
Capítulo 706
Assassino Atemporal
(Planeta Granada, ponto de vista de Mauriss)
Mauriss estava reclinado, com o queixo apoiado na mão enquanto rivéis de chuva escorriam por seus ombros nus, seus cabelos negros flutuando de forma anormal, e ele parecia completamente entediado.
Seu lábio trepidou, formando um sorriso ou uma careta indefinida, embora seus olhos permanecessem resultarivos, sem vida, fixos no horizonte distante onde Juxta outrora ardia.
Ele tinha elaborado o plano perfeito para provocar Soron.
Havia lançado a isca perfeita na forma de Raymond, e ainda assim, nada de bom aconteceu, pois no final das contas, não veio nenhuma retribuição divina.
"Nada…" sussurrou Mauriss, a língua preguiçosamente roçando seus dentes. "Nem uma faísca. Nem um tremor. Nem mesmo um dedo levantado. Seu servo amado, Charles, morreu. Seus exércitos caíram. Seu povo gritou. E mesmo assim, você não veio."
Suas palavras se confundiram em uma risada, depois se despedaçaram em silêncio enquanto a chuva atingia sua língua, sua mandíbula se cerrando como um predador que mordeu o vazio.
"Estranho. Muito estranho."
Ele virou a cabeça violentamente para um lado, os dedos se comprimindo contra a bochecha até que as unhas desenhassem linhas finas de sangue. Parecia não notar, seu olhar oscilando de um lado a outro como se estivesse perseguindo respostas que ninguém mais poderia ver.
"Isso não é coisa de você, Soron. Nada de jeito. Você passou séculos protegendo seu culto miserável, arrastando-os por uma guerra atrás da outra. Vocês se jogaram em batalhas sem esperança por causas menores. E agora? Quando os cães de Raymond profanam sua própria fortaleza-mundo, você não faz nada?"
Mauriss soltou uma risada baixa no garganta, as unhas arrastando até onde o sangue escorria, enquanto lamia-o devagar, saboreando o sabor de cobre com algo próximo de reverência.
"Não. Não, não, não… você não é do tipo de homem que fica parado enquanto sua casa pega fogo. O que indica… ou você está morto, ou está em outro lugar."
Deixou o pensamento persistir, esticando-o como uma corda tensa entre os dedos, seus olhos rodando enquanto mordia o lábio com força suficiente para abri-lo.
"Morto. Hah! Isso é feio demais. Muito decepcionante. Você não morreu quietinho assim. Se estivesse morto, Kaelith já teria dissolvido a Aliança Righteous e estaria me perseguindo para me exterminar."
Mauriss sacudiu a cabeça, murmurando consigo mesmo como se falasse com um coro que só ele podia ouvir.
"Então… sumido. Sim, sim… refinando o Metal do Origem.
Talvez esteja planejando a vingança final contra nós… Sua última cartada de vingança.
Sim, deve ser isso. Você está se curando ferimentos, não está? Quietamente. Secretamente. Bem longe, enquanto seus seguidores gritam e morrem às bilhões."
Mauriss murmurou enquanto seu sorriso retornava, largo, infantil, quase inocente, até que se partiu demais e se tornou grotesco.
"Que coisa verdadeiramente, verdadeiramente chata."
Ele se inclinou para a frente, enterrando o rosto nas mãos, o riso sacudindo seus ombros, embora sua voz se rompesse em soluços na metade, como uma criança que perdeu seu brinquedo favorito.
"Você tem ideia de quanto tempo esperei por isso, Soron? Para o grande Assassino Imortal de filho favorito voltar ao céu, lambuzado de sangue, sua aura rasgando os céus? Eu queria ver aquilo. Provar. Sentir a tempestade que sua lenda promete."
Suas mãos deslizaram pelo rosto, espalhando água da chuva misturada ao sangue até seus olhos brilharem como vidro quebrado.
"E agora… nada. Você me roubou, Soron. Você me roubou meu entretenimento. Você me roubou minha apresentação."
Seu olhar se virou abruptamente para a distância invisível da sepultura de Juxta, as pupilas dilatadas, a respiração irregular, enquanto rosnava.
"E por causa disso, o menininho de Kaelith sobrevive. O animal que ele cria, o herdeiro que ele molda, aquele que eu queria ver destruído entre você e eu. Mas não… agora ele vai viver. Vai prosperar. Tudo porque você se recusou a sair do seu buraco."
As unhas de Mauriss cravaram tão fundo nas coxas que o sangue começou a emergir por baixo delas, sua respiração parando antes de explodir em risadas histéricas, o som cortante e selvagem enquanto ecoava pelo oceano infinito.
"AAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!"
A voz dele se partiu, o riso se transformando em gritos, gritos voltando a virar risadas, até que ele se inclinou para trás na rocha, seu corpo convulsionando como se estivesse possuído. Seus cabelos se agitaram ao vento, presos na tempestade, os dentes rangendo enquanto saliva e sangue saíam de seus lábios.
"Você acha que me negou, Soron? Não. Não. Você apenas atrasou a alegria. Porque, esteja você desaparecido ou escondido, o dia vai chegar em que você sairá novamente de sua toca. E quando isso acontecer, eu estarei esperando. Ah, eu estarei esperando."
Seus olhos se arregalaram, toda aparência de calma desapareceu, suas palavras saindo em um sussurro entre respirações ofegantes.
"E quando finalmente te ver lutar, quando eu ver seu sangue, quando eu abrir suas feridas com as próprias mãos—"
Pausou, sorrindo de um jeito tão amplo que seu lábio se partiu mais, sangue escorrendo pelo queixo enquanto lambia com deleite febril.
"—vou fazer durar. Vou fazer durar anos."
A tempestade rugia por Granada, os relâmpagos rasgando os céus negros, mas Mauriss permanecia imóvel, tremendo de alegria, os ombros subindo e descendo enquanto os ecos de sua risada se misturavam à chuva.
Porém, sob a loucura, sob os gritos e convulsões, escondia-se algo muito mais perigoso que a decepção — paciência.
Pois, na sua mente distorcida e rachada, a ausência de Soron não era um fim.
Era simplesmente o atraso do maior espetáculo que Mauriss já sonhara em ver.
"Espero que volte empunhando uma lâmina de Metal do Origem, Soron, para que eu possa roubá-la do seu corpo e finalmente estar no mesmo nível de Kaelith."
Então, sim, desejo sinceramente que você tenha sucesso na sua busca, mas entenda isto — enquanto você persegue glória, eu apagarei cada pedaço de terra do Culto até não sobrar nada para você retornar…
Para que, quando enfim voltar com sua arma preciosa, não encontre celebração ou refúgio, mas apenas desespero e arrependimento aguardando por você do outro lado."
Mauriss decidiu, começando a planejar a cerimônia de boas-vindas mais brutal para Soron assim que o grande deus voltasse.