Assassino Atemporal

Capítulo 694

Assassino Atemporal

(Planeta Batuk, Ponto de Vista de Leo)

A ligação caiu, deixando Leo encarando o brilho tênue do cristal na palma da mão, com seu reflexo distorcido na sua superfície, e seu coração pulsando forte nos ouvidos, como se o mundo tivesse parado de se mover.

O silêncio que se seguiu foi mais pesado que qualquer rugido de batalha, mais denso que o estampido de guerras ou o ranger de aço, pois pressionava-o até doer a respirar.

As palavras de Charles ecoaram na sua cabeça, cada sílaba uma martelada no mesmo lugar dentro de suas costelas.

"Duzentas mil naves."

"Cinco Monarcas. Um Semi-Deus."

"Sem Soron."

A cada fragmento, algo o corroía, torcendo seu interior, até que a única coisa que ele pudesse ouvir fosse aquele pedido — "Nomeio você como vice-sectmaster. Ative o Protocolo Fantasma."

Ele fechou a mão ao redor do cristal, os cantos cortando sua palma, enquanto o peso da responsabilidade caía sobre ele, crua e imutável.

Agora ele comandava o Culto.

Precisava garantir a segurança dos bilhões de cidadãos sob seu cuidado.

"Não posso acreditar que isso realmente está acontecendo... É como se minha visão estivesse se tornando realidade,"

pensou Leo, enquanto, na sua mente, ela se desenhava novamente.

A visão que surgia quando consumiu a poção da paranoia pela primeira vez—

O céu infinito repleto de naves inimigas, bombardeando Juxta até virar cinzas.

O chão se abriu em chamas. O céu mergulhado em fumaça. E os corpos, incontáveis e sem nome, queimados vivos, suas vidas apagadas, suas histórias não contadas.

Naquela época, ele esperava que fosse apenas um pesadelo, uma brincadeira cruel da sua mente cansada.

Mas agora parecia mais uma profecia, se aproximando a cada minuto que passava.

"Juxta pode cair," Charles nunca disse isso em voz alta. Contudo, Leo sabia o que ele quis dizer.

Pois, sem Soron, era quase impossível lidar com uma dezena de inimigos desse tamanho.

"Maldição, destino... ainda não. Não assim."

Ele disse, pressionando o cristal contra a testa e sussurrando palavras que ninguém ouviria.

Mas mesmo enquanto amaldiçoava, as imagens de fogo e sepulturas permaneciam, gravadas mais fundo na sua mente, como se o próprio destino tivesse se estendido e as imprimido nele.

"Não posso desacelerar agora... A partir de agora, cada segundo é precioso.

Preciso elaborar rápido um plano de evacuação, definir prioridades sobre quem evacuar e qual carga levar."

Refletiu Leo, apesar do peso enorme em seus ombros, recusando-se a fraquejar na hora do Culto.

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(Enquanto isso, Planeta Juxta, Ponto de Vista de Charles)

*Alarmes a Tocar*

*Passos Correndo*

Depois de desligar a ligação com Leo, Charles caminhou calmamente até a arena de treinamento de Dumpy, onde encontrou o pequeno sapo espiando desconfiado pela porta.

"Que história é essa, homem de fogo? Por que todo mundo está correndo tão desesperado? Vamos ser atacados de novo?" perguntou Dumpy, enquanto Charles soltava uma risada abafada e se ajoelhava ao lado dele, com os olhos mais pesados do que de costume, soltando um suspiro profundo.

"Sim, garoto, vamos ser atacados em cerca de 11 horas e 40 minutos." respondeu, enquanto Dumpy cruzava os braços e assentia com uma confiança silenciosa.

"Então, diga ao seu pessoal para não se preocuparem, porque o Lord Dumpy está aqui.

Vou apenas salvar suas bundas frágeis como na última vez e acabar com todos esses inimigos vagabundos.

De qualquer forma, humanos inúteis não são páreo para minha genialidade!" Dumpy falou, enquanto Charles soltava uma risada suave antes de pegar a espada recém-forjada do seu inventário.

"Aqui, garoto, eu a consertei como prometido."

Disse, enquanto Dumpy pegava a lâmina reforjada com as mãos pequenas, tirando-a lentamente da bainha e examinando a lâmina com olhos treinados.

"Hmm, parece ok"

Comentou, comparando seu peso com o de sua espada sem danos e assentindo satisfeito ao perceber que ambas sentiam-se perfeitamente iguais, o equilíbrio impecável e a afiação digna de um guerreiro como ele.

"Nada mal! Com minha espada de volta, posso matar o dobro de inimigos vagabundos! Hahaha! Que venham, vou mostrar por que sou chamado o terror dos girinos!" Dumpy disse, enquanto Charles abaixava o olhar e balançava a cabeça de um lado ao outro.

"Não—"

"Dessa vez, você não estará no campo de batalha."

Negou Charles, enquanto Dumpy piscava confuso, seus olhos redondos se alargando e sua cabeça se movendo de um lado para o outro.

"Hã? O que quer dizer? Sou um guerreiro, não um espectador. Você não pode mandar Lord Dumpy ficar de fora enquanto os humanos pequenos lutam e morrem. Eu mesmo vou acabar com os inimigos, se precisar!"

Ele protestou, enquanto Charles soltava uma risada sem entusiasmo, embora por dentro se sentisse vazio.

"Aqui, pegue isso—"

Instruíu, enquanto, de dentro do bolso do casaco, tirava um envelope selado com a estampa do insígnia de Vice-Sectmaster do Culto, e o pressionava suavemente nas mãos pequenas de Dumpy.

"Você não vai ficar de fora. Está guardando algo mais importante que qualquer batalha. Uma cargueira vai partir em algumas horas, levando tesouros que Juxta não pode perder. Esta carta também estará a bordo e quero que você proteja esse cargueiro com todas as forças... e entregue essa carta a um Deus chamado Soron quando encontrá-lo."

Charles instruiu, enquanto a boca de Dumpy se abriu de surpresa.

"Guardando um cargueiro? Mas isso é chato! Sou um guerreiro, não um babá de casamento!"

Ele protestou novamente, enquanto Charles forçava uma risada mais uma vez, mas desta vez, ao olhar para Dumpy, não pôde deixar de congelar de choque.

Os olhos do monarca brilhavam suavemente, não com lágrimas que caíam, mas com o peso que só um homem que já fez as pazes com sua própria morte consegue carregar.

Pela primeira vez, Dumpy ficou pasmo, seu pequeno peito se apertando com uma estranha ansiedade, enquanto sua voz suavizava até um sussurro inocente.

"Você... está bem?"

Perguntou, enquanto Charles colocou uma mão pesada no seu ombro, sua voz baixa e sincera ao responder—

"Não... não estou. Mas se você fizer esse favor pra mim, talvez eu consiga."

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