
Capítulo 544
Assassino Atemporal
(Ponto de vista de Leo, Base Militar Zona Quebrada 1)
Leo estava sentado em uma sala parcialmente destruída, com iluminação fraca, ao lado de Dupravel, enquanto Dumpy permanecia empoleirado em seus ombros. O comandante inimigo Su Pei estava sentado diante dele, de frente.
‘Como diabos eu acabei nessa situação?’
Leo se questionava, enquanto por mais que tentasse compreender, não conseguia fazer sentido do que estava acontecendo.
Nem o ambiente, nem as pessoas, e definitivamente, nem a conversa.
Su Pei, o monarca inimigo que recuara para a Cidade Sanfe com suas forças há poucas horas, agora queria se render e mudar de lado, passando a apoiar o Culto.
Não só isso, ele até desejava jurar lealdade a Leo diretamente, sob um contrato que era assustadoramente parecido com aquele que Dupravel havia assinado com ele.
Mas a questão era por quê?
Por que o comandante do exército inimigo de repente estava tão ansioso para desertar?
Por que Dupravel, que fora enviado para matá-lo, voltou de mãos dadas com o próprio monarca?
E por que Dupravel insistira que Leo se encontrasse com Su Pei sozinho, sem alertar os outros?
Não fazia sentido algum.
"Hahaha! Você tomou a decisão certa, Humano Mestiço, ao escolher o Senhor Pai para ser seu mestre. Hahaha! Servi-lo será o destaque de toda a sua vida sem sentido!" