
Capítulo 661
Assassino Atemporal
(No solo de Nemo, ponto de vista de Leo e Veyr)
Depois de uma hora desde que os transportadores do Clã Yu desembarcara, tanto Leo quanto Veyr estavam encharcados de sangue, do cabeça aos pés, suas corpos cobertos pela lama escura de carne e vísceras, como se o próprio campo de batalha tivesse escolhido marcá-los como seus ceifadores prediletos.
*Gume atravessando*
*Gume atravessando*
*Ching*
A cada golpe da lâmina de Veyr, uma parede de soldados se abria, seus golpes maciços atravessando escudo e carne com igual brutalidade, enquanto as adagas de Leo dançavam em arcos impiedosos, cada corte mirando artérias, articulações e gargantas, seus movimentos tão eficientes que parecia que ele estava esculpindo a morte do próprio monte de corpos inimigos.
[Mundo Espelho]
[Travessia de Raios de Tempestade]
[Milhares de Golpes de Fantasma]
Leo liberava seu arsenal sem restrições, seu corpo se dividindo em cem cópias idênticas, cada uma não apenas imitando seus movimentos, mas também desencadeando golpes próprios.
Num piscar de olhos, o campo de batalha foi inundado por uma tempestade de golpes, o próprio ar sendo dilacerado pela fúria combinada de seu verdadeiro eu e de sua legião espelhada.
*GRAU*
*GRAU*
*Gurk*
Centenas de inimigos caíam a cada batida do coração, suas linhas sendo rasgadas como se tivessem entrado na boca de uma fera feita de lâminas.
Nem uma parede de escudos resistia, nenhuma formação se sustentava, pois o exército de clones de Leo os atravessava por todos os lados ao mesmo tempo.
'Eu nunca teria conseguido isso como Grande Mestre', pensou Leo, enquanto analisava quanto mana gastava a cada segundo que passava.
'Atualmente tenho sete habilidades ativadas ao mesmo tempo, além de cem clones puxando minha mana.
Como Grande Mestre, isso teria me incapacitado, mas agora… como um Transcendente, consigo sustentar tudo ao mesmo tempo, e meu corpo não se quebra.'
Leo percebeu, enquanto a compreensão só o incentivava a se superar ainda mais.
Naquele momento, ele não tinha ideia do quão forte era realmente.
Ou quais eram seus limites, e por isso, achava que hoje era um bom dia para testar tudo isso.
'Como um Transcendente… posso enfrentar um exército sozinho. É como se eu fosse um exército ambulante.'
Concluiu, pois, embora não estivesse sozinho, sabia no fundo do coração que podia fazer isso mesmo sem Veyr protegendo suas costas.
Embora, nesse caso, ele ficaria um pouco mais lento.
"Veyr, vamos terminar logo isso e juntar-se aos nossos homens nas trincheiras."
Ordenou Leo, enquanto Veyr assentia e acelerava seu ritmo, e juntos, os dois massacraram uma legião inteira.
Porém, mesmo feliz por perceber que, com seu poder atual, ele era como um exército andando por si só, Leo não conseguia deixar de se perguntar quão forte poderia ficar se dominasse o [Manual de Supressão do Imperador].
Pois, se conseguisse, não apenas poderia derrotar legiões inteiras de inimigos sem precisar empunhar uma espada.
Mas também, seu domínio sobre aura o tornaria ainda mais formidável contra adversários de tier mais elevado.
"Algum dia no futuro… vou experimentar esse poder também—"
Prometeu Leo a si mesmo, enquanto seu coração acelerava ao imaginar um poder capaz de abalar universos, ao seu alcance algum dia.
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Com Yu Day fugindo como um covarde, Viper e Su Pei retornaram para lutar ombro a ombro com o Exército de Dragões nos campos de batalha, suas chegadas mudando completamente o rumo da guerra.
Em apenas seis horas depois da fuga de Yu Day, a dupla passou de campo em campo pelo planeta, massacrando milhões de soldados do Clã Yu e ajudando o Exército de Dragões a conquistar a superioridade, até que, ao final, a vitória parecia quase garantida para o Culto.
Mas a batalha não foi vencida apenas por sua força.
Pois toda vez que Viper abrisse uma brecha nas formações inimigas, eram os soldados comuns do Cult que avançavam por ela, lanças e lâminas perfurando com determinação sombria.
Ou toda vez que a guarda inabalável de Su Pei impedisse um avanço inimigo, eram os Comandantes de Legião que mobilizavam seus homens para manter a linha, recusando-se a recuar sequer um centímetro.
A vitória do Culto foi conquistada tanto pelos seus soldados comuns quanto pelos seus Monarcas, pois foram eles que aproveitaram ao máximo os aberturas criadas por seus líderes, mostrando coragem e resistência muito além do cansaço, com seus gritos de batalha ecoando pelas trincheiras enquanto transformavam vantagem em vitória.
*TRUMM*
*BOOOM*
De passo em passo, linha por linha, o Clã Yu recuava cada vez mais.
Os invasores tentavam desesperadamente se reagruparem, mas a cada carga frustrada sua moral se fragmentava mais, até que suas formações desabaram sob o ataque implacável do Culto.
Quando a noite caiu, aquilo que começou como uma luta desesperada virou uma derrota em massa. Os soldados de Yu largaram suas armas em rendição, outros tiveram uma fuga de pânico, suas bandeiras pisoteadas na lama enquanto o Exército de Dragões avançava.
Foi uma batalha dura, que encheu o solo de Nemo de sangue e fogo, mas, no fim, não havia dúvidas —
O Culto defendeu Nemo, não apenas por causa dos Dragões e Monarcas, mas pelo coração que cada soldado comum demonstrou hoje.
Homens que, há um ano, eram apenas agricultores, que nunca tinham entrado em batalha antes, agora estavam com armaduras rachadas e mãos ensanguentadas, gritando vitórias na noite.
Comandantes de Legião levantaram suas bandeiras altas, sujos de sangue, mas inabaláveis, enquanto os Tenentes davam ordens para reunir os feridos e segurar os inimigos que se rendiam.
O ar ainda carregava cheiro de fumaça e ferro, mas, pela primeira vez desde o começo da batalha, também carregava o som inconfundível de triunfo.
Hoje, Nemo não caiu—sobreviveu, e ao resistir, provou que o Exército de Dragões não era mais um grupo de civis desorganizados.
Agora, era uma força de guerra de verdade, capaz de se manter na batalha.