Assassino Atemporal

Capítulo 727

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, bem no fundo do Mundo Congelado no Tempo, ponto de vista de Moltherak)

Assim que Leo entrou no domínio do Mundo Congelado no Tempo, a alma ancestral de Moltherak, enterrada profundamente na quietude do sono, começou a se mover levemente.

Embora incontáveis eras tivessem passado desde a última vez que o mundo sentiu sua presença, algo na nova presença pressionava seus sentidos com uma familiaridade insuportável.

No começo, foi sutil, como uma brisa passando por ar estagnado, mas então a compreensão o atingiu, e sua mente rugiu de fúria ancestral.

Desde que Zhanrok marcou Leo como ladrão, a aura do deus lagarto permanecia tenuemente sobre seu corpo, entrelaçando-se com sua própria alma.

E assim, não era realmente Leo que Moltherak tinha percebido, mas sim a presença persistente daquele ser odioso cujo selo agora manchava seu corpo.

'Aquele velho lagarto ousa entrar no meu domínio?'

Os pensamentos de Moltherak reverberaram pelo oceano de sua consciência como um trovão distante, sua fúria crescendo mesmo por trás do nevoeiro de seu cansaço.

No entanto, ao tentar lançar seu olhar através da neblina de seu sono e localizar a origem da perturbação, sua visão se embrulhou e torceu, oferecendo apenas fragmentos de formas e luzes.

Através daquela névoa, ele não viu Zhanrok, mas um jovem solitário, sua forma envolta em sombras e seu rosto iluminado o suficiente para ser visto.

Aquele rosto… parecia familiar.

'Aquele garoto… onde já o vi antes?'

Ele tentou se lembrar.

Sua mente ancestral buscava na vasta imensidão da memória por um breve encontro, mas o passado veio a ele apenas em fragmentos.

'Quando foi que eu vi aquele garoto? Foi ontem? Ou há mil anos? Não consigo me lembrar…'

Ele se perguntava, enquanto o pensamento se dissipava tão rápido quanto surgira.

Seu corpo sentia-se impossivelmente pesado, sua força fraca demais para manter a consciência, enquanto o mundo ao seu redor se escurecia mais uma vez, seu antigo inimigo do sono arrastando-o de volta às profundezas.

Por enquanto, ele estava fraco demais para despertar, e cansado demais para se importar. Enquanto Zhanrok não tivesse entrado em seu reino, não havia motivo para se erguer à força.

'Assim seja', pensou de maneira preguiçosa, sua voz se dissolvendo no silêncio.

'Se o menino e eu somos destinados a nos encontrar, ele um dia encontrará minha tumba—'

Ele pensou, enquanto adormecia novamente, esquecendo completamente que sua sepultura ficava no lugar mais inacessível de toda a dimensão.

Ao escolher seu local de descanso, decidiu dormir em um dos cantos mais isolados da existência— uma ilha flutuante solitária à deriva no meio do vasto mar corrompido que cobria quase sessenta por cento deste mundo.

Era um lugar que nenhum aventureiro sã se atreveria a se aproximar, pois o oceano abaixo era imenso e contaminado, suas águas abrigando algumas das criaturas mais perigosas do planeta, ao mesmo tempo que eram corrosivas o suficiente para dissolver aço em poucos dias.

A ilha pairava suspensa acima daquela extensão infinita, sustentada por correntes invisíveis de energia antiga, sua superfície marcada pelo passar do tempo.

E foi exatamente ali, no centro daquela ilha flutuante, dentro de um templo ancestral, que Moltherak dormia, cujas coordenadas se perderam nas páginas da história.

Assim, sem essas marcações precisas, achar a ilha tornou-se quase impossível, já que era improvável alguém encontrar ela por acaso ao explorar o planeta.

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(Algumas horas depois, Cidade Skyshard, ponto de vista de Leo)

Depois de concluir as reuniões mais importantes, que tinham prioridade sobre tudo, Leo finalmente saiu para encontrar sua família, que não o via há mais de três anos.

Embora tenham passado apenas alguns dias para ele no mundo exterior, mais de onzecentos dias haviam se passado para eles dentro do Mundo Congelado no Tempo.

