Assassino Atemporal

Capítulo 710

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, ponto de vista de Veyr)

Enquanto Leo dedicava seus esforços para realocar os membros do Cult para o Mundo Parado no Tempo, Veyr escolheu um caminho diferente.

Ele sabia o quão rápido o medo podia consumir as massas, como o pânico poderia se espalhar como fogo pela vegetação após a queda de Juxta, e como o desespero, se não controlado, poderia causar mais destruição do que as frotas Justas poderiam ever fazer.

Então, em vez de fugir, decidiu ficar para trás e atuar como um farol de estabilidade—garantindo que a esperança permanecesse e a ordem fosse preservada até que as fases de evacuação fossem concluídas.

"Senhor Dragão, você estará ao vivo em cinco segundos."

A voz do diretor do programa cortou o estúdio enquanto Veyr se endireitava, limpava a garganta e fixava o olhar na câmera, esperando o brilho vermelho aparecer.

*Brilho*

"Povo do Cult. Aqui fala seu Dragão, Aegon Veyr, direto do Planeta Tithia.

Se você consegue me ouvir, peço que pare tudo por alguns minutos e ouça com atenção minhas palavras."

Ele começou, enquanto bilhões de cabeças se erguiam nos mundos dispersos do Cult.

Em mercados lotados, acampamentos militares, nas casas sombrias dos plebeus, todos os olhos se voltaram para a imagem do jovem Dragão, e todos os ouvidos sintonizaram na voz que atravessava a ruído de fundo com clareza.

"Todos ouviram a mensagem do comandante Charles mais cedo hoje. E, caso as notícias ainda não tenham chegado até vocês, é verdade. Juxta caiu."

Ele deixou o silêncio respirar, recusando-se a disfarçar a verdade em conforto ou disfarce.

"Os covardes da Facção Justa não bombardearam apenas nossas fortalezas militares, mas também nossas cidades. Aniquilaram cada distrito, civis, artesãos, crianças, nenhum foi poupado.

E, em violação direta ao Código Universal de Guerra, destruíram o próprio planeta, reduzindo-o à ruína sem dar uma única chance de escapar para qualquer civil, enquanto assassinavam bilhões de nossos irmãos e irmãs a sangue frio."

Sua voz tremeu de raiva, também ela oscilando com a emoção, enquanto seus punhos se cerraram brevemente sobre a mesa antes de se recompor.

"E agora, devemos esperar que o mesmo destino aguarde cada mundo do Cult assim que suas frotas chegarem. É por isso que, junto com Shadow Dragon, preparei um plano."

Não é algo glorioso. Não é o que qualquer de nós deseja. Mas é necessário."

Ele respirou fundo, com o queixo firme ao pronunciar as palavras.

"Até que Lord Soron retorne, precisamos sobreviver. E sobreviver significa deixar para trás nossos mundos natais.

Não vou mentir para vocês. É doloroso falar sobre isso. Mas, sem Lord Soron para nos proteger, não podemos enfrentar sozinhos os Exércitos Justos.

Pois, mesmo tentando, perderemos tudo: nosso povo, nosso futuro, nossa identidade."

Seus olhos queimavam na câmera, seu tom firme e inabalável.

"Então, por ora, precisamos engolir a amarga pílula. Precisamos fugir para viver. E, ao fazer isso, preservaremos o Cult. Não como covardes, mas como sobreviventes, até que chegue o dia em que possamos recuperar o que é nosso."

Ele se inclinou mais perto, suas palavras afiadas e claras.

"Conforme nosso plano, alguns de vocês serão evacuados pelo Lord Shadow Dragon, levados a um reino oculto onde a Facção Justa não poderá nos alcançar. Mas esse mundo é pequeno. Seus recursos são limitados e nem todos poderão ir para lá.

Portanto, o restante deverá dispersar por planetas neutros, com os quais já garanti acordos com cinco administradores para receber nosso povo."

Sua voz ficou mais baixa, séria e grave.

"Naves de mercenários e civis desses planetas já estão a caminho de vários mundos do Cult enquanto vocês leem isto, mas não vêm por benevolência.

Eles vêm por lucro….

E o preço pela passagem segura é de dez mil MP ou bens de valor equivalente."

Ele falou, rangeu os dentes de raiva.

"Para quem puder pagar, recomendo que paguem e partam. Mas, se tiverem mais do que o suficiente, façam a sua parte e paguem adiantado. Comprem uma passagem para alguém que não possa. Não deixem seus irmãos para morrer por causa de algo tão insignificante quanto dinheiro."

"Para quem não puder pagar, não percam a esperança. Não recorra ao saque ou à violência, pois o caos só acelerará nossa queda. Peço que permaneçam calmos, organizados e se ajudem uns aos outros sempre que puderem.

Se ver uma criança chorando porque seus pais se foram, segure sua mão. Se uma família estiver perdida, ofereça espaço, mesmo que seja apertado.

Sobrevivemos não sozinho, mas juntos.

A Facção Justa adoraria nos ver nos destruindo de dentro para fora.

Mas tenho fé de que isso não acontecerá.

Este é o Culto da Ascensão.

Aqui, todos são família."

Veyr fez uma pausa, deixando suas palavras se assentarem, a leve tremedeira de emoção clara na voz enquanto sua mão se fechava com força na beira da mesa.

"Vou falar de forma direta: não vou pegar uma nave para o mundo escondido de Shadow Dragon. Esse mundo não é feito para mim. É feito para vocês, os poucos escolhidos que carregarão o futuro do Cult."

"Quanto a mim, seguirei o mesmo caminho que todos vocês. Viverei entre vocês em planetas neutros. Compartilharei suas dificuldades. Estarei ao lado de vocês até que Soron retorne."

"Não quero que me vejam como um salvador acima de vocês. Quero que me vejam como seu escudo, como seu irmão, como o homem que se recusa a deixar vocês para trás."

Ele se inclinou mais à frente, seus olhos negros intensos sob a luz do estúdio, palavras deliberadas e pesadas.

"Não deixarei Tithia até que o último membro do Cult seja evacuado. Nenhum de vocês será abandonado. Nenhum ficará para trás na fogueira."

Quando a última nave partir, quando a última mãe, criança e soldado encontrarem um lugar a bordo, aí sim, irei embora. Nunca antes."

Seu tom suavizou, embora o aço nunca tivesse saído dele.

"Vamos enfrentando essa tempestade juntos. Sobrevivendo juntos. E, um dia, quando Soron retornar e a escória da Facção Justa vacilar, nos levantaremos juntos."

Então mantenham-se firmes. Resistam com força. Não olhem para o desespero, mas para uns aos outros. Pois vocês não estão sozinhos nesta luta. Eu, o Dragão, estou com vocês. Sempre."

A luz vermelha acima da câmera ficou mais escura. A transmissão terminou, mas suas palavras ecoaram por todos os mundos do Cult, levando esperança a cada lar e coração, como uma promessa gravada na pedra.

O Dragão estava com eles…

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