Assassino Atemporal

Capítulo 562

Assassino Atemporal

(Planeta Vorthas, Mercado dos Compradores, Manhã seguinte, Ponto de vista de Su Pei)

Su Pei chegou ao pequeno edifício discreto situado entre uma loja de penhores e uma barraca de especiarias, cujo sinal desbotado tinha as letras 'Investigações Marrowstone' em tinta dourada lascada.

Esse era o endereço que Jacob lhe passou, dizendo que o investigador particular ali localizado tinha uma recomendação bastante forte, por isso ele o procurou.

No entanto, pelo estado precário do local, Su Pei não ficou nada impressionado.

Dentro, o escritório era mal iluminado, com um único ventilador girando lentamente no teto enquanto um homem de meia-idade, de colete escuro, sentava atrás de uma mesa bagunçada.

Pilhas de arquivos, xícaras sujas e uma antiga chapa de tinta manchada apinhavam o espaço, o que novamente irritou Su Pei, que é um pouco perfeccionista.

Porém, ele não deixou transparecer sua decepção, entrou com um sorriso tranquilo, do tipo que se usa ao buscar ajuda em vez de fazer uma ameaça, e se sentou à mesa, de frente para o investigador que parecia feliz com a presença de um cliente.

"Por favor... diga-me, senhor, em que posso ajudá-lo?" perguntou o investigador com voz profunda, enquanto Su Pei fazia uma expressão de preocupação.

"Você deve entender, bom senhor," começou Su Pei, apoiando os cotovelos levemente na mesa, "minha esposa... acho que ela não é quem diz ser."

"Acredito... que ela possa ser uma espiã da facção justa, ou parte do infame exército vermelho! Quero denunciar ela às autoridades, mas ela é minha esposa... então não quero entregá-la, a menos que tenha certeza absoluta..." explicou Su Pei, enquanto o investigador soltava uma risadinha suave.

"Isso é uma acusação grave. A maioria que faz esse tipo de alegação não sabe bem do que está falando. Por que você acha que sua esposa é uma membro do Exército Vermelho?" perguntou o investigador, tentando aprofundar a investigação para descobrir a base dessa acusação.

"Não faço essa afirmação levianamente," respondeu Su Pei em tom tranquilo, inclinando-se para a frente como se estivesse confidenciando algo pessoal.

"Vi ela esconder uma espada longa de mim, uma daquelas retas, pontiagudas, usadas por guerreiros de alto nível.

E, uma vez, consegui recuperar uma orbe de fumaça cinza dela. Agora me diga, por que ela precisaria de uma orbe de fumaça? Ela me disse que era uma aventureira e uma tanque antes de se casar comigo."

O investigador suspirou, recostando-se na cadeira, os dedos tamborilando no braço do assento como se estivesse desapontado com a conversa.

"Olha, senhor... vou investigar sua esposa se for essa sua vontade. Não nego que há uma possibilidade de ela estar afiliada à Facção Justa, mas duvido muito que ela pertença ao Exército Vermelho em específico."

Su Pei inclinou a cabeça ligeiramente. "Por quê?"

"Veja, membros do Exército Vermelho... a maioria, pelo menos nove em cada dez, carrega uma lâmina curva distintiva.

É a assinatura deles, o orgulho, a marca de pertencimento. Quanto à bomba de fumaça que você encontrou, não sei por que um tanque carregaria uma, mas posso te dizer uma coisa... se ela fosse do Exército Vermelho, a fumaça seria vermelha, não cinza."

Ele abriu as mãos como se a questão estivesse resolvida. "Então, embora sua esposa possa não ser quem ela afirma, também não acho que ela pertença ao Exército Vermelho."

Su Pei sorriu de forma educada, seus olhos nunca deixando o rosto do homem. "Entendo. Então você conhece o estilo de assinatura que o Exército Vermelho usa. Isso é bom de saber."

O investigador piscou, percebendo uma leve mudança de tom, mas nada falou.

"Mas então," continuou Su Pei, com uma voz calma como antes, "se você sabe disso... por que não reportou quando examinou as feridas de Luke Skyshard?"

Cada ferimento em seu corpo foi causado por lâminas retas.

