
Capítulo 705
Assassino Atemporal
(Os céus de Juxta, momentos após a batalha, ponto de vista de Raymond)
Raymond aguardava ansiosamente por Soron aparecer após a morte de Charles, cada batida do seu coração ficava mais forte, enquanto ele esperava pelo inevitável.
No entanto, para sua surpresa, os minutos passavam sem que Soron chegasse, mesmo após ele ter morto o Vice-Sectário do Culto, a vingança esperada nunca se concretizou.
'O que está acontecendo aqui? Por que Soron não vem salvar seu próprio povo?'
Questionou Raymond sombriamente, sem conseguir entender o motivo do atraso.
"Hmm... Parece que a ofensiva terrestre também chegou ao fim."
Refletiu, enquanto seus olhos percorriam o campo de batalha abaixo, onde os exércitos do Culto recuavam em massa, as forças sobreviventes correndo em direção às cidades civis, à medida que seus pontos fortes militares desmoronavam um a um.
A guerra já estava decidida—não pela inteligência, nem pela bravura, mas pelos números esmagadores.
Porém, a vitória não veio sem custo.
Mais de cento e vinte mil naves da Facção Justiça haviam sido arrancadas do céu durante o ataque, seus destroços ardentes caindo sobre o solo de Juxta como pedaços de uma estrela moribunda.
Flagrantes e fragatas se chocavam contra encostas de montanhas, escavando vales na terra, enquanto outras colidiam com os oceanos, criando ondas de fogo e vapor que se transformavam em tsunamis infernais.
Porém, como se a perda de materiais e equipamentos já não fosse suficiente, dois comandantes de Nível Monarca e sete bilhões de soldados também estavam mortos, pagando o preço máximo para conquistar este planeta poor em recursos.
Pois, mesmo na ruína, o Culto havia cobrado seu tributo... A vitória justa em Juxta não foi fácil, pois apenas com números esmagadores conseguiram realizar o impossível e capturar a Fortaleza do Culto, que resistira por mais de seis séculos.
"Filhos da puta são astutos e fortes. Tenho que admitir."
Refletiu, enquanto olhava para as planícies abaixo, que agora eram mais parecidas com cemitérios abertos, com corpos espalhados em pilhas tortas, suas sangue impregnando a terra até que o próprio chão parecesse chorar escarlate.
Perto dali, canhões destruídos e torres dilaceradas ainda fumegavam em silêncio, suas tripulações queimadas, enquanto peças de artilharia derrubadas apontavam inutilmente para um céu que não puderam proteger.
Bases militares que antes brilhavam com os estandartes do Culto agora estavam queimando como cadáveres, os telhados desmoronando, enquanto tempestades de fogo consumiam tudo, desde os refeitórios até as arenas de treinamento.
"Que bagunça..."
Refletiu Raymond, descendo lentamente através da fumaça, o ar irritante preenchendo seus pulmões, até que seus botas tocassem os destroços de uma base militar que não parecia mais nada além de cinza e ruínas.
"Meu Senhor, os sobreviventes estão recuando para áreas civis. O que devemos fazer agora?" pediu um Tenente da Facção Justiça, com a voz firme, mantendo a cabeça baixa.
*Cliq*
Raymond clicou a língua de irritação.
Ele conhecia as regras universais de guerra, sabia que a doutrina determinava que civis não deveriam ser alvo em conquistas planetárias. Mas, ali, no meio da devastação e fumaça, sua paciência com essas regras começou a fraquejar, e decidiu simplesmente ignorá-las hoje.
"Eh... que se dane este planeta de merda?" murmurou Raymond, com voz baixa e olhos sombrios. "Bombardeiem os hereges. Reduzam o planeta a escombros, não poupem ninguém."
Ordenou, enquanto o Tenente congelava, os olhos arregalados diante da ordem, percebendo que era uma violação do Código de Guerra, mas tentando suprimir a expressão assim que ela surgiu.
"Como ordenar, meu Senhor."
Respondeu, fazendo uma reverência profunda ao Semi-Deus antes de partir.
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Em pouco tempo, as ordens de Raymond foram transmitidas a todos os soldados da Facção Justiça, enquanto, lá acima, os destróieres remanescentes mudavam de formação, seus canhões apontados para baixo, abrindo fogo nas cidades civis.
*BOOOM*
*BOOOM*
*BOOOM*
Explosões varreram o horizonte, uma atrás da outra, destruindo distritos inteiros em explosões de fogo.
As ruas cheias de civis em fuga desapareceram num instante, com escritórios sendo derrubados, mercados vaporizados e casas do povo comum transformadas em cinzas derretidas, enquanto mães inocentes seguravam seus filhos nos túmulos fiéis ao fogo.
O bombardeio continuou por horas, o céu de Juxta pintado com faixas de fogo, até que não restou nada além de um casulo de pedra ensanguentado.
Durante horas, os civis suplicaram para Soron vir salvá-los.
Suplicaram para que os Dragões aparecessem.
No entanto, apesar de seus pedidos desesperados por ajuda, ninguém veio salvá-los naquele dia, pois, no final, todos foram exterminados pelos vencedores implacáveis.
O planeta que uma vez foi uma joia orgulhosa do Culto da Ascensão foi rapidamente reduzido a um caos de cidades destruídas, corpos carbonizados e crateras, até que finalmente as explosões cessaram.
Mas mesmo assim, com Soron sem aparecer, Raymond simplesmente zombou e ordenou que todo o planeta fosse disintegra-do, percebendo então que talvez Soron não estivesse nas terras do Culto.
"Talvez eu tenha sorte hoje... Talvez eu viva para ver outro dia."
Refletiu, saindo do planeta em uma nave destruidora, enquanto seus homens permaneciam para terminar o serviço.
Cerca de vinte horas depois, os engenheiros da Facção Justiça chegaram ao núcleo fundido de Juxta e o desestabilizaram, fazendo o planeta convulsionar em seus últimos momentos, com a crosta rachando e se partindo ao meio.
Continentais inteiros foram arrancados em silêncio, engolidos por fogo debaixo, enquanto montanhas desabavam nos oceanos que ferviam até virar vapor, antes também serem destruídas pelo vazio.
Momentos depois, Juxta deu sua última respiração, explodindo em uma tempestade de pedra e fogo, até que não sobrasse nada além de destroços dispersos pela escuridão, e o mundo outrora orgulhoso fosse reduzido a nada além de rocha espacial e lembrança.]