Assassino Atemporal

Capítulo 696

Assassino Atemporal

(Planeta Juxta, Bairro Civil Civil)

A luz das telas de transmissão ainda permanecia presente em todas as casas, lojas e tavernas, o eco da voz de Charles ressoando na mente das pessoas muito tempo após a interrupção da transmissão.

O silêncio pairava no ar, pesado e inabalável, como se o planeta inteiro estivesse segurando a respiração.

Alguns estavam encostados às mesas, com a cabeça enterrada nos braços, incapazes de processar o que acabaram de ouvir.

Mães apertavam os filhos com mais força, com lábios tremendo, sussurrando orações pelo missing Soron, que estava longe demais para ouvi-las, enquanto pais encaravam as paredes de olhar vazio, apenas pensando em como sobreviver e se perguntando se ainda veriam o amanhecer?

Alguns negavam a gravidade da situação, com sua fragile sensação de realidade rejeitando a possibilidade de derrota.

Enquanto outros agiam como se toda esperança estivesse perdida, seu pessimismo fazendo-os acreditar que este seria o fim do Culto.

"Isso é besteira", resmungou um homem da sala de estar de sua casa, com as mãos tremendo enquanto acendia seu cachimbo.

"O comandante Charles deve estar exagerando. Com certeza, o Senhor Soron vai voltar na última hora, como sempre faz. Com certeza, isso não passa de uma precaução." Suas palavras receberam alguns acenos de cabeça dos familiares ao seu redor, enquanto suas cabeças desesperadas se agarravam a essa possibilidade, embora os olhos traíssem incredulidade.

"Eles tentaram nos derrotar inúmeras vezes, mas ainda estamos aqui! Com certeza, vamos vencê-los mais uma vez." zombou outro, com sua risada frágil se partindo no meio, como se o peso da negação fosse demais para suportar.

Porém, no meio da desesperança e do descrédito, ainda existiam focos de esperança obstinada. "O Dragão das Sombras vai nos salvar. É jovem, mas é feroz. Se Charles acredita nele, nós também devemos acreditar", declarou um grupo de jovens com fogo nos olhos, mesmo com as mãos tremendo e os joelhos balançando.

Mas não importava onde olhassem— nas ruas, nos bairros, nas tavernas ou na base militar— a mesma sombra de peso se estendia sobre cada rosto, uma tristeza que nenhuma palavra conseguia dissipar.

Pois, embora o Culto tivesse resistido a séculos de guerra e trevas, isso de alguma forma parecia diferente.

Dessa vez, o próprio futuro deles parecia incerto.

Dessa vez, a vitória parecia mais uma esperança passageira do que uma certeza.


Por toda a terra do Culto, a reação do povo diante do discurso de Charles foi a mesma: enquanto Juxta foi o planeta imediatamente afetado, o pânico com a renúncia do vice-líder do Culto foi sentido em todo o cosmos.

"Lord Soron não está mais nas terras do Culto? Mas por quê?"

"Eu confio no Senhor Dragão e no Senhor Dragão das Sombras. Eu os seguirei até o inferno se for preciso. Mas a renúncia do comandante Charles ainda me preocupa."

"Por que o discurso do comandante soou como um adeus? O que está acontecendo?"

"Devemos estar preocupados? Nosso planeta vai ser o próximo depois de Juxta?"

Questões como essas corriam soltas na boca de todos, enquanto se sentiam inseguros sobre como reagir a essa notícia.

Há poucos meses, todos comemoravam a captura do Planeta Nemo e falavam sobre a nova onda de domínio do Culto que finalmente começava.

Porém, agora, voltaram a se preocupar com sua própria existência, enquanto feridas de gerações passadas eram, mais uma vez, abertas.


"O que está acontecendo aqui? O que está acontecendo em Juxta? Por que Charles tão repentinamente renunciou?"

Questionou o Primeiro Ancião de forma severa, sua voz se elevando de irritação, enquanto seu auxiliar se curvava levemente diante dele e apressadamente tocava seu tablet, puxando os relatórios que começavam a chegar desde que a transmissão foi ao ar.

"Senhor, os relatos confirmam que Juxta está sob ataque iminente. A frota inimiga estimada em duzentas mil naves, lideradas por Raymond, o prodigioso filho do Soberano Eterno, com cinco comandantes de classe Monarch sob seu comando. Os alarmes do planeta foram acionados, e o comandante Charles transmitiu um anúncio em toda a cultura nomeando Leo Skyshard como líder temporário do Culto em seu lugar."

O auxiliar hesitou, seus olhos nervosamente apontando para o Ancião, que ficou congelado por um momento, com as mãos apertando os apoios do assento, antes de lentamente esconder a cabeça nas mãos.

"Não… não, não, não, não…" murmurou o Ancião, seu corpo tremendo enquanto o suor escorria pela testa. "Se Lorde Soron não está aqui, e Charles anuncia publicamente Skyshard como líder temporário, então o conselho perde toda relevância. Você não vê? Skyshard já tem dois escravos de nível Monarch ligados a ele, já conquistou o amor e a admiração das massas, e agora Charles lhe entregou a legitimidade de governar de bandeja. Isso… isso pode significar o fim da minha carreira política."

O auxiliar hesitou, sem saber bem como responder, enquanto as palavras do Ancião saíam de uma manera desesperada, mais por desespero do que por preocupação.

"Você entende o que isso significa? As pessoas não vão mais nos procurar, eles vão olhar para ele. Um menino! Um menino que ainda nem fez trinta... e eu— vou ser esquecido, descartado como todos os fósseis irrelevantes antes de mim!"

Ele bateu o punho na mesa, fazendo os átomos de cristal tremerem, seus olhos selvagens enquanto repreendia o ajudante.

"Pega uma linha para Juxta. Agora. Preciso falar com Charles diretamente. Preciso saber se ele precisa de reforços, eu preciso—"

Sua voz quebrou, a desesperança escorrendo em cada sílaba.

"Embora eu odeie aquele filho da puta, não posso deixarlo morrer. Não assim. Não agora. Quando ele é a única pessoa que mantém Skyshard sob controle.

Por mais que custe… preciso que ele esteja vivo, ouviu? Por mais que custe!"

O auxiliar se curvou novamente, com os dedos tremendo, enquanto tentava estabelecer a comunicação, enquanto o Primeiro Ancião permanecia recostado, com as palmas das mãos pressionadas contra as têmporas, consumido não pelo possível colapso de Juxta, mas pelo lento desfecho de seu próprio poder.


O Primeiro Ancião não estava sozinho em sua ânsia de estabelecer uma conexão com Juxta, pois muitos na Conselho dos Anciãos pensaram da mesma forma.

No entanto, desde que Charles já soubesse que chamar reforços para Juxta não mudaria nada, ele havia ordenado a seus subordinados rejeitar todos os voluntários para ajuda.

Ele já tinha passado do ponto de se importar, e, por isso, sempre que um subordinado se aproximava e informava sobre um pedido dos anciãos para falar…

Charles respondia com as mesmas seis palavras todas as vezes.

"Diga a ele pra se foder."

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