E, sabendo quanto tempo tinham esperado, Leo decidiu visitá-los primeiro, certo de que estavam tão ansiosos para vê-lo quanto ele para encontrá-los.

A nova Mansão Skyshard era bem menor que a antiga casa deles em Vorthas, mas ainda assim era uma modesta casa de sete quartos, com um jardim privativo pequeno e muros bem cuidados que escondiam o barulho da cidade.

Não era grandiosa, mas era tranquila, com videiras vermelhas florescendo ao redor do portão e o leve aroma de lírios de mana vindo da rua próxima.

Quando Leo subiu pelo caminho de pedra curto e abriu a porta da frente, a primeira coisa que viu foi sua mãe correndo da cozinha para ver quem tinha aberto a porta, e seu rosto se iluminou de alegria ao perceber que era o seu filho amado.

"Leo…" ela disse suavemente, com a voz tremendo entre alívio e incredulidade, antes de avançar e abraçá-lo com força.

Porém, enquanto Leo se sentia feliz e aquecido ao abraçar sua mãe, também se surpreendeu com o número de rugas e fios brancos que surgiram em seu rosto, sinais do envelhecimento finalmente começando a aparecer.

Ela estava menor do que ele lembrava, mais frágil de algum modo, mas seu abraço ainda carregava a mesma força de sempre.

Quando ela finalmente se afastou, com os olhos brilhando de lágrimas, Leo olhou para ela com preocupação estampada no rosto, mas não falou nada.

"Você perdeu peso de novo. Sempre esquece de comer quando está trabalhando demais."

Elena repreendeu, enquanto Leo sorriu levemente com as palavras dela.

No fundo, ele sabia que era impossível perder peso sequer mantendo uma alimentação zero por meses.

Ele era um Transcendente, e seu metabolismo não dependia mais só de comida para subsistência.

Porém, ele também sabia que não tinha jeito de discutir com uma mãe carinhosa, então aceitou sua falha sem muita conversa.

"Vou me esforçar para melhorar na próxima, mãe."

Ele disse, e antes que ela pudesse responder, uma voz familiar ecoou do corredor.

"Deixe o rapaz respirar, Elena. Você vai sufocá-lo."

Seu pai, Jacob, entrou vindo da sala de estar, com a barba já marcada por fios de prata, a postura antes reta agora levemente curvada, embora sua presença permanecesse imponente.

Ele deu um tapinha firme no ombro de Leo e depois o puxou para um abraço rápido e forte. Mas, ao se encontrarem, Leo não pôde deixar de notar que seu pai também parecia menor e mais fraco do que lembrava, o que fez seus alarmes soarem com força.

"Vocês vão ficar tão felizes de conhecê-lo," Jacob disse, com os olhos brilhando de travessura, enquanto Leo piscava, um pouco confuso.

"Conhecer quem?"

Ele perguntou, e Jacob não respondeu imediatamente. Em vez disso, virou-se para a cozinha e elevou a voz. "Leonardo, vem aqui!"

*Passo*

.

.

*Passo* *Passo*

*Passo*

Pais pequenos ecos de passos rápidos e descompassados ressoavam no piso de azulejo, até que um menino pequeno saiu correndo—mal tinha dois ou três anos, com cabelo preto bagunçado e olhos brilhantes de curiosidade.

Ele parou bruscamente, então se escondeu timidamente atrás da perna de Jacob, espiando só o suficiente para Leo ver seu rosto.

A semelhança era inconfundível. O garoto tinha os olhos de Luke, mas o sorriso e as covinhas de Alia, além de um traço da expressão afiada de Leo.

As sobrancelhas de Leo levantaram um pouco. "Isso… é?"

Jacob assentiu orgulhoso. "Seu sobrinho. O garoto do Luke e da Alia. Eles o chamaram de Leonardo, em sua homenagem."

Por um momento, Leo ficou em silêncio, seus olhos ainda fixos no garotinho que agora o observava com cautela de trás da perna de Jacob. Então, lentamente, um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele.

"Agora sou tio…" ele pensou consigo mesmo, uma calma calorosa espalhando-se pelo peito enquanto o olhar curioso do menino encontrava o dele.

"Sou um tio legal agora."

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