Assassino Atemporal

Capítulo 585

Assassino Atemporal

(Uma cela desconhecida, ponto de vista do Vigésimo Segundo Velho)

O Vigésimo Segundo Velho tremeu ao ver Leo caminhando em sua direção com uma adaga na mão, pois não esperava por esse desfecho.

"Skyshard… Skyshard, o que você está fazendo? Você disse que não me bateria se eu confessasse! Skyshard… SKYSHARD!"

*SHHK*

Apesar dos gritos de pânico do Vigésimo Segundo Velho, Leo não parou.

Já decidido a punir o velho, Leo começou a esfaqueá-lo deliberadamente, cada investida medida e precisa, atingindo os mesmos lugares por onde Luke havia sido ferido.

*SHHK*

*SHHK*

.

.

.

*SHHK*

Cada corte refletia-se como um espelho, cada perfuração um som lúgubre do que seu irmão tinha suportado, até que os clamores do velho encheram a câmara como um coro de culpa materializada.

"Mas… você disse… disse que não me faria mal se eu me entregasse!" o Velho soluçou, com a voz tremendo entre a dor e o incredulidade, como se estivesse agarrado à promessa vazia que nunca foi mais do que uma mentira traiçoeira.

"Eu disse que iria pensar a respeito," respondeu Leo, puxando a adaga com cuidado antes de enfiá-la na próxima marca, "e eu pensei… e concluí que você merece."

*SHHK*

O Velho gritou novamente, contorcendo-se inutilmente contra as amarras enquanto seu corpo se convulsionava, seus clamores ecoando pelas paredes de pedra.

Mu Fan e Su Pei se viraram, incapazes de testemunhar tamanha violência brutal, enquanto até Dupravel desviou o olhar, pois não era do tipo sádico que tinha prazer em ver outro homem sendo torturado.

No entanto, por mais que sangue espirrasse ou que o Vigésimo Segundo Velho gritasse, Leo não parou sua punição.

Ele não se regozijava, nem se deleitava na crueldade, apenas executava seus movimentos sem hesitar, ciente de que estava fazendo justiça sem maldade ou preconceito.

*Investida*

*Gorgolejo*

Cada golpe não era apenas dor, mas julgamento.

Um lembrete. Um registro. Uma ferida para cada pecado cometido, uma cicatriz para cada uma que seu irmão recebeu.

Por quarenta e cinco minutos, a câmara ecoou apenas com os gritos roucos do Velho, até que o corpo do Vigésimo Segundo Velho finalmente cedeu às amarras, com a cabeça pendendo inconsciente, e Leo finalmente parou, sua lâmina pingando com os resíduos da vingança.

"Gimli," chamou Leo de forma firme.

A porta rangeu ao se abrir quase imediatamente, e Gimli entrou com passos apressados, com o rosto pálido ao ver a cena grotesca diante de si, mas as mãos firmes, obedecendo sem questionar.

Ela aplicou o unguento de fechamento de feridas ao longo do corpo destruído do Velho e conectou uma cânula de soro à seu braço, como tinha sido treinada para fazer nas últimas duas semanas, porém, ao ver Gimli costurar o Vigésimo Segundo Velho de volta, Leo sentiu uma coisa estranha no intestino.

"Pare–" disse, ordenando que Gimli interrompesse o tratamento, puxando sua mão do corpo do velho.

"Eu tinha planejado prolongar isso…

Voltar a cada poucos dias para quebrá-lo de novo e de novo, mas vejo agora que ele não vale o esforço. Os gritos dele não me satisfazem, só desperdiçam meu tempo."

Ele fez uma pausa, inclinando a cabeça levemente enquanto seu olhar permanecia fixo na figura inconsciente do Velho.

"De um lado, quero matá-lo. Do outro, a alegação dele de que Soron pode perceber sua morte fica na minha cabeça."

O silêncio se alongou até que ele soltou uma bufadinha quase de desprezo.

"Não… acho que Soron não liga muito pra isso. Se ligasse, o Conselho não estaria cheio de escória desde o começo."

Com isso, sua decisão se consolidou e, sem hesitar mais, ergueu sua adaga e, em um movimento fluido, decapitou o Velho com um golpe só.

*Espatufar*

*Barulho de queda*

O sangue jorrou brevemente antes de cessar, e o silêncio que se seguiu foi pesado e absoluto.

"Pois bem, Gimli, você não precisará mais ficar observando aqui. Só limpe essa bagunça e podemos voltar pra casa," disse Leo com frieza, saindo da sala com sua vingança consumada.


(Enquanto isso, Soron)

Soron percebeu a morte do Vigésimo Segundo Velho e, por um momento, lançou um olhar furioso na direção de Vorthas, para ver o que estava acontecendo, apenas para ficar chocado ao ver Leo, Dupravel e Su Pei presentes no local do assassinato, com uma adaga escorrendo sangue na mão de Leo.

Por alguns instantes, Soron apenas ficou parado, seus olhos antigos se estreitando ligeiramente enquanto tentava compreender a razão por trás das ações de Leo.

O garoto agiu por raiva cega?

Foi vingança por algum desrespeito pessoal?

Foi uma estratégia para alcançar algum objetivo oculto?

Ou foi o primeiro sinal de que Leo começava a harbor planos perigosos contra o Culto?

As questões persistiram, pressionando sua mente com um peso que talvez o tivesse perturbado por séculos, mas agora apenas alimentava uma fadiga profunda.

Ele pensou nas incontáveis gerações de Velhos que passaram, cada um achando-se indispensável, mas no final, provando serem tão falhos e corruptos quanto o antecessor.

A morte do Vigésimo Segundo Velho, seja justificada ou não, pouco importava naquele ciclo maior, e por isso ele não se importou o suficiente com isso.

Talvez Leo tivesse agido impulsivamente, talvez não, mas, de qualquer forma, Soron se viu relutante em investigar mais a fundo.

"Espero que seja o melhor," murmurou lentamente, recostando-se na cadeira enquanto seu olhar se desviava de Vorthas e retornava ao presente.

"Se ele decidiu matar, que viva com as consequências dessa escolha. Não é meu papel mimá-lo, nem vingar os fracos."

Ele exalou, fechando os olhos enquanto a leve ondulação da força vital do Velho se dissipava completamente, engolida pelo silêncio.

E assim, Soron deixou o assunto descansar, não porque não percebesse o peso do que havia ocorrido, mas porque simplesmente não se importava o suficiente para interferir, decidindo naquele momento que talvez fosse o melhor caminho.

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