
Capítulo 581
Assassino Atemporal
(Uma cela de contenção desconhecida, Ponto de Vista do Vigésimo Segundo Ancião)
*Gemido*
O Vigésimo Segundo Ancião gemeu ao recuperar a consciência, sua cabeça pesando como se estivesse carregada de ferro derretido.
Suas pálpebras tremularam ao se abrir, e a primeira coisa que viu foi a única lâmpada oscilando acima dele, sua luz tênue projetando sombras longas nas paredes de pedra úmida da cela.
*Gotejo*
*Gotejo*
A água caía lentamente do teto, cada gota ecoando de forma aguda no silêncio sufocante, foi só então que ele percebeu que não conseguia se mover.
Cordas grossas o amarravam a uma cadeira de aço, cortando seus pulsos e tornozelos, o frio da armação metálica cavando em suas costas.
*Puxar* * Ranger*
Ele puxou uma, duas vezes, mas os nós não se soltaram, e o som de suas próprias amarras rangendo aumentava a sensação de confinamento.
Ele levantou a cabeça, vasculhando a cela.
Para descobrir que não havia janelas, rachaduras ou qualquer outra saída além dessas paredes lisas e uma porta reforçada, trancada a chave.
Por todos os meios, ele estava numa cela de prisão, onde nenhum civil comum conseguiria alcançar facilmente.
"Que diabos..." — Murmurou, antes de seus olhos finalmente se fixarem nas quatro figuras sentadas na sua frente.
Mu Fan estava com as mãos cruzadas, postura rígida, evitando ativamente olhar em seus olhos.
Ao lado dela, Su Pei permanecia totalmente imóvel, com o rosto completamente impassível, como se fosse uma escultura de pedra.
Mais abaixo, Viper encostou-se casualmente para trás, sua máscara branca brilhando levemente na luz da lâmpada, sua presença calma de alguma forma mais inquietante do que a cela em si.
E, finalmente, no centro, enquadrado por todos eles, estava Leo, o Dragão das Sombras.
Leo estava sentado ereto, com os olhos fixos no Ancião, olhando-o com ódio puro que emanava de seus olhos, embora o ancião narcisista não percebesse isso por enquanto.
"Você está completamente louco, Skyshard?" — O Vigésimo Segundo Ancião exclamou, sua voz retumbando contra as paredes de pedra, mais alta que o gotejar da água, mais alta que o rangido de suas correntes.
"Qual é o significado disso... Me libertem agora!" — Ele exclamou com a mandíbula cerrada, enquanto a raiva começava a crescer no peito.
*Puxar* *Arranhar*
Ele puxou com força contra seus grilhões, a cadeira rangendo ao arrastar pelo chão, enquanto lançava um olhar ardente a Leo, como se sua indignação sozinha fosse suficiente para destruir essa traição.
Mas a sala permaneceu silenciosa.
Ninguém respondeu.
Nem Mu Fan, que abaixou ainda mais os olhos na sombra. Nem Su Pei, que permanecia imóvel, como uma estátua. Nem Viper, cuja calma sob a máscara era impenetrável. E nem mesmo Leo, cujo olhar sozinho pesava mais no Ancião do que as próprias cordas que o prendiam.
Por dois minutos completos, ninguém falou, enquanto o Vigésimo Segundo Ancião lutava contra seus grilhões e uivava como um cão para que todos o libertassem, a não ser que desejassem sofrer as consequências. Apesar de suas ameaças, nenhum deles se mexeu.
"Você sabe... você realmente é uma obra de arte, Vigésimo Segundo." — Leo disse finalmente, levantando-se de sua cadeira e caminhando até o Ancião, antes de agachar-se bem à sua frente.
"Todos nós nos perguntávamos como você iria reagir depois de acordar... se iria ficar assustado? Se sentiria remorso? Ou entraria em choque e começaria a hiperventilar."
Porém, nenhum de nós previu que você acordaria com esse tipo de raiva moralista...
Parabéns, você colocou o padrão ainda mais baixo do que todos esperávamos." — Leo falou com tom neutro, enquanto via a expressão confusa no rosto do Vigésimo Segundo Ancião.
"Do que você está falando, Skyshard? Já aviso agora! A menos que me deixe ir nesta hora, as coisas não vão terminar bem para você!
Sou um Ancião pertencente ao Conselho!
Se você tocar um dedo em mim, mesmo sendo o Dragão das Sombras, será julgado por alta traição!" — O Vigésimo Segundo Ancião ameaçou, enquanto Leo soltava uma risada divertida.
