
Capítulo 736
Assassino Atemporal
(Planeta Wamir, Instalações de Detenção Subterrânea da Facção Righteous, ponto de vista de Veyr)
O ar sob a instalação de detenção cheirava a ferro frio e cinzas queimadas, tão espesso que parecia machucar os pulmões de Veyr a cada respiração superficial que ele dava.
À sua frente, um corredor estreito se estendia infinitamente, ladeado por blocos de pedra escura que brilhavam levemente com correntes rúnicas gravadas em sua superfície.
'Onde... onde eu estou?'
Ele se perguntou, sua mente oscilando entre o estado de consciência e o desvanecimento, enquanto sentia três Monarcas ao seu lado puxando-o por um corredor carregado de poeira.
*SKRRRR*
Seus boots riscaram o chão enquanto eram puxados para frente, a cabeça pendia baixa, os cabelos negros grudando no rosto em fios molhados, enquanto uma dor surda pulsava atrás dos olhos.
Seu corpo parecia insuportavelmente pesado, as veias lentas e frias sob o peso do sedativo que haviam injetado nele, e embora tentasse ao máximo levantar o olhar em direção à cela no final do corredor, a visão tremia, borrando as bordas de luz e sombra.
'Por que Mauriss quer me manter vivo?' pensou vagamente, sua mente oscilando entre confusão e cansaço. 'Não se diz que Dragões do Cult são seus maiores inimigos? Não é o objetivo maior da Facção Righteous matar-me?'
Ele se perguntou, quase querendo rir da ironia, porém, infelizmente para ele, até seus lábios se recusavam a obedecer sua mente neste momento.
*Huff–*
O único som que escapou de sua garganta foi uma respiração superficial, fraca e irregular, enquanto os Monarcas paravam diante de uma pesada porta de aço reforçada com camadas de barreiras.
"Abra os selos"
Um deles ordenou, enquanto o guarda do lado de fora começava a desativar o mecanismo que selava a porta da prisão.
*Manivela*
*Range*
Logo, a porta rangeu ao se abrir, enquanto eles o arrastavam para dentro, jogando-o de lado como carga descartada.
*Baque*
Ele caiu no chão frio com um baque surdo, o ombro gritando de dor com o impacto enquanto piscava contra a luz tênue, tentando focar.
'Embaçado… tudo parece muito embaçado.'
Ele concluiu, enquanto o mundo ao seu redor oscilava e inclinava como um navio em mar agitado.
'Posso escapar? Tenho alguma esperança de sair daqui vivo?' pensou, seus pensamentos lentos e fragmentados, enquanto o som de correntes rangendo preenchia a câmara.
Ele já tinha ouvido que Leo tinha sido treinado por Charles em todas as artes de infiltração e fuga conhecidas pelo Cult, porém, ele mesmo nunca tinha passado por algum treinamento desse tipo.
Sua criação foi diferente; ele foi um símbolo, um messias para o povo, nunca um guerreiro feito para sobreviver.
Não tinha ideia de como deslocar uma articulação para escapar das amarras, nem conhecimento sobre como desativar selos de mana, e sua força já não era suficiente para resistir a eles de qualquer forma.
*Clank*
*Clank*
Primeiro, suas mãos foram amarradas, as manilhas de ferro pesadas trancando seus braços enquanto runas azuis brilhantes se acendiam, selando sua mana dentro do corpo.
Depois, vieram as correntes ao redor de seus tornozelos, ajustadas até que ele não pudesse mais esticar as pernas, com mais duas sendo fixadas ao redor do torso, formando uma espécie de âncora na parede, até que mal pudesse mover a cabeça.
"Ótimo, ele agora não consegue se mover nem um pouco…."
Um dos Monarcas comentou, observando o processo de perto, enquanto os outros olhavam com desinteresse.
"Então," disse outro após um longo silêncio, "por que você acha que o Lorde Mauriss quer manter esse bandido vivo?"
Ele perguntou, enquanto o terceiro encolhia os ombros.
"Quem sabe. Talvez queira interrogar ele. Ou talvez só queira humilhá-lo antes de matá-lo mais tarde."
O terceiro sugeriu, enquanto o primeiro balançava a cabeça lentamente.
"Não," ele disse.
"Lorde Mauriss é inteligente demais para teatrinhos. Ele não comete os mesmos erros que nós cometemos nos últimos dois mil anos."
Os outros se voltaram para ele, com expressões de dúvida.
"O que você quer dizer?" perguntaram os dois.
"Eu quero dizer isto," continuou o primeiro Monarch, com tom sério porém calmo. "Toda vez que matamos um Dragão, o Cult simplesmente escolhe outro."
"Isso está na doutrina deles — matar um Dragão, e outro surgirá das cinzas."
"Portanto, no grande esquema das coisas, matar um Dragão não passa de martírio."
"Porém, se ele estiver vivo e indefeso, eles não podem nomear um novo."
Por um instante, o silêncio tomou conta do ambiente, apenas o som de água pingando ecoando ao longe, enquanto os olhos de todos se arregalavam de descrença.
"Última coisa que soube," continuou o primeiro Monarch, "é que já têm alguém pronto. Um Dragão Sombrio, esperando a confirmação da morte do Dragão para tomar o poder."
"Se matarmos esse bandido agora, esse sucessor assume imediatamente."
"Mas—"
"Se, ao invés disso, mantivermos ele aqui, mal respirando, por cem, doiscentos anos, eles permanecerão sem líder, divididos, desesperados."
Um novo Dragão não pode ser nomeado enquanto o antigo ainda estiver vivo, o que significa que o Cult não terá um novo messias."
Os dois outros Monarchs trocaram olhares, a compreensão se formando em suas expressões.
"Genial," sussurrou o segundo Monarch.
"Isso… isso é genial." acrescentou o terceiro, enquanto comemoravam a brilhante estratégia.
Veyr, no entanto, sentiu o coração afundar ao ouvir tudo aquilo, cada palavra lhe perfurando mais fundo do que qualquer lâmina poderia.
Seu estômago ficou gelado, sua mente girando de descrença ao finalmente entender a crueldade do plano deles.
'Eles não vão me matar… vão me deixar apodrecer.
Vão me usar para paralisar todo o Cult.'
Ele percebeu, enquanto o Monarch que tinha falado sorriu de leve antes de se virar para sair, os passos fazendo eco contra a pedra.
"Neste momento," disse, olhando para trás uma última vez, "só lhes resta tentar resgatá-lo. E, fazendo isso, eles cairão de cabeça na própria sepultura… Então, pelo que sei, temos todas as cartas agora."
*CLANG*
A porta se fechou atrás deles com um estrondo pesado, selando Veyr na completa escuridão.
Ele tentou se mover, mas as correntes só cravaram mais fundo na pele, enquanto sua respiração ficava lenta e superficial, sua mente mergulhada na névoa do medo e do cansaço.
Todo esse plano não parecia bom para ele.
Sentia-se como uma isca indefesa balançando na sua isca.
Porém, infelizmente, ele não podia fazer nada a respeito.