
Capítulo 779
Assassino Atemporal
Enquanto isso, no ponto de vista de Leo, o Mundo Congelado do Tempo
Os dias repletos de treinamentos passaram rapidamente para Leo, enquanto ele retomava sua incansável busca pelo objetivo impossível de derrotar um milhão de oponentes consecutivamente.
No entanto, em algum momento próximo à marca de setecentas e setenta e cinco mil vitórias, os parâmetros de seus testes mudaram mais uma vez.
As restrições anteriores, lutar com membros atados, cegado por um pano e envolto com alvos de balão, já o obrigaram a evoluir seus instintos muito além da razão humana... Mas nem mesmo isso era mais suficiente.
Ele havia ficado forte demais e, por isso, para que os adversários de nível mestre que agora enfrentava tivessem pelo menos cinquenta por cento de chances contra ele, algo mais severo precisava ser introduzido.
E, como resultado, um novo limitador foi adicionado ao seu equipamento de batalha.
Uma cobertura de almofada suave, inofensiva à aparência, foi presa sobre sua cabeça, amortecendo o impacto de cada golpe que ele desferia, pois suas cabeçadas destrutivas, sua última arma quando encurralado, agora eram menos eficazes.
O que antes era um golpe de finalização se tornou apenas uma batidinha sem importância contra a guarda do adversário.
Era uma pequena mudança, mas que o deixou sem uma de suas armas mais afiadas. Agora, as lutas se transformaram em batalhas longas, onde cada troca parecia mais lenta, cansativa e prolongada.
Com sua mobilidade limitada pelos grilhões, sua visão vedada por um tapa-olho e sua última arma silenciada, cada vitória virou uma questão de resistência e precisão.
As lutas que ele agora enfrentava tornaram-se tão difíceis que até um único erro significava derrota, enquanto para derrotar seu oponente, era preciso acertar de dez a quinze golpes limpos, cada um perfeitamente colocado, carregando toda a sua força, sem jamais deixar que qualquer ataque o atingisse de volta.
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O ar dentro da câmara de combate parecia espesso, carregado do cheiro de resíduo de mana e poeira de aço.
Leo permanecia parado no centro, com a respiração tranquila, o coração batendo firme sob as camadas de restrição.
Então, ouviu-se o sibilo metálico da porta, seguido por um leve arrastar de passos firmes e pesados.
Leo sentiu o ar se deslocar, quente e turbulento, e naquele pequeno movimento, percebeu tudo o que precisava saber.
Seu oponente era grande e seus passos rígidos, o que indicava que era um lutador de força bruta, com uma constituição musculosa e mais pesada do que flexível.
'Hmm—'
Ele refletiu, e assim que a contagem regressiva chegou a zero, assumiu a postura de combate.
*SWOOSH*
Uma rajada de ar passou rente ao seu rosto, perto o suficiente para que pudesse sentir seu calor. O golpe carregava intenção verdadeira, e se ele tivesse atraso de um segundo, teria atingido seu maxilar.
'Mais rápido que um lutador comum.'
Avaliou, inclinando o corpo instintivamente para trás, deixando o ataque cortar o espaço vazio antes de saltar para frente com as pernas atadas.
*Hop*
Por causa dos grilhões, ele não podia correr ou girar livremente. Cada movimento era limitado a saltos curtos e desajeitados que exigiam equilíbrio perfeito.
Seus braços estavam firmemente amarrados atrás das costas, seus pulsos pressionados juntos, enquanto seus tornozelos estavam presos por grilhões reforçados que lhe davam espaço suficiente para mover-se, mas não para dar passos largos. Cada respiração, cada mudança de peso tinha que ser proposital, calculada e silenciosa.
'Sem braços, sem pernas, sem visão... e agora até minhas cabeçadas são inúteis. Perfeito,' pensou amargurado, ajustando sua postura com um leve arrasto. 'Vamos ver com o que mais posso lutar.'
