Assassino Atemporal

Capítulo 786

Assassino Atemporal

(Planeta Ixtal, Ponto de Vista de Soron)

A respiração do homem quebrado foi se estabilizando lentamente à medida que o brilho divino da cura de Soron desaparecia de sua pele, suas feridas se fechando como rachaduras consertadas pela luz.

Ele piscou algumas vezes, ainda atordoado, e então olhou para cima, seus olhos vermelhos encontrando o olhar irado do deus.

"Meu Senhor…" começou, a voz áspera e tremida, "Eu… Nem sei por onde começar."

"Comece do começo," disse Soron calmamente, com um tom firme, mas pesado o suficiente para fazer os ombros do homem tremerem. "Me conte o que aconteceu depois que eu fui embora."

O homem engoliu em seco, apagando o sangue seco do queixo com uma mão tremendo. "Tudo começou com aquele filho da mãe, Raymond… o filho do Soberano Eterno. Aquele que os Soldados Justos agora chamam de 'Conquistador do Culto'."

Os olhos de Soron se estreitaram levemente, o ambiente ao redor deles ficando mais intenso.

O homem prosseguiu, "Ele… ele matou o Comandante Charles, Meu Senhor. Matou na frente de todo mundo em Juxta. Não sei como ele conseguiu, mas foi aí que tudo começou a desmoronar."

*Estalido*

Um som fraco de pedra se partindo ecoou ao redor enquanto o punho de Soron cerrava, a força de sua fúria transbordando no chão.

"Continue," disse ele, com uma voz baixa, calma, porém ardendo por dentro.

"Depois que o Comandante Charles caiu… a Facção Justa nos atacou como uma enxurrada," disse o homem quebrado, as palavras tremendo.

"Disseram que Juxta era um covil de demônios, e que não deixariam ninguém sair vivo. Dez milhões de pessoas morreram, Meu Senhor. Os filhos da mãe insensíveis destruíram o planeta inteiro…"

A expressão de Soron se escureceu, o olhar distante, lembrando rostos, vozes, risos que agora tinham caído no silêncio.

"Os Anciãos?" perguntou com rispidez. "E eles?"

O homem acenou rápido. "O Dragão e o Dragão Sombrio assumiram o comando assim que a notícia chegou a Tithia."

"Com o Comandante Charles morto, todos ficaram assustados… metade do exército desapareceu em poucos dias. Mas o Dragão Sombrio, Lorde Leo, não quis desistir."

Disse que tinha encontrado uma maneira de salvar as pessoas."

As sobrancelhas de Soron franziu. "Uma solução?"

"Sim, Meu Senhor," disse o homem, com a voz ganhando força conforme falava.

"Ele criou algo, um dispositivo para sobreviver ao ambiente hostil do Mundo Congelado pelo Tempo.

Diziam que aquilo manteria os civis seguros enquanto reconstruíamos nossa força para enfrentar o inimigo.

Ele levou quase todo mundo para lá — mulheres, crianças, artesãos, doentes. Talvez setenta, oitenta por cento de nós tenham sido salvos por causa dele."

Os olhos de Soron suavizaram-se um pouco, embora as veias nas têmporas ainda pulsassem de uma fúria contida. "E o restante?"

A voz do homem se quebrou enquanto lágrimas encheram seus olhos. "O resto… o resto ficou para trás. Alguns de nós não puderam sair, eram velhos demais, fracos demais, ou teimosos demais para abandonar a terra onde nasceram.

O Lorde Dragão… levou quem quis se salvar, mas não conseguiu, junto com o Lorde Dragão Sombrio, e espalhou-os por planetas neutros, dizendo que eles se disfarçariam e um dia reconstruiriam tudo. Mas…"

A voz dele voltou a tremer. "Mas nem todos conseguiram. Alguns planetas rejeitaram a gente, outros venderam nosso povo para os Justos. Alguns de nós, como eu, ficamos escondidos aqui, correndo, assistindo tudo o que amávamos ser enterrado sob os pés deles."

Ele soltou um suspiro vacilante, suas palavras se dissolvendo em soluços silenciosos. "Tem sido um inferno, Meu Senhor. Meses de inferno. Continuamos rezando por um sinal, por você. Alguns de nós pensaram que talvez você tivesse nos esquecido, que talvez nunca mais voltasse."

Os olhos de Soron ficaram levemente vermelhos de raiva, um leve tremor se espalhou pelo ar enquanto ele se erguia com toda a altura, sua sombra se alongando sobre a planície arruinada.

"Esqueceram de vocês?" disse ele suavemente, com o peso da sua voz fazendo o chão tremer. "Não. Eu estive longe, sim, mas nunca esqueci."

O homem chorava abertamente agora, segurando o peito. "Então você realmente voltou… não foi um sonho…"

O olhar de Soron percorreu o horizonte, sua fúria retornando com a força de uma tempestade quase contida. "Sonhos não sangram," disse ele. "E logo, nem os que fizeram isso com vocês vão mais sangrar."

Virou-se na direção das bandeiras distantes da Facção Justa, sua aura tremeluzindo como luz de molten metal atrás de uma nuvem de tempestade.

"Continue," disse novamente, em um tom mais silencioso. "Me conte tudo. Quero saber cada pecado que cometeram contra meu povo… Não esconda nenhum detalhe, pois vou devolver tudo em dez vezes mais."

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(Enquanto isso, Mauriss)

A notícia do retorno de Soron se espalhou rápido, chegando logo ao planeta Granada, onde Mauriss recebeu a informação como uma bênção envolta de insanidade, sua risada escapando antes mesmo da razão conseguir controlá-la.

"Você voltou? Finalmente voltou! Hahahaha," ele riu, a voz rompendo em um ataque de engasgo enquanto se dobrava, segurando o estômago e se curvando para frente, numa expressão de alegria quase dolorosa.

Ele limpou uma mão trêmula na boca e se acomodou, olhos brilhando com algo como fome, entrelaçando os dedos e falando como se estivesse saboreando cada sílaba….

"Gostaria de ver sua cara agora. Como é voltar ao caos do seu santuário sagrado? Está queimando por dentro? Está ansiando por sangue e pelo som de ossos quebrando sob seus pés?"

Sua voz baixou para um ritmo lento, perigoso, cada pergunta como uma faca being girada suavemente em uma ferida antiga.

"Você fica irado? Quer vingança? Hahahaha, aposto que sim."

Mauriss deixou o eco da própria risada pairar no ar, enquanto gotas de chuva escorriam do seu peito nu.

"Queime," sussurrou, disfrutando a emoção por trás da palavra, "queime intensamente na raiva que sente agora, pois em breve você vai se apagar."

Ele deixou a ameaça ali, como uma brasa em brasa, não totalmente apagada, enquanto imaginava a carnificina que se desenrolava com o prazer calmo e metódico de quem provou o caos e achou mais doce envolto na destruição.

"Faça-os sofrer, Soron, lembre ao universo o quão grande vilão você realmente é, pois sua queda só significará grandes feitos, se seu terror foi lendário."

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