
Capítulo 561
Assassino Atemporal
(Enquanto isso, na Mansão Skyshard, ponto de vista de Su Pei)
Su Pei ficou bastante surpreso ao perceber o quão acolhedida e amigável era, de fato, a família de Leo. Apesar de ser seu primeiro dia convivendo com eles, a tradição de tratar estranhos desapareceu completamente.
Quando entrou pela primeira vez na casa, recebeu alguns olhares reprovadores, do jeito que estava acostumado, mas assim que revelou que foi Leo quem o havia enviado para verificar seu irmão, a postura da família mudou drasticamente, quase 180 graus.
Elena, mãe de Leo, o conduziu animadamente por uma visita pela residência, sua voz transbordando carinho enquanto insistia em servir pratos caseiros repletos de sabores que ele nunca tinha experimentado, mesmo após séculos de vida.
Alia, namorada de Luke, chegou com toalhas aquecidas na hora, certificando-se de que ele estivesse confortável enquanto ajudava a acomodá-lo no quarto de hóspedes.
Jacob ofereceu-se para mostrar a cidade a ele sempre que desejasse, prometendo ser seu guia.
Enquanto isso, Amanda, namorada de Leo, inclinou-se com um sorriso, perguntando se havia alguma ferramenta ou gadget que ele gostaria que fosse fabricado—qualquer coisa que pudesse tornar sua vida um pouco mais fácil.
Era algo completamente novo para Su Pei, que tinha esquecido como era sentir o calor de uma família amorosa, desde que perdeu a sua, há mais de meio século.
Aqui, ele não se sentia como um Monarca ou um Comandante importante responsável por administrar um planeta; mesmo sem consumir álcool, ele se sentia relaxado e simplesmente feliz por estar vivo.
Naturalmente, como seu objetivo principal ao estar ali era descobrir o que estava errado com o irmão de Leo, Luke, assim que se acomodou, Su Pei não perdeu tempo e focou nesse objetivo.
Começou envolvendo Luke em conversas curtas e descontraídas, aos poucos entrando em tópicos que pudessem revelar a origem dos seus problemas, antes de passar a perguntas mais específicas para entender melhor sua situação.
Quando Luke finalmente falou sobre o Exército Vermelho e como eles o caçaram por mais de um ano, Su Pei percebeu rapidamente inconsistências preocupantes no relato, já que seu conhecimento sobre esse exército colidia bastante com o que Luke dizia ter acontecido.
No entanto, optou por não interromper, deixando que Luke terminasse sua história por completo.
Nesse tempo, Su Pei observou cada mudança na expressão de Luke, notando quando seu rosto se sombreava ou quando suas mãos se mexiam nervosamente em silêncio desconfortável.
Com paciência, conduziu as conversas para os detalhes que aumentaram suas suspeitas, perguntando a Luke sobre as habilidades que os combatentes do Exército Vermelho usaram ao perseguí-lo e quais armas carregavam.
Mas, para sua decepção, todas as respostas de Luke estavam erradas.
'Alguém adulterou sua memória… alguém provavelmente pertencente ao Cult, e fizeram um trabalho malfeito.' Su Pei logo percebeu, pois, sendo um veterano que já tinha visto muitos casos assim, soube de imediato que sua memória tinha sido manipulada.
A pista exata apareceu quando Luke falou sobre certos eventos com uma hesitação incomum, sua mão direita fazendo um movimento involuntário, quase imperceptível, toda vez que mencionado algo que Su Pei sabia que não poderia ser verdade. Era um movimento sutil, quase invisível para um olho inexperiente, mas para Su Pei, era o sinal de uma memória implantada lutando para se firmar.
As inconsistências saltavam aos olhos. O Exército Vermelho era famoso por suas lâminas curvas, um símbolo tão forte que não portar uma delas seria como negar sua lealdade. Porém, Luke descrevia os combatentes empunhando espadas retas, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Outra suspeita era sua falta de lembrança das bombas de fumaça vermelha, uma ferramenta padrão usada para desorientar alvos em emboscadas. Também não havia menção às habilidades características, como [Passo Duplo] e [Garra Rápida], comuns entre quase todos os guerreiros treinados.
Su Pei escutava sem interromper, mas cada omissão reforçava sua certeza. Essas não eram falhas de memória de alguém com má lembrança, mas de alguém cujo relato havia sido deliberadamente reescrito. O movimento da mão era a confirmação definitiva.
Quando Luke terminou, Su Pei não tinha mais dúvidas: seu cérebro tinha sido manipulado. As perguntas agora eram só quem tinha feito isso e por quê.
"Não sei por que você está perguntando tudo isso sobre o Exército Vermelho, mas, se quiser, tenho um relatório independente sobre o que pode ter acontecido com Luke…." Jacob disse assim que a conversa entre Su Pei e Luke terminou, enquanto Su Pei levantava uma sobrancelha de surpresa.
"Deixei duas equipes de investigadores independentes analisarem o passado do Luke enquanto ele tinha dificuldade de se lembrar. Um mês depois, eles entregaram um relatório com as descobertas…" Jacob explicou, enquanto Su Pei pedia para receber esse documento.
*Deslizamento*
Logo, Jacob trouxe esses papéis e os entregou para Su Pei, que os leu atentamente, um sorriso sutil passando por seus lábios.
"São investigadores do Cult? Pessoas que moram neste planeta?" Ele perguntou, enquanto Jacob confirmava com um assentimento, apontando os nomes dos investigadores que trabalharam no caso, que assinaram suas iniciais no final.
"Tem algo errado?" Jacob perguntou, com seus instintos paternais detectando que poderia haver algum problema, mas Su Pei apenas balançou a cabeça e disse para não se preocupar.
"Sem problemas," respondeu, com a voz calma, mas com um tom firme. "Mas há algumas coisas aqui que preciso esclarecer com esses investigadores, então pretendo visitá-los amanhã… de preferência sozinho."
O ambiente ficou silencioso. Ninguém precisou dizer que Su Pei não faria essa visita a menos que realmente houvesse algo muito errado. E, com ele sem acrescentar mais nada, todos ficaram esperando o que o amanhã traria.