"Ha—"
"Hahahaha!"
Leo riu, virou-se e olhou nos olhos de Dupravel e Su Pei, perguntando-se se aqueles dois poderiam realmente acreditar no que estavam ouvindo, antes de se virar e aplicar uma forte bofetada na face do Vigésimo Segundo Ancião.
*PAA!*
A pancada ecoou na cela, aguda e implacável, fazendo a cabeça do Ancião virar de lado.
Seu cabelo preto espalhado, e uma marca vermelha brilhante floresceu em sua face, cada dedo perfeitamente marcado na pele.
Por um momento, ele congelou... boca aberta, sem conseguir pronunciar palavras, sua respiração presa na garganta.
Depois, lentamente, virou a cabeça de volta para Leo, com olhos arregalados de choque, como se fosse incapaz de compreender que alguém ousou bater nele.
Neste momento, a fúria orgulhosa que, normalmente, ardia em seu olhar vacilou, substituída por uma vergonha crua, enquanto sua falsa sensação de autoridade se desmanchava sob o peso daquele golpe único.
As cordas em seus pulsos tremeram ao ele se mover levemente, mas sua arrogância habitual vacilou, deixando apenas o silêncio em seu lugar.
"Aqui, eu tive a audácia de te bater. Vá fazer o seu pior.
Estou esperando.
Me provoque!
Vamos lá!
Faça-me sofrer as piores consequências!
VENHA!" — Leo instou, aproximando-se lentamente, até mesmo inclinando a bochecha para oferecer um golpe livre, sabendo que a outra parte não conseguiria reagir.
"Eu—E-que," — o Vigésimo Segundo Ancião tropeçou, incapaz de formar uma frase coerente, ao ver pela primeira vez desde que abriu os olhos o ódio nos olhos de Leo, e perceber a loucura que se escondia por trás daquela expressão.
Sua garganta pulsava enquanto tentava engolir, mas as palavras saíam todas quebradas e fracas, desprovidas da confiança que normalmente usava como armadura.
A chama em seus olhos se apagou lentamente, enquanto o peso esmagador da situação pressionava, e só agora o silêncio na sala parecia sufocante, pois nenhum guarda entrou correndo, nenhuma autoridade o apoiava, e nenhum título protegia-o da fúria bruta no olhar de Leo.
Ele tentou manter o olhar de Leo, mas quanto mais olhava, mais seu interior se torcia, pois não havia misericórdia ali, nem contenção, apenas um predador com as presas expostas esperando devorá-lo.
"Você... você não ousaria..." — murmurou, embora as palavras já não carregassem o comando de outrora, mas o eco trêmulo de negação.
Leo se inclinou ainda mais para frente, com a voz baixa, quase um sussurro, mas mais assustadora que qualquer rugido. "Não ouso? Você acha que esta sala, este momento, esta reunião ainda acontece na sua pequena câmara do conselho? Que seu poder se estende aqui? Não, Ancião. Aqui, só existe eu... você e seus crimes."
O peito do Ancião subia e descia rapidamente, sua respiração acelerada, cada inspiração superficial, suor começando a brotar na têmpora, mesmo com o frio do ar úmido.
A mente dele girava desesperadamente procurando uma solução para essa situação, mas sem seus guardas e sem sua segurança no título, percebeu que não podia fazer muito sozinho.
Especialmente quando nem mesmo conseguia mover um músculo ou circular mana.
"Crimes... Quais crimes?" — ele disse, tentando fingir inocência, mas ninguém parecia gostar de suas palavras.
"É uma armação! Um mal-entendido!" — ele argumentou, mas Leo continuava fixo no seu olhar, sem vacilar, só então percebendo a verdadeira extensão de seu calvário.
Nesse instante, enquanto seus pensamentos frenéticos retornavam às lembranças de Luke e dos crimes que tinha cometido contra a Família Skyshard, a verdade finalmente se revelou, e o terror que florescia em seu peito não podia mais ser escondido.
A máscara de orgulho que usava se quebrou completamente, seus ombros encolheram, seus olhos arregalaram em pânico vazio, como um presa que acabara de entender por que o predador a escolheu.
E, ao ver essa centelha de medo finalmente surgir, os lábios de Leo se curvaram em um sorriso frio e satisfeito, pois sua presa tinha finalmente compreendido o motivo de seu cativeiro.