Todos eles, e ainda assim, em seu relatório como investigador particular, você culpou tudo pelo Exército Vermelho... por quê?"

A temperatura na sala pareceu cair alguns graus, o ruído do ventilador acima soou mais alto no silêncio repentino. Os olhos do investigador piscaram brevemente na direção da porta antes de voltarem rapidamente para Su Pei.

"Que bobagem é essa que você está dizendo? Não sei de nada do que fala. Por favor, saia do meu escritório imediatamente," ele falou de forma brusca, com a mão deslizando sob a mesa.

Su Pei não se mexeu enquanto o homem retirava uma lâmina curta, com a lâmina lascada, mas utilizável, apontando-a para ele através da mesa.

A lâmina nem teve tempo de captar a luz antes de uma peso esmagador preencher o ar.

*Estouro*

A cadeira do investigador estilhaçou-se ao ele cair no chão, com os membros travados sob a pressão da aura de Su Pei.

O homem mal conseguia levantar a cabeça. Sua respiração era superficial, ofegante, cada suspiro uma luta contra a força invisível que o prendia.

"Ora, ora," murmurou Su Pei, levantando-se lentamente e dando voltas na mesa com passos medidos, como alguém completamente tranquilo. "Você não planejava me ameaçar, né?"

Os olhos do investigador se arregalaram, o descrença evidente mesmo enquanto seu corpo tremia sob o peso esmagador. "Quem... é... você?" ele raspou.

Su Pei se abaixou ao lado dele, moveu a mesa para o lado com uma mão, como se fosse de papel. "Sou Su Pei. Trabalho para o Mestre Leo Skyshard. Seu Dragão Sombrio."

O rosto do homem empalideceu, os lábios se abrindo sem som.

"Acredito que ele esteja... decepcionado... com a forma como você tem mentido para ele sobre o estado do irmão dele," disse Su Pei calmamente, as palavras saindo como uma observação tranquila, sem acusação.

"Eu———"

"Não perca tempo com mentiras," interrompeu Su Pei, com tom firme, embora sua aura pressionasse ainda mais, obrigando o homem a soltar um suspiro estrangulado.

"Saberei instantaneamente se você mentir. Sou um Monarca, e não preciso de truques para enxergar além das mentiras."

"Agora... diga a verdade.

Eu não sou da Facção Justa, então não deve se envergonhar em me contar o que realmente aconteceu.

Na verdade, deve temer o que acontecerá se esconder isso."

O peito do homem subia e descia rapidamente, o pânico evidente em seus olhos enquanto o suor se acumulava na têmpora.

"Eles... me forçaram a alterar meu relatório," gaguejou. "No gabinete do Tetragésimo Segundo Ancião... e uma mulher chamada Mu Fan."

O nome ficou no ar como uma pedra jogada em água parada.

Su Pei franziu levemente as sobrancelhas. "O gabinete do Tetragésimo Segundo Ancião? Mas por quê," disse suavemente, "a administração do Culto estaria envolvida nisso?"

O investigador fez um som de aflição desesperada, mas antes que Su Pei pudesse insistir mais, seu corpo ficou mole.

Ele desmaiou, respirando de forma superficial, porém constante.

Su Pei se endireitou, escovando a poeira das mãos como se nada de importante tivesse acontecido, e seguiu em direção à porta sem olhar para trás.

Fora, a rua ainda estava silenciosa, e parecia que seu interrogatório tinha terminado sem grandes problemas.

Porém, o que soube dele foi, no mínimo, surpreendente.

Su Pei não esperava que os próprios membros de alta patente do Culto estivessem envolvidos em alterar as memórias de Luke, pois se isso fosse verdade, então a própria fundação da confiança dentro do sistema já estaria desmoronando sob seus pés.

Por enquanto, Su Pei resolveu guardar sua descoberta para si mesmo, seus passos o levando até o escritório do segundo investigador particular, outro homem que também trabalhou no caso.

Não havia sentido em alarmar até que pudesse confirmar toda a extensão do assunto, mas se suas suspeitas fossem comprovadas sem sombra de dúvida… ele não podia deixar de imaginar como seu mestre reagiria quando a verdade viesse à tona.

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