Assassino Atemporal

Capítulo 796

Assassino Atemporal

(Mundo Onde Parado no Tempo, Mansão Isolada de Leo, Ponto de Vista de Leo)

* Tremor *

* Sacudida *

Suor escorria pelas costas de Leo enquanto ele tremia incontrolavelmente antes da próxima luta.

‘O que há comigo? É só mais um mortal…’

Ele pensou, o maxilar tensando-se enquanto se esforçava para respirar lentamente, mas por mais que expelisse o ar tantas vezes, o tremor nas mãos não desaparecia.

Seu corpo, normalmente tão firme, tão controlado, parecia estranho naquela noite, como se não lhe pertencesse mais.

Ele estava sentado sozinho na sala mal iluminada, despojado de equipamentos ou pretensões, enquanto as lâmpadas de mana acima lançavam sombras alongadas pelas paredes.

Do lado de fora, o som de chuva artificial ecoava contra o vidro, rítmico e distante, mas nem mesmo esse compasso constante conseguiu acalmar sua ansiedade crescente.

Não era a luta em si que o deixava nervoso. Ele já tinha lutado milhares de vezes — milhares de inimigos, cada um mais implacável que o anterior.

Ele tinha lutado, superado, se adaptado e triunfado sobre tudo. A vitória já tinha se tornado rotina, mecânica, inevitável.

No entanto, agora, enquanto permanecia ali, com a respiração superficial e a pele fria, um medo desconhecido se insinuava em seu peito.

Ele estava com 998.000 vitórias...

Apenas duas mil vitórias de alcançar a marca do milhão, um número que nada significava para outros, mas que era tudo para ele, pois esse era o objetivo definido pelo manual de meditação.

‘Por que agora?’ pensou, os dedos cerrados em punho até as falanges ficarem brancas.

‘Por que estou com medo agora, sendo que nem mesmo tinha medo da morte antigamente?’

Ele se perguntava, fechando os olhos, tentando silenciar a inquietação que arranhava sua mente.

A adversária na próxima rodada não seria diferente das últimas novecentas mil — só mais um soldado comum, outro cara na média.

Mas seu coração não ligava para a lógica.

Ele sabia qual era o motivo.

Não era questão de dificuldade. Era o peso do que ele poderia perder.

Se perdesse agora, mesmo uma única vez, tudo resetaria. Uma derrota isolada apagaria mais de vinte anos de progresso, décadas de precisão, prática sem fim e foco solitário, tudo sumiria num instante.

E só de pensar nisso, seu estômago apertava.

* Tremor *

* Suor *

'Não posso me dar ao luxo de perder agora,' dizia a si mesmo, a voz tremendo contra as mãos. 'Não depois de chegar até aqui. Não depois de todo o tempo que gastei reconstruindo, de novo e de novo…'

Seu pulso acelerava ainda mais. O silêncio da sala parecia ficar mais alto, sufocante, o ar pesado com o cheiro de suor e ozônio.

Ele quase conseguia sentir a tempestade se formando lá dentro — uma mistura explosiva de fadiga, orgulho e o medo sufocante de não chegar ao final.

"Droga…" murmurou, abaixando as mãos, enquanto sua reflexão o encarava na tênue luz do vidro da janela.

"Do que você tem medo? Skyshard? Você tem realmente medo de perder? Ou tem medo de perder a Amanda e as crianças?"

Eles esperaram por você até agora. Mas se você começar de novo, na próxima vez que vir o Caleb, ele terá 30 anos."

A reflexão pareceu zombar dele, enquanto aquelas palavras cortavam como uma espada no peito.

Recentemente, ele mal se lembrava por que decidiu viver desse modo.

Pois, na Terra, Leo não era tão egocêntrico assim.

Naquela época, sua única razão para ficar mais forte era proteger sua família.

E, embora ainda fosse uma das principais motivações até hoje, ele não conseguia mais mentir pra si mesmo e dizer que era só isso ou até a maior delas.

Em seu coração, ele sabia que sua família já não era sua prioridade número um, pois mal se lembrava da última vez que fez algo especificamente por eles que não o beneficiasse primeiro.

E, mesmo com o apoio incrível de sua esposa durante tudo isso, ele podia sentir a pressão crescendo, como se, se não se controlasse logo, ela não fosse mais a que esperava por ele.

"Não posso ser outro Jacob… Eu, de todos, deveria saber como é crescer sem pai."

Admitiu, enquanto os calafrios começavam a diminuir ao reconhecer a causa de seus medos.

* Exalar *

Expirando forte, ele voltou a olhar para sua reflexão e viu um homem diferente encarando-o de volta.

Não um guerreiro trêmulo, assustado com o fracasso, mas um artesão, firme, paciente e inabalável.

O medo que havia arranhado seu peito pouco antes ainda estava ali, mas já não dominava ele.

Ele o nomeou, enfrentou, e agora era apenas mais um obstáculo a ser superado, passo a passo, com cuidado.

Ele se afastou da janela, o piso rangeu sob seus pés nus enquanto caminhava em direção ao centro da sala.

Suas vestes de combate pendiam ordenadamente ao lado da cama, recém-passadas, com um leve aroma de metal frio e ferro, remanescente de anos de luta.

Ele pegou primeiro o tecido preto, sentindo seu peso familiar repousar contra os dedos, e então começou a colocá-lo sobre os ombros, prender cada fivela lentamente, com calma, como alguém se preparando para uma cerimônia e não para uma luta.

Cada movimento era deliberado. Cada fivela fechada com a precisão do hábito.

Ele se agachou, pegou as botas, passou o polegar pelas bordas, e as calçou, ajustando os cadarços com silêncio e cuidado.

Quando se endireitou novamente, sua respiração estava completamente regular. O ar no cômodo não parecia mais sufocar. Ainda era pesado, sim, mas agora tinha uma espécie de peso que o aguçava, que lhe lembrava do que era capaz quando deixava o medo escapar do ritmo.

"Faltam duas mil", falou baixinho, olhando novamente para sua reflexão na ligeira reflexão da janela. "É só isso. Dois mil passos para terminar o que comecei."

Ajustou a gola do robe, flexionou os dedos para testar o ajuste. O material deslizou tranquilamente com seus movimentos, moldando-se perfeitamente ao seu corpo, feito para velocidade e precisão — o traje de alguém que dominou a arte de matar há muito tempo.

Ele não buscava mais a perfeição pela intensidade. As próximas duas mil lutas seriam vencidas com finesse, paciência e exatidão — como quem constrói algo digno de memória.

Um relojoeiro construindo a peça final de sua vida.

"Cheguei longe demais para fraquejar agora," murmurou, com tom baixo mas decidido. "É hora de acabar com isso de vez…."

Comentários