Os passos do adversário ecoaram suavemente pelo chão da câmara, pesados e confiantes, denunciando a presença de um lutador experiente. Cada passo se aproximava, medido e seguro, seguido por um rosnado baixo de expectativa.
Então veio o próximo ataque.
Um forte golpe de ar veio da esquerda. Leo mergulhou, flexionando os joelhos e abaixando seu centro de gravidade, enquanto o soco passava por cima de sua cabeça. Ele pulou de lado, quase evitando um segundo golpe que veio como relâmpago após um trovão.
A venda abafou toda visão, forçando-o a confiar em tudo ao seu redor—o mais fino som do tecido se movendo, o sussurro do deslocamento do ar, até o ritmo da respiração do adversário.
Um zumbido baixo preencheu sua mente com um mapa mental criado apenas pelo som, onde ele podia visualizar cada movimento do inimigo.
'Muito previsível,' pensou, inclinando-se para frente a tempo de evitar uma bicicleta de chute que passou voando perto de seu rosto.
Ele revidou com a pouca liberdade que tinha. Seu corpo torceu-se, e seu joelho disparou para cima, atingindo a coxa do adversário, que grunhiu de dor, mas não cambaleou.
Uma mão se estendeu, agarrando seu ombro, e no instante seguinte, um som alto de *POP* pode ser ouvido enquanto seu oponente conseguiu estourar o primeiro balão.
*POP*
*Gotejou*
Água começou a escorrer pelo seu lado, agora a um balão de distância de perder sua sequência de vitórias.
No entanto, ao invés de deixar a pressão afetá-lo, ele usou o impulso para inclinar seu corpo para a frente, deixando a gravidade fazer o que seus grilhões não permitiam, saltando para cima e para frente em um movimento único, metendo sua cabeça acolchoada direto no queixo do homem.
*Sote*
A almofada suave amortecou o impacto, mas a velocidade do golpe fez o adversário cambalear para trás, rosnando com força contida.
'Então funciona se eu empurrar forte o suficiente,' pensou Leo, respirando com dificuldade.
Porém, infelizmente para ele, o oponente recuperou o equilíbrio e avançou novamente, com movimentos impulsivos de agressividade.
*SWOOSH*
*SWOOSH*
*BLOQUEIO*
Leo ajustou sua postura, pulando uma vez para a direita e outra para trás, escapando por pouco de um gancho varrido que teria estourado seu balão do pescoço, antes de bloquear um chute rasteiro com a sola do pé, enquanto esperava pelo próximo golpe, contando o ritmo da respiração do adversário.
Inalar. Exalar.
Então veio o movimento de ataque.
Mas ele se moveu antes que atingisse, pulando em direção ao som, ao invés de se afastar dele, enquanto torcia o ombro para enfrentar o golpe de frente.
*BAM*
O impacto percorreu todo seu corpo, mas como o balão daquele lado já estava estourado, ele não sofreu dano adicional, enquanto seu impulso fazia o adversário perder o equilíbrio.
*Desestabilizou*
O oponente cambaleou, e essa foi a oportunidade que Leo precisava para acabar com a luta, girando nos calcanhares e jogando seu peso de lado, batendo o ombro no abdômen do oponente, que foi lançado ao chão com força e preso no chão.
*Sote*
O som foi pesado, definitivo.
O adversário caiu, arfando, sentindo algumas costelas se romperem com a força.
"Caralho, foi por pouco..."
Leo murmurou, ao se levantar, seu corpo tremendo de esforço, os grilhões cortando fundo na pele enquanto o suor escorria pelo pescoço.
"Vencedor, Lorde Dragão das Sombras!"
Disse o árbitro, enquanto Leo abaixava a cabeça, respirando com força.
'Setecentas e setenta e cinco mil e duas,' pensou, com um sorriso cansado nos lábios. 'Ainda de pé.'