
Capítulo 662
Assassino Atemporal
(Planeta Nemo, Consequências)
Logo após a guerra, o clima dentro do Exército Dragão era de uma dualidade estranha — de alegria, porque tinham vencido, mas de melancolia, pois essa vitória não veio sem custos.
As trincheiras, que horas antes estavam repletas de gritos desesperados e aço batendo, agora ecoavam com comemorações pela sobrevivência.
Os soldados exaustos se abraçavam, risadas escapando de lábios rachados ao perceberem que ainda veriam outro dia.
Porém, a cada grito de vitória, uma lágrima se escondia logo atrás, pois muitos de seus irmãos e irmãs não haviam saído do lamaçal.
*CRACKLE*
*POPP*
Fogo ardia por todo o campo de batalha destruído, projetando sombras funestas sobre fileiras de corpos sendo cuidadosamente retirados.
Alguns estavam cobertos com mantos, outros com as bandeiras rasgadas que carregavam, seus rostos já pálidos sob a luz das chamas.
Sobreviventes estavam ajoelhados ao lado deles, cabeças baixas em silêncio, murmurando nomes e orações, como se agarrar à memória fosse a última honra que podiam oferecer.
"AGNÓRAMOS FICAMOS FORTES, MEUS HOMENS! ORGULHO DE VOCÊS!" gritou um comandante de Legião, com a voz áspera mas firme, erguidos sua lança enferrujada acima da cabeça.
Uma salva de aplausos desordeira se seguiu, contudo, sua expressão não se iluminou — seus olhos já estavam baixos, voltados às listas de mortos que precisariam ser registradas naquela noite.
Enquanto isso, Veyr estava de pé numa elevação de escombros, sua espada fincada na terra ao seu lado, o peito subindo e descendo em respiracões constantes.
Ao seu redor, soldados gritavam seu nome, entoando "Dragão, Dragão, Dragão", suas vozes ressoando com entusiasmo, enquanto ele levantava o punho em sinal de reconhecimento. Mas, ao olhar para as fileiras de corpos sendo levados em maca, seu sorriso desapareceu, substituído por um peso solene que só ele carregava.
Perto dali, Leo limpava suas adagas, embora o sangue insistisse em permanecer no aço, manchando mais do que sumindo.
As vozes de "Dragão das Sombras" também o acompanhavam, homens e mulheres o celebrando como uma lenda viva. Mas Leo não se importava com isso.
Ele apenas aplaudia junto, apontando na direção de Veyr ao longe, lembrando-os de quem era o exército deles e a quem deveriam agradecer.
Enquanto isso, Viper e Su Pei já tinham se retirado para suas cabines privadas. Os dois, sem interesse algum em aparições públicas agora que seu papel na guerra tinha acabado.
Ao mesmo tempo, os Engenheiros do Culto começaram a trabalhar dobrado para acelerar a fortificação do planeta, garantindo que uma nova investida do Clã Yu nunca mais acontecesse.
Por fim, ao cair da noite, o exército acendeu piras não só para cozinhar ou se aquecer, mas também para queimar os mortos.
Alguns choravam abertamente, outros erguiam taças em brindes trêmulos, mas todos compartilhavam a mesma verdade: tinham sobrevivido porque seus camaradas deram tudo de si.
Sobrevivemos, porque nossos companheiros sacrificaram seus sonhos e ambições por nós.
E, por isso mesmo, era agora sua responsabilidade levá-los adiante.
Hoje, o Exército Dragão resistiu.
Hoje, o Exército Dragão defendeu com sucesso o planeta Nemo.
Porém, amanhã, precisariam avançar novamente, pois o que os mortos mais queriam ver era o Culto revivido com toda a sua antiga glória.
E o dragão governando o universo.
—----------
*Bzzt* *Bzzt*
*Bzzt* *Bzzt*
Uma pedra de cristal vibrava, enquanto um Tenente corria em direção a Leo com a mão estendida, apresentando a pedra para ele.
"É uma ligação do Juxta, Senhor Dragão Sombrio. Acho que é para você—"
Disse o Tenente enquanto Leo aceitava a pedra e canalizava mana nela para estabelecer a conexão.
*Blip*
Do outro lado, estava Charles com o rosto sujo de lama e viscosidade, olhando para Leo com sobrancelha levantada.
"Garoto, por que você não está correndo de volta para Juxta? Pensei que tinha deixado claro que precisava de ajuda quando enviei aquele SOS," advertiu Charles, enquanto Leo negava com a cabeça.
"De que adianta se eu precisar voltar para te tirar dessa?”
Além disso, eu tinha problemas meus para resolver." disse Leo, girando a pedra para mostrar a Charles o destruição ao seu redor.
"O Clã Yu nos atacou poucas horas depois de capturarmos Nemo. Foi uma batalha sangrenta e uma vitória difícil de conquistar." disse Leo, enquanto Charles soltava um suspiro profundo e assentia, compreendendo.
"Aqui também foi tenso. Mas consegui lidar com isso. Então, se você ainda não está a caminho de casa, pode relaxar alguns dias antes de voltar." disse Charles, esboçando um pequeno sorriso que Leo imediatamente retribuiu.
"Pois é, preciso de um tempo pra voltar. Temos que ficar atentos até que a defesa planetária esteja completa.
Depois, há uma negociação de reféns com o Clã Yu, já que estamos retendo cerca de 7 milhões deles." disse Leo. "Deve levar pelo menos um mês para resolver tudo isso, mas vou tentar retornar antes disso." acrescentou, enquanto Charles assentia antes de colocar um cigarro na boca.
*Bzzt*
*Luz*
"Sabe, garoto..." Charles disse enquanto exalava uma baforada de fumaça.
"Hoje, teve alguns momentos em que não tinha certeza se iria viver ou morrer.
Para minha surpresa, você foi a única pessoa em quem pensei ao me despedir.
Então, caso um dia eu não possa te dizer isso..."
Até logo." Charles falou, sua expressão suavizando por um instante antes de voltar ao seu ar de calma habitual.
Para um monarca como ele, era incomum demonstrar tanto cuidado com alguém.
E por isso, mesmo sem dizer muitas palavras, Leo entendeu as implicações ocultas atrás daquelas palavras.
Se Charles chegou a dizer tudo aquilo, Leo sabia o quanto aquilo era importante, e ficou grato por isso.
"Pois é, velho, não vai me encontrar assim tão cedo, ainda tenho que te superar antes que você possa..." disse Leo, com os olhos um pouco marejados, desviando o olhar da pedra de cristal.
"Vamos lá, filho, a gente sabe que você não consegue me superar nesta vida."
Pelo menos, mantenha suas expectativas realistas." brincou Charles, e ambos caíram na risada, aliviando o clima emocional entre eles.