
Capítulo 711
Assassino Atemporal
(Planeta Ixtal, A Floresta Perdida, ponto de vista de Leo)
Leo sentiu suas botas tremerem levemente ao pisar no castelo de Soron sem a presença do grande deus, pois o ambiente ainda carregava o peso da divindade, uma pressão antiga que agarrava cada parede e corredor como se o próprio castelo lamentasse a ausência de seu mestre.
Ele fez uma breve pausa, deixando o silêncio envolver seus sentidos, antes de descer ao porão para coletar pessoalmente os tesouros que Soron guardava com tanto zelo ao longo dos anos.
Ao contrário de outros arsenais espalhados pelo território do Cult, que ele podia confiar a seus subordinados para esvaziarem, o castelo de Soron era o único lugar que ele insistia em cuidar pessoalmente, pois os bens do grande deus não eram meros artefatos de valor, mas fragmentos do legado do Cult— relíquias da era do Assassino Atemporal, e Leo não suportaria que os olhos de outro homem os vissem.
— Perdoe-me, Senhor Soron — murmurou baixinho, sua voz ecoando suavemente pelo vasto salão. — Sinto vergonha de esvaziar seu castelo sem sua permissão, mas realmente não vejo outra saída para esse caos.
Caminhou em direção ao grande baú no centro da sala, cuja superfície dourada refletia sua silhueta fraca enquanto continuava sob sua respiração contida.
— Sei muito bem o quanto Ixtal e este castelo significam para você… mas, infelizmente, não posso protegê-los. Então, isto é o melhor que posso fazer — afirmou, enquanto com movimentos cuidadosos começava sua tarefa— guardando cada relíquia em um anel de armazenamento especialmente preparado, tomando o máximo cuidado para não danificar nem um único item.
Pinturas que retratavam as primeiras conquistas de Soron, móveis esculpidos a partir de árvores celestiais, e lâminas cerimoniais usadas em ritos divinos— tudo era recolhido uma após a outra, manuseado com reverência silenciosa enquanto ele percorria as prateleiras vazias.
Quando terminou, a câmara de tesouros que antes transbordava de grandiosidade e história agora permanecia vazia e silenciosa, seu brilho reduzido a espaço vazio e passos ecoando no silêncio.
Porém, ao ficar no meio do salão deserto, Leo não sentiu arrependimento—pois, quando Soron retornasse, ao menos suas memórias, seu legado e tudo que ele tinha de precioso ainda existiriam, preservados seguramente pelas mãos de Leo, longe da ruína que logo se abateria sobre Ixtal.
— Hoje, não sou forte o bastante para salvar todos — prometeu. — Mas farei o melhor que puder como Líder do Seita.
Leo partiu, enquanto queimava em sua memória a impotência que sentira naquele dia, jurando tornar-se mais forte para que nunca mais se sentisse tão impotente novamente.
(Órbita do Ex-Planeta Juxta, ponto de vista de Raymond)
Já se passavam mais de trinta horas desde que Juxta virou poeira e silêncio, mas o gosto da vitória ainda teimava em permanecer na boca de Raymond.
Ele estava em sua cabine a bordo da Nave Comandante, segurando um comunicador de cristal na palma da mão enquanto relatava ao pai sobre a batalha e solicitava permissão para continuar a ofensiva.
— A ausência do tio nos dá uma oportunidade única de acabar com o Cult, pai. Se desejar, posso continuar com minha frota e destruir um planeta do Cult por dia, trazendo glória para você e para o Governo Universal — propôs, enquanto Kaelith bufava decepção do outro lado da ligação.
*Cliq*
— Você ainda tem muito a aprender comigo, Raymond, se esse é o plano que veio criar — começou Kaelith, sua voz carregada de peso, manifestando sua desaprovação ao filho.
— Talvez a perda de vidas e recursos não tenha o mesmo peso para você. Mas deixe-me lembrar quantos subordinados você perdeu ao capturar Juxta.
Centenas de milhares de naves, cada uma custando entre um milhão de MP até duzentos e cinquenta milhões, totalizando perdas na faixa de centenas de bilhões de MP.
Dentro dessas naves, mais de dez bilhões de soldados jazem mortos, outros dois bilhões estão feridos, o que significa que dos vinte bilhões de homens que você levou, cerca de sessenta por cento estão fora de ação.
E, como se tudo isso não fosse suficiente, na sua tolice final, você ainda perdeu dois subordinados de nível Monarch, ao decidir explodir o planeta Juxta, que era nosso único meio de recuperar parte das perdas financeiras causadas por essa guerra —
reganhou Kaelith, enquanto Raymond baixava a cabeça envergonhado.
— É claro que, para o Todo-Poderoso Demi-Deus Raymond, tudo isso não importa. — respondeu Kaelith. — Mas para mim, importa. Esses comandantes e homens que você leva à batalha são homens fiéis a MIM.
Ainda que operemos sob o mesmo guarda-chuva do Governo Universal, há facções dentro dele que favorecem a mim, Helmuth ou Mauriss.
E, se esses dois querem conquistar as terras do Cult como idiotas sedentos de sangue, podem fazê-lo com homens fiéis a eles.
Porém, você e seus homens ficarão fora disso — ordenou Kaelith, enquanto Raymond ouvia sua lição como uma criança mimada.
— Sabendo de Mauriss, ele já deve ter dado as ordens para invadir as terras do Cult, então vamos ver isso acontecer independentemente de você fazer ou não.
— Mas, quando Soron retornar de forma inesperada, será seus homens enfrentando a ira dele, e não nós.
Atacar as terras do Cult agora é como matar filhotes de urso enquanto a mãe não está por perto.
Embora fácil, não traz benefício concreto e só atrai uma mãe urso furiosa para nos perseguir.
Por isso, melhor seguir por um caminho inteligente: retire seus homens e concentre-se em divulgar que foi você quem matou Charles, espalhando essa mensagem na Facção Justa, fazendo parecer que foi você quem abriu as portas para a queda do Cult.
Assim, mesmo que Mauriss e Helmuth conquistem as terras do Cult depois, o crédito continuará com você— —
ordenou Kaelith. Raymond assentiu de forma submissa.
— Como orientaste, Pai Sabedor — respondeu, enquanto Kaelith desligava a ligação.