Assassino Atemporal

Capítulo 685

Assassino Atemporal

(Planeta Tithia, arena de treinamento privada do Primeiro Ancião, Quarenta e Cinco Dias Depois)

Um mês e meio passou voando para Leo e Veyr, que lutaram diariamente contra a paranoia e o pânico, até que, recentemente, começaram a superá-los de forma convincente.

*Cliquetar*

*Cliquetar*

As algemas ainda pesavam nos pulsos deles todas as manhãs, e a poção ainda queima na garganta toda tarde, mas o que antes os levava à beira da loucura agora parecia um cadinho pelo qual podiam passar sem tropeçar, enquanto as alucinações que costumavam rasgar suas mentes não pareciam mais ter poder sobre eles.

"Cuz, é quase engraçado," disse Veyr, com os lábios se contorcendo em um sorriso enquanto desviava de uma adaga de verdade que rugia em direção a ele, seu corpo se movendo sem hesitação.

"Isso aqui costumava me fazer gritar com sombras, agora é como se eu conseguisse sentir quais são fumaça e quais realmente podem partir minhas costelas."

Orgulhoso, ele se gabava, enquanto Leo riu em resposta.

"Não há motivo para comemorar, ainda tropeças em vinte por cento dos ataques," lembrou Leo, com a voz plana, permanecendo completamente imóvel enquanto outra adaga cortava o ar, desaparecendo a um suspiro de tocar nele.

Ao contrário de Veyr, que ainda examinava cada ataque com uma leve dúvida, os olhos de Leo nem sequer se estreitaram, sua respiração nunca mudou, enquanto o leve zumbido de seus instintos o guiava com uma certeza que não deixava espaço para dúvidas, como se seu corpo fosse um vaso que reagia antes mesmo de sua mente tentar calcular.

"Você está em oitenta por cento, enquanto eu estou bem perto da maestria.

Se quiser minha opinião, a única coisa que precisa para dar o passo final é parar de duvidar de si mesmo, pois até você deixar de pensar como um espadachim e começar a confiar como uma besta, vai sempre vacilar na hora errada," acrescentou Leo, com a voz tranquila, mas cortante.

"Tch, logo chego lá, Cuz, não me descarte ainda," murmurou Veyr, embora o sorriso permanecesse, o suor escorrendo pelo rosto enquanto se estabilizava, claramente relutante em admitir a distância entre eles, mesmo sabendo que ela existia.

Durante toda essa conversa, o Primeiro Ancião observava à margem, com aquele sorriso vazio de sempre, com as mãos cruzadas atrás das costas, sua expressão aparentemente neutra, exceto pelo leve brilho de satisfação em seus olhos.

"Vocês dois evoluíram bastante, Skyshard mais do que Veyr, mas nunca esperei que algum de vocês dominasse essa técnica em menos de dois meses… Quando ensinei isso ao Noah, foi preciso seis meses para o mesmo," disse o Primeiro Ancião, de repente lançando alguns punhais pelo cômodo, um real e um falso, como esperava, Leo nem sequer recuou com o ataque, enquanto Veyr ajustou o peso do corpo a tempo de evitar o real, que se enterrara na areia aos seus pés.

"Entende?" continuou o Ancião, com tom severo e cheio de aprovação.

"Executei esse ataque com a força de um Grande-Mestre, e qualquer guerreiro iniciante teria sido perfurado facilmente.

Porém, você evitou sem velocidade ou reflexo excepcionais, apenas com instintos, mesmo tendo sua força reprimida ao nível de iniciante.

Isso prova que, embora um guerreiro possa dominar cem técnicas, se seus instintos o traírem, ele morre antes que alguma delas possa salvá-lo.

Então entenda: o que você construiu aqui não é só uma habilidade, é sobrevivência em si, e sobrevivência é a única moeda que faz sentido quando o universo tenta apagar você."

O Primeiro Ancião explicou, enquanto Leo fechava brevemente os olhos, sentindo o zumbido calmo de seu corpo respondendo em harmonia com o perigo.

'Ele tem razão. Essa técnica é uma vantagem ilegítima. Embora não seja útil especificamente para ataque ou defesa, ainda é inestimável como uma defesa passiva.'

Leo pensou, e na hora em que abriu os olhos novamente, sentiu todos os efeitos remanentes da poção de paranoia desaparecerem, mesmo tendo bebido há poucos minutos.

*Suspiro*

Ao mesmo tempo, Veyr soltou um longo suspiro, passando as costas do pulso pela testa enquanto murmurava baixinho: "Acho que agora é impossível se aproximar de qualquer um de nós sem ser detectado, né?"

"Não é impossível," corrigiu Leo, com a voz firme como uma rocha, "apenas muito improvável."

E assim, o treinamento continuou, punhais voando, instintos se afiadando, e ao final do dia, Leo finalmente concluiu sua parte do treinamento e alcançou a maestria em [Sexto Sentido].

Agora a habilidade virou uma nova passiva para ele.

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(Enquanto isso, Raymond)

Na mesma época em que Leo e Veyr evoluíram, Raymond também evoluía. Após quarenta e cinco dias lutando contra Kaelith, sentiu seus instintos mais aguçados do que nunca, pois, embora seu corpo ainda fosse lento demais para escapar da maioria dos ataques, e sua lâmina ainda muito pesada para abrir brechas contra seu pai, pelo menos, já conseguia perceber a tempestade se formando antes que ela atingisse.

Cada golpe agora gerava uma ondulação no ar, cada distorção dimensional dobrava o espaço ligeiramente fora do alinhamento antes de o golpe chegar, e embora a velocidade de Kaelith permanecesse imbatível, os olhos de Raymond deixaram de perseguir sombras em vão, começando a identificar padrões escondidos no caos.

'Consigo enxergar… a rachadura no espaço, a curva no passo dele, o instante antes do golpe…' pensou Raymond, enquanto o braço se levantava tarde demais, mas ainda assim se levantava, sua lâmina tocando na palma de Kaelith e suavizando o impacto, embora a força ainda o empurrasse para trás, suas costelas gemendo ao bater com força suficiente para tremer seus dentes.

*Impacto*

*Respiro curto*

Ele se levantou, com o ar ofegante, as pernas tremendo, porém os olhos ardendo com uma luz que não estava lá no começo.

Kaelith não recuou, seu corpo se contorcendo entre fragmentos refletidos do espaço, cada movimento uma lição de inevitabilidade, cada golpe um eco de maestria que Raymond ainda não conseguia alcançar. Mas não importava quantas vezes caísse, ou quantas feridas queimassem sua pele, ele se levantava novamente, guiado não pela esperança de vitória, mas pela certeza de que seus instintos finalmente estavam despertando.

'Ainda estou lento demais, fraco demais, levemente abaixo dele… mas agora consigo enxergar.'

O pensamento o sustentou na dor, enquanto hematomas cobriam seu corpo e sua força nas mãos tremia na arma, mas sua intenção de batalha, afiando-se dia após dia sob a mão implacável de Kaelith, permanecia mais firme do que nunca.

'Provavelmente ainda não conseguirei ficar firme contra meu tio, mas, pelo menos, agora poderei bloquear um ou dois ataques antes de morrer.'

'Tenho exatamente 100 dias até o prazo de Mauriss para atacar o Culto, mas se continuar evoluindo nesse ritmo, conseguirei segurar meu tio por pelo menos 10 minutos antes que ele me sobrecarregue…'

pensou Raymond, enquanto, por ora, sobreviver por 10 minutos era a única meta que perseguia.

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