Assassino Atemporal

Capítulo 584

Assassino Atemporal

"Mas eu juro que nunca desejei que o Luke chegasse a esse ponto. Se alguém, eu queria que ele se tornasse o próximo Dragão tanto quanto desejava isso para você." O Décimo Segundo Elder jurou, enquanto Leo observava cuidadosamente a aura ao redor do seu corpo, notando que ela não oscilava para o preto, sinal de engano.

"Eu só quis ser o próximo Primeiro Elder, e não me importava como isso acontecesse.

O Culto é um lugar desfeito, cheio de civis que não se importam com nada além do Dragão e da guerra sem fim contra a Facção Justa.

Embora lamentável, essa é a única obsessão do nosso povo.

Então, nunca importou o quão bem eu governava meu território ou que desenvolvimento eu trouxe para Vorthas.

O que importava para a massa eram grandes espetáculos públicos:

Como o Quarto Elder orchestrando um ataque terrorista na Arena do Deus do Céu, ou seu ousado esforço para fazer Veyr ser o próximo Candidato a Dragão…"

*Suspiro*

"Com o tempo, deixei de me importar com administração ou prosperidade, porque que sentido tinha reclamar de desenvolvimento se todo mundo só queria sangue e vingança?

Admito que me tornei um tolo egoísta, mas isso não é exclusividade minha, é a maldição de todos que compõem o Conselho." Ele explicou, tentando se justificar, suas palavras carregadas de amargura ao comparar sua corrupção com a dos outros.

"Demorou trinta anos para perceber que o Primeiro Elder tinha me manipulado desde o início.

Após a morte do Noah, quando a revolta popular atingiu seu auge, havia chance de o equilíbrio de poder dentro do Conselho desmoronar. Se eu tivesse provocado uma revolta naquela época, quem sabe como estaria a estrutura do nosso governo agora?

Mas, ao invés disso, ele cortou essa possibilidade, me puxando para a esfera da política, onde, passo a passo, fui sendo moldado até me tornar mais um político corrupto.

Porém, eu não odeio o Culto, nem sou desleal a ele.

Sou apenas egoísta." Ele admitiu, encerrando sua confissão.

*Aplausos* *Aplausos* *Aplausos*

A ovação de Leo soou, aguda e deliberada, à medida que as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixavam na sua mente.

Agora ele via o Culto da Ascensão pelo que realmente é — não um conselho de sábios liderando seu povo, mas um ninho de predadores presos em uma luta sem fim por influência, cada um disposto a sacrificar tudo, até mesmo a vida de Candidatos a Dragão, para garantir sua própria ascensão.

Aqui, os Elder de menor posto enviavam possíveis Dragoes a missões de treinamento suicidas, não para forjá-los guerreiros para a glória do Culto, mas para garantir que, se um Dragão surgisse, estaria ligado a eles e não a outro Elder.

E, para eles, cada vida colocada em risco, cada jovem levado à beira da morte, não passava de um peão na corrida pelo domínio político.

No centro de tudo estava o Primeiro Elder, o rei intocável, e todos os outros Elder lutando e se agarrando por seu trono.

Infelizmente para eles, a única maneira de conquistá-lo era através de uma popularidade que se espalhasse por todo o Culto.

Mas essa popularidade não vinha do governo.

Nem de construir cidades, elevar o padrão de vida ou avançar na ciência e na medicina, pois essas coisas mal eram vistas pelos cidadãos comuns.

O povo do Culto foi moldado desde o nascimento para acreditar que seu propósito era único: lutar, sangrar e recuperar a glória do Culto.

Da sala de aula nas escolas até o lar, das tradições antigas às demonstrações públicas, cada voz repetia o mesmo credo — servir ao Dragão, destruir a Facção Justa e restaurar o que foi perdido.

Era tudo o que a população se importava, porque era tudo o que lhes tinham permitido ligar seu coração.

Assim, em um mundo assim, o valor de um Elder era avaliado não por sua sabedoria ou justiça, mas pelo sangue que derramava e pelos Dragoes que criava.

O Quarto Elder gravou seu nome na história não com reformas ou visão, mas ao orquestrar um ataque terrorista na Arena do Deus do Céu e apresentar Veyr como a próxima grande esperança.

Foram esses atos que inflamaram as massas, não décadas de governança cuidadosa.

Era um ciclo vicioso, uma armadilha sem saída. Qualquer Elder que ousasse seguir um caminho diferente, falar em prosperidade ao invés de vingança, seria devorado na próxima eleição por rivais que falavam a mesma língua de sangue e Dragoes.

E ninguém resistia ao ciclo, porque ele definia a própria sobrevivência.

Leo apertou a mandíbula, seus punhos fechando com tanta força que suas mãos ficaram brancas.

"Então é por isso que os Elders sabotam o Dragão antes dele atingir seu auge," ele finalmente disse, sua voz baixa e carregada de fúria. "Porque, quando um Dragão cresce além do controle do Conselho, ele deixa de ser uma arma e vira seu próprio mestre. E isso é o que eles mais temem."

Leo falou, enquanto o Décimo Segundo Elder baixou o olhar e assentiu.

"O Noah estava prestes a se tornar um Monarca, e é exatamente por isso que acho que o mataram.

Se ele se tornasse um Monarca, não estaria mais subordinado aos caprichos do Conselho, nem precisaria seguir suas ordens, o que não ficaria bem para eles.

E também é por isso que ter dois servos ao nível de Monarca sob seu comando colocou você na nossa mira.

Atualmente, é época de eleições, então nenhum Elder quer correr riscos com um passo maior.

Mas não me surpreenderia se alguém te armasse uma cilada num futuro próximo.

Depois de tudo, um Dragão Sombra com mais poder que o Conselho não é coisa boa para a política." O Décimo Segundo Elder admitiu, enquanto Leo balançava a cabeça, incrédulo.

O Conselho dos Elder era um câncer para o Culto.

Eles eram os carrascos que cortaram as asas do Dragão antes que ele pudesse voar, só porque temiam não conseguir pegá-lo assim que ele partisse.

"Então querem me armar uma cilada, hein? Está certo... Que venham..." Leo disse, enquanto desembainhava sua adaga e começava a caminhar ameaçadoramente em direção ao Décimo Segundo Elder.

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