Assassino Atemporal

Capítulo 567

Assassino Atemporal

(A Mansão Skyshard, ponto de vista de Leo)

“Continue…”

Essas duas palavras fizeram um calafrio subir na espinha de Su Pei, sua garganta se apertou enquanto engolia em seco antes de forçar-se a continuar.

“As feridas no corpo do seu irmão foram feitas por lâminas retas, aquelas padrão para a maioria dos guerreiros pelo universo afora.

Mas o Exército Vermelho… eles são diferentes.

Quem conhece o básico sobre eles sabe que nove em cada dez membros usam lâminas curvas, pois isso é um símbolo de pertencimento à organização, uma assinatura única, mesmo que não seja a mais prática.

Então, para Luke ser caçado por eles há mais de um ano e não ter recebido uma única ferida de lâmina curva?

Foi aí que minhas suspeitas começaram.” O tom de Su Pei era firme, mas seus olhos tremiam com o peso do que dizia, e Leo mantinha seu olhar fixo, sem nem piscar.

“Depois, revisei Luke em busca dos sinais clássicos de manipulação de memória… e ele tinha todos.

Bambear ao tentar recordar eventos alterados.

Inquietação nas mãos ao falar de memórias completamente inventadas.

E, o pior de tudo, os períodos de tempo desaparecidos, trechos inteiros da memória dele entre grandes incidentes, sumiram.”

A respiração de Leo começou a ficar mais pesada, cada expiração curta e aguda, o som baixo, mas impossível de não perceber.

“Seu pai me contou que também suspeitava que algo estava errado com as memórias do Luke. Por isso, contratou dois investigadores particulares para averiguar.

Mas ambos entregaram relatórios quase idênticos, e suas suspeitas foram descartadas, embora esses relatórios fossem sinais vermelhos bem claros…”

Voz de Su Pei diminuiu de tom. “Então, decidi visitá-los pessoalmente, e vamos dizer… usei charme suficiente para fazer eles confessarem a verdade, e aí eles admitiram que foram pressionados pelo Escritório do Décimo Segundo Ancião e por uma mulher chamada Mu Fan a modificar esses relatórios.

Que eles sabiam há bastante tempo que as feridas do Luke poderiam não ter nada a ver com o Exército Vermelho, mas foram forçados a não dizer nada a respeito.”

*Estalo*

*Estalo*

O som agudo do punho de Leo cerrando os nós encheu o ambiente, seus punhos cerrados com força, a mandíbula travada.

“Ambos os investigadores contaram a mesma história. Então, a partir daquele dia, comecei a seguir essa Mu Fan… e confirmei que ela trabalha para o Escritório do Décimo Segundo Ancião, atuando numa agência independente.

Fui lá na ausência dela, só para espioná-la. E o que descobri…” Su Pei hesitou, seus olhos se moveram brevemente de lado, como se estivesse ponderando se deveria falar a próxima parte em voz alta.

“O que foi? O… que… você… descobriu?” A voz de Leo era baixa e carregada de intenção, cada palavra saindo por entre dentes cerrados, enquanto as veias do pescoço ficavam tensas.

“Descobri que o Décimo Segundo Ancião ordenou que Mu Fan monitore a Mansão Skyshard 24 horas por dia. E que… eles plantaram um microfone espião na antiga estrutura do robô que você mantém aqui.

Ou seja, o Cult sempre ouvia tudo… cada conversa dentro desta casa, e provavelmente continuaria fazendo isso se ainda tivesse chances.

Você e sua família… não viviam vidas livres aqui. Estavam sendo monitorados constantemente.”

A expressão de Leo se torceu numa mistura de sorriso e rosnado, algo que não alcançava os olhos dele. “Entendo…” murmurou, fazendo um pequeno gesto com a mão para que Su Pei continuasse.

“Não confrontei Mu Fan, apesar de ter tido chance, porque não sabia como você queria que eu lidasse com isso… mas, com tudo que juntei, cheguei à minha conclusão.” Su Pei respirou devagar, de forma firme.

“O Cult, ou pelo menos o escritório do Décimo Segundo Ancião, fez de tudo para esconder a verdade sobre o que aconteceu com Luke.

E só vejo duas razões possíveis para isso.

A primeira, e mais provável, é que eles sejam diretamente responsáveis pelas feridas dele, e a encobrimento seja a maneira deles de esconder o crime.

A segunda… é que isso faz parte de um plano maior.

Um plano para te manter sob controle, transformando sua família em uma peça de barganha.

Porque eles sabem que, se manipularem sua família, podem te manter na corda bamba o tempo todo.”

Su Pei endireitou-se, fixando o olhar em Leo.

“Então… como você quer jogar isso, Mestre? Quais são suas ordens?” Ele perguntou, esperando que Leo explodisse numa raiva violenta e exigisse vingança na hora.

Porém, contrariamente às expectativas, Leo apenas fechou os olhos, controlou a respiração e soltou uma longa exalação.

*Husshhhh*

Parecia fazer um grande esforço para recuperar o controle, ficando em silêncio absoluto por alguns minutos, até que, por fim, abriu os olhos, com uma expressão implacável e focada.

“O velho eu provavelmente já teria desembainhado minha adaga agora…”

“Não tenho dúvidas de que o velho eu teria assassinado a Mu Fan e aquele filho da mãe do Décimo Segundo Ancião antes do amanhecer, e dane-se as consequências.

Mas o eu de hoje amadureceu.”

“O eu atual acha que a morte é punição demais fácil para esses pilantras, portanto, não vou lhes dar uma punição fácil….”

“Se há algo que o Cult não deveria fazer, era mexer com minha família, mas, já que fizeram, vou garantir que todos envolvidos nesse esquema paguem por isso.

Para fazer todos eles pagarem, preciso abordar esse problema de forma sistemática.” Leo falou, aparentando, apesar da fúria primal, usar sua cabeça para traçar uma vingança ainda mais cruel.

Uma que fosse mais devastadora que um simples assassinato.

“Minha família acaba de se estabelecer na nova vida em Vorthas e não quero desestabilizá-los de novo.

Então, não vou agir de modo a me implicar nesses crimes.

Porém, juro pelo meu sobrenome de Skyshard que, nos próximos 90 dias, vou fazer todos os envolvidos em ferir meu irmão pagarem por isso.

Isso agora está certo na minha cabeça.”

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