremidades, as paredes pulsando lentamente, em um ritmo irregular, enquanto o zumbido do Metal do Próprio se tornava o único som que o firmava no presente.
Ele ficou ali por um momento, a respiração superficial, o olhar vago, encarando a vela tremeluzente na parede.
Naquele instante, ele não parecia um deus. Não parecia divino, invencível ou sequer imortal. Parecia um homem moribundo, uma casca cansada e machucada do que um dia foi, sangrando lentamente nos escombros de seu próprio templo.
Seu povo lá fora nunca soube. Para eles, ele ainda era o Senhor Soron, a divindade inabalável do Culto que trazia justiça a Ixtal e vingança aos inimigos.
Ninguém via os trapos manchados de sangue escondidos atrás do trono, nem os dedos trêmulos que lutavam para segurar um copo firme.
Mas mesmo quando seu corpo o traía, e a dor corroía seus pulmões como fogo, e seu sangue virava veneno dentro dele, sua vontade se recusava a ceder.
'A morte seria uma misericórdia,' pensou amargamente, com os olhos estreitados. 'Mas misericórdia é para os fracos.'
Ele se arrastou lentamente para cima, uma mão trêmula pressionando a mesa enquanto se levantava. Sua reflexão no metal o encarava—olhos fundos, bochechas oprimidas, lábios rachados, e o brilho teimoso de fúria que insistia em não morrer.
"Vou aguentar," sussurrou para a sala vazia. "Mesmo que isso me mate, vou resistir."
E enquanto uma outra tosse o assaltava, o sangue preto voltou a jorrar, mas desta vez, seu sorriso não desapareceu.