Assassino Atemporal

Capítulo 644

Assassino Atemporal

(Planeta Juxta, ponto de vista de Charles)

Ao mesmo tempo, enquanto Leo e Veyr lutavam no Planeta Nemo, uma situação tensa começava a se formar na Terra, em Juxta, quando de repente o céu fora do planeta começou a mostrar uma movimentação sem precedentes de tropas, com milhares de naves de ataque inimigas aglomeradas no céu.

"Todos ao combate! Acionem os alarmes!"

"Todos ao combate, ataque inimigo iminente!"

Os soldados do Cult gritaram, suas vozes ecoando pela base enquanto sirenes rosnavam, o som forte o suficiente para tremer vidros na cidade.

*Sinos de Alarme*

*Oficiais dando ordens em meio à confusão*

Charles estava sentado nos degraus ao lado do posto de comando, com um cigarro pendurado preguiçosamente nos lábios, olhando distraidamente para o céu acima.

Acima, a escuridão do espaço cintilava suavemente, iluminada pelas silhuetas de inúmeras naves inimigas que agora cobriam as estrelas, e ele não conseguiu segurar um sorriso diante da audácia deles ao tentarem atacar Juxta.

'Filhos-da-puta….'

Pensou, enquanto exalava uma fumaça lentamente, completamente indiferente ao pânico que começava a se espalhar ao seu redor.

Com Soron fora do Cult e o Exército do Dragão conquistando Nemo, ele agora estava por sua conta própria.

E, após avaliar a situação, percebeu que não havia muito que pudesse fazer contra esse ataque inimigo inesperado, além de tentar frustrá-lo com toda a sua força.

"Envie um SOS," disse calmamente a um tenente à sua frente, que anotou suas palavras com atenção sincera.

"Não é tão sério assim, filho, só avise ao Leo e ao Veyr que Juxta está sendo atacada…"

Instruiu, enquanto apagava o cigarro contra a grades de aço, deixando a brasa apagar-se com um som de chiado.

*Estalo*

*Estalo*

Estalando o pescoço, Charles se levantou, com suas botas pesadas contra a passarela de metal enquanto começava a caminhar pela base em pânico.

Ao seu redor, os soldados se posicionavam com eficiência treinada.

Bombas de mana eram distribuídas dos armazéns, equipes de artilharia corriam para suas posições, e comandantes de batalhão gritavam ordens em comunicadores, suas vozes mal segurando a onda de medo crescente.

Juxta já havia visto muitos reforços militares no céu ao longo dos anos, mas isso definitivamente era o maior ataque que haviam sofrido nos últimos 400 anos, pelo menos.

*RUMMMMM*

*GRRRRR*

O som das matrices antiaéreas ativando preenchia a base militar, enquanto torres de canhões de cristal se voltavam para o céu cheio de nuvens de balões antiaéreos inimigos.

Enquanto isso, nos bairros civis, persianas batiam com força ao serem fechadas com estrondo metálico.

Comerciantes apressados rolavam grades de ferro sobre suas lojas, enquanto mães puxavam suas crianças para dentro de casas, travas deslizando no lugar, e orações começando a ser sussurradas em tons baixos.

As ruas que horas antes fervilhavam de comércio e risadas estavam agora vazias, silenciosas, exceto pelos tremores de botas marchando ao longe.

A atmosfera era sufocante—um planeta inteiro prendendo a respiração, esperando que a tempestade finalmente explodisse.

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(Ponto de vista de Entrail)

Da segurança da órbita, o comandante Entrail permanecia de mãos cruzadas atrás das costas, com suas botas polidas refletindo as luzes do painel de comando.

Na frente, a tela de exibição mostrava o Planeta Juxta em toda sua beleza azul-esverdeada, com o céu já cheio de balões-minas antiaéreas que o inimigo havia colocado.

"Comandante Streak," disse ele com suavidade, seu tom cortês impecável ao virar-se para seu colega silencioso, que estudava uma tábua tática.

"Seguindo as ordens de Lord Mauriss, vamos esperar fora do céu de Juxta por uma hora, e ver se Soron sai para ameaçar a gente."

"Se ele interferir aqui, devemos recuar, mas se não aparecer, podemos atacar—"

ele lembrou, enquanto Streak apenas acenava de forma tranquila.

Assim como os civis de Juxta rezavam para que seu lado vencesse na luta, Entrail e Streak também rezavam, embora por uma causa diferente: suas orações eram para que Soron não aparecesse.

*tic* *tac*

À medida que os minutos passavam lentamente, o silêncio do espaço parecia mais alto que um trovão para eles, que não conseguiam mais esperar a hora completa.

Toda a frota universal ao redor da nave central mantinha sua posição como uma lâmina pressionada pouco acima da garganta do inimigo, enquanto dezenas de milhares de Destroyers deslocavam-se em formação disciplinada, suas armas preparadas e seus motores zumbindo fracamente, como se estivessem impacientes para que o massacre comece.

"Então, o que você acha... será que o Soron aparece?" finalmente perguntou Entrail, com os olhos brilhando de curiosidade enquanto se virava um pouco para seu colega.

Streak levantou o olhar da tábua tática, com uma expressão indetectável, e deu um simples encolher de ombros. "Bem, até agora ele não apareceu. Então…"

Entrail deu uma risadinha baixinha, o sorriso se ampliando ao olhar para seu relógio, notando com satisfação que já se tinham passado vinte e cinco minutos dos sessenta previstos.

Por mais que cada tique do relógio parecesse um tambor batendo rumo à inevitabilidade, a ausência de Soron deixava-o animado.

"Se ele não aparecer... quer apostar quanto tempo leva para a gente destruirmos o escudo de mana de Juxta?" perguntou Entrail, com uma voz brincalhona, como um cavalheiro fazendo apostas enquanto bebe vinho.

Porém, Streak demorou a responder, seu olhar voltando para a exibição do sistema de defesa de Juxta, enquanto fazia alguns cálculos mentais.

"Com nosso poder de fogo, diria com cautela... três horas."

ele apostou, enquanto o sorriso de Entrail se tornava mais afiado.

"Três? Ah, meu caro colega, você me machucou com tanta cautela. Vou aceitar a aposta de menos de duas horas, obrigado."

entrou ele, enquanto Streak o olhava com uma expressão neutra, mas levantava a mão em sinal de acordo, e os dois comandantes entrelaçaram os braços brevemente, selando a aposta em silêncio na cabine de comando.

*Bata*

Após fazer a aposta, Entrail voltou sua atenção para a tela, com postura impaciente, seus lábios se contorcendo—a imaginar o caos que logo iria acontecer.

"Sabem, é isso que eu amo na guerra. Para a maioria, é terror e destruição. Mas para homens como nós? É arte. Uma disputa de inteligência, aço e fogo, pintada no vasto cenário das estrelas."

Disse ele, enquanto os minutos passavam, a mão do relógio avançando lentamente, e Soron ainda não aparecia.

"Todas as unidades em formação, aguardando ordens do comandante."

Disseram seus homens, assim que o horário de uma hora se esgotou, e Entrail riu como um louco.

No final, o lendário deus não apareceu para detê-los naquele dia, e assim seu ataque pôde continuar.

"Transmita a todas as naves," ordenou Entrail, sua voz uma linha de seda puxada com firmeza.

"Preparem-se para abrir fogo."

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