Assassino Atemporal

Capítulo 759

Assassino Atemporal

(33 dias após o início da viagem, o Oceano do Tempo, aproximando-se das coordenadas reportadas)

Após um mês navegando pela vasta extensão do Oceano do Tempo, a frota finalmente se aproximava das coordenadas onde a ilha tinha sido avistada pela última vez, com um entusiasmo quase que dissimulado.

Todos queriam ver por si próprios se as histórias eram verdadeiras ou não; por isso, durante meia manhã, quase todos os tripulantes permaneciam no convés, observando atentamente o horizonte em busca de alguma estrutura flutuante misteriosa, só para ficarem desapontados ao não encontrarem nada.

"Foi uma merda de golpe!"

"Não acredito que me inscrevi voluntariamente nessa expedição…"

"Não acredito que perdi o parto do meu filho por causa dessa missão…"

Os soldados reclamavam, fingindo estar ocupados enquanto escondiam os rostos e disfarçavam a impaciência.

"Juro, comandante, não é uma história de marinheiro doidinho," disse o soldado mais jovem, palmas abertas como se a verdade pudesse estar ali se desejasse caber na palma da mão.

"Eu o vi com meus próprios olhos na última expedição. Estava exatamente aqui, nessas coordenadas."

Ele jurou, enquanto o comandante Anderson Silva o encarava por um longo momento, depois olhava em direção à vasta água cinza diante do navio, que parecia igual à de qualquer outro lugar, seus olhos tão desapontados quanto os de seus homens.

"Você conhece o custo logístico dessa missão, Chuck?" perguntou, por fim, a voz calma e pesada. "Senhor Sombraluna arriscou duas toneladas de comida e semanas de trabalho para centenas de homens virem até aqui. O que vou dizer para ele quando voltarmos, hein? Que não vimos nada."

Chuck abaixou a cabeça como se o oceano de repente tivesse ficado mais alto.

"Juro que vi, comandante. Só que… não foi na mesma região que os outros reportaram. Foi mais a oeste. Pelo menos quarenta milhas. Talvez porque realmente flutua livremente, ela não fica em um só lugar. Se olharmos ao redor, deve estar bem por perto."

Do deque de popa, Mickey James respirou fundo, um som que parecia uma risada sem alegria, sem humor. Desceu as escadas em três passos leves e colocou uma mão no corrimão.

"Chuck, Chuck, Chuck," disse, enrolando o nome como uma pedra na boca.

"Quantas vezes já te falei pra parar com essa bebida? Não faz bem pra você. Você tem a menor capacidade que já vi na vida."

"Tipo… alguém torra a cabeça com uma única cerveja?"

Repreendeu, enquanto Anderson fazia uma expressão de nojo com a observação, claramente decepcionado com Chuck por não conseguir segurar a bebida.

"Comandante, se o cara só bebe uísque, aí depois troca pra cerveja, o álcool é absorvido mais rápido. Não foi minha culpa…"

Chuck explicou, com as bochechas ficando vermelho enquanto abaixava o olhar.

Porém, Mickey não aceitou: levantou a mão para silenciar, seu tom não era bravo, apenas decepcionado.

"Deixa pra lá. Estamos no fim do mundo, e você é um bebedor moderado, isso aí."

Anderson assistiu à troca sem demonstrar diversão, então voltou os olhos para a água vazia que tinha consumido o tempo deles.

"Bom," disse, de tom prático, "já que estamos aqui, não custa dar uma voltinha nesses mares. Vamos fazer uma varredura em um quadrado ampliado. Se sua ilha for um viajante errante, ainda podemos captar sua sombra."

Propôs, enquanto Mickey encolhia os ombros, nem animado nem contra a ideia.

"Vamos fazer a varredura. Vinte minutos por trajeto. Mantenham o espaçamento compacto. Se alguma criatura der as caras na superfície, cortamos antes que ela respire duas vezes."

Ordens foram passadas pelos mastros e pelo cabos com o ritmo treinado da rotina, enquanto o som constante dos tambores rolava pelos conveses, colocando a frota em movimento.

As embarcações leves de guarda foram se afastando lentamente, os dois batedores deslizaram para os lados como caçadores que rastreiam um cheiro, e o navio principal, pesado, virou com lentidão e elegância, como se o próprio oceano se curvasse diante do seu movimento.

Chuck manteve o olhar fixo no quadrante oeste, observando o horizonte com a teimosia de alguém que desafia o oceano a dizer a verdade.

Enquanto Anderson permanecia atrás dele, mãos unidas, contando o ritmo das ondas em silêncio, Mickey assobiava uma melodia sem graça, que se elevava e caía com o vento.

Logo, a frota traçou seu primeiro quadrado pelo mar e não encontrou nada além do cinza infinito.

Ao tentar novamente, só apareceu um pedaço de madeira que, talvez, já tivesse sido uma árvore.

No terceiro, o resultado foi ainda menor: o vento mudou de direção e a luz escureceu até uma tonalidade mais fria.

Nem uma ilha deu as caras. Nenhum milagre quebrou a calma da distância que os separava. Mas uma persistência silenciosa permaneceu entre os homens, daquela que faz marinheiros trabalharem até depois que a razão já foi dormir.

"Ah, dane-se. Hora de ampliar a busca."

Disse Anderson, levantando novamente a mão para sinalizar a mudança de formação, que os homens obedeceram sem questionar.

Logo, o padrão se ampliou, a busca se estendeu mais longe pelo desconhecido.

Horas passaram em silêncio, um silêncio que corroía a paciência, até os estalos do convés começarem a parecer acusações.

Os homens, que tinham iniciado o dia maravilhados, agora olhavam para o horizonte com olhos vazios, presos entre descrença e resignação. O oceano diante deles, vasto e indiferente, refletia somente a sua futilidade.

Mickey descansou de leve contra o corrimão, seu ânimo anterior reduzido. "Sabe, Anderson," murmurou, a voz quase engolida pelo vento, "se eu não soubesse melhor, diria que somos idiotas de chuteira correndo atrás de unicórnios."

Anderson manteve o olhar fixo na água. "Talvez sejamos mesmo," respondeu, com o tom igualmente pessimista, quando de repente—

"COMANDANTE! COMANDANTE!"

Uma exclamação veio do convés inferior.

A voz era de ninguém menos que o jovem mestre, Leonardo Skyshard.

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