
Capítulo 757
Assassino Atemporal
(O Oceano Atemporal, Três Semanas Depois, Ponto de Vista de Leonardo)
As ondas subiam e desciam em longos intervalos deliberados, como se o próprio Oceano Atemporal estivesse vivo, testando a resistência daqueles que ousassem navegar por sua espinha sem fim.
O sal impregnava o ar, grudando na pele e no aço, enquanto o vento assobiava pelo maquinário com a melancolia de mil vozes que se afogaram.
Leonardo permanecia na proa da nau capitânia, com as mãos levemente apoiadas na amurada úmida, enquanto seus olhos seguiam o horizonte.
Além daquele manto cinzento, exploradores juraram vê-lo — uma ilha flutuante, vagando entre as nuvens de névoa… que desaparecia assim que alguém se aproximava demais.
‘Será que encontramos algum monstro perigoso hoje?’
Ele se perguntou, ao lançar um olhar para a frota navegando ao seu redor.
No total, o Cult tinha enviado sete embarcações nesta expedição, que navegavam em formação de diamante.
A nave principal, onde ele estava, circulava no centro, enquanto quatro embarcações de escolta menores formavam um quadrado ao seu redor, com dois exploradores ágeis ao lado de cada um.
Em uma dessas embarcações de reconhecimento, estava Anderson Silva, o estrategista que seu tio enviara para supervisionar a operação.
Enquanto isso, no navio principal, estava Mickey James, outro Monarca do Cult, que tinha uma personalidade descontraída e uma risada que podia ser ouvida mesmo em meio às tempestades.
*Lascou*
*Estouro*
O oceano hoje estava calmo, um fenômeno estranho dentro do Mundo Congelado no Tempo, já que, normalmente, ele era uma tempestade constante — que os Monarcas enfrentavam com suas lâminas para garantir a segurança da frota.
Diferente dos demais, que tinham uma função bem definida na embarcação, Leonardo tinha o privilégio de ser uma fagulha celeste — deixado à vontade, livre para fazer o que quisesse durante seus dias.
No entanto, apesar de não ter sido solicitado a realizar nenhuma tarefa, ele ajudava onde podia e aproveitava cada minuto livre aprendendo lições valiosas de vida e combate com os dois Monarcas a bordo, tentando aproveitar ao máximo seu tempo longe de casa.
Embora tivesse apenas 22 anos e fosse Grande Mestre, esta era sua primeira grande aventura: nunca antes ficara tanto tempo longe de casa ou participara de uma missão tão perigosa.
Ele se consolava pensando que, com Mickey e Anderson ao seu lado, havia pouco do que temer.
Pois ambos haviam lutado e vencido criaturas capazes de partir montanhas e quebrar continentes, então, certamente, uma viagem assim seria segura com eles.
Porém, o Oceano Atemporal era uma incógnita, com muitas bestas de Nível Monarca escondidas em suas profundezas vastas.
*Passo*
*Passo*
* Rangido*
A prancha rangeu sob seus passos enquanto ele se virou na direção das vozes de dois marinheiros que jogavam água para fora perto da amurada portuária, suas conversas se ouvindo acima do barulho das ondas.
"Rapaz, você acha que o Senhor vai parar com esses desafios diários contra os soldados?" perguntou um deles, num tom que misturava exaustão e admiração. "Dizem que ele já conquistou mais de setecentos mil triunfos. Quando é que vai chegar a hora de parar?"
"Quem sabe um milhão?" respondeu o outro, coçando a cabeça, como se estivesse inseguro se o número era absurdo ou inevitável.
"Sim, mas não acha que é um desperdício treinar desse jeito? Se fosse comigo, eu focaria na velocidade ou aprenderia feitiços novos. Quer dizer — o que ele ganha em derrotar oponentes de nível inferior?"
A dúvida do primeiro marinheiro permaneceu por um momento, engolida pelo som das ondas batendo no casco, até que seu companheiro finalmente voltou a falar.
"Pois é, mas ele não facilita a vida pra si mesmo. Enfrenta de tudo — mana restringida, armas amortecidas, sem visão ou mobilidade. É um milagre que ainda vença tanto assim consecutivamente."
"Verdade," admitiu o primeiro, sua voz suavizando. "O poder do Senhor é algo fora do comum. Não importa como treine; na hora do combate, ninguém se compara a ele."
Leonardo sorriu levemente enquanto escutava de longe, fingindo estudar o mar, embora suas orelhas captassem cada palavra.
Suas vozes carregavam orgulho, respeito e admiração na mesma medida, e, embora não citassem o nome do tio dele, Leonardo sabia que não precisavam.
Era o mesmo homem a quem todo soldado se referia como "o Senhor".
O mesmo homem que ensinou Leonardo a segurar uma lâmina, a controlar a respiração, a nunca temer o silêncio antes de uma luta.
Uma sensação de calor surgiu dentro dele, fugaz, porém sincera. Ouvir os homens do Cult falar assim de seu tio enchia-o de uma orgulho silencioso — e, talvez, de uma certa inveja.
Porque um dia, ele queria que eles falassem dele da mesma forma.
Um dia, queria ser um homem tão grande quanto seu tio.
"Meu pai diz que, quando se trata de lutar, tenho mais talento do que ele."
"Mas ainda não sou tão bom quanto ele…"
"Apesar de nunca ter treinado um dia na vida até os 20 anos, meu tio conseguiu se tornar Transcendente antes dos 25."
Enquanto isso, eu ainda estou longe dessa elite."
Haha, às vezes acho que ninguém consegue ser tão bom quanto ele,
Mas pelo menos posso tentar…"
Leonardo pensou consigo enquanto se virava de volta para o mar aberto, fixando os olhos no horizonte que parecia não ter fim, com trovões murmurando ao longe e o cheiro de chuva se intensificando.
"Está vindo uma tempestade…"
Pensou, ao ouvir rapidamente os homens repetirem a mesma coisa.
"Vai vir uma tempestade," disse um, ajustando as cordas.
"Sim, uma bem grande," respondeu outro, lançando olhares nervosos para o horizonte.
As velas rangiam enquanto o vento mudava, carregando a leve aroma de chuva. O mar, que antes estava tranquilo, começou a se agitar, o ritmo das ondas ficando irregular, enquanto o céu escurecia um pouco mais.
Leonardo respirou fundo, sem tirar os olhos do horizonte, preparando-se para algumas horas difíceis de navegação.
Havia uma chance de cinquenta por cento de que a tempestade fosse acompanhada por uma espécie de ilusão mental.
Pois, de algum modo, esse tinha sido o padrão desde o início da jornada, há três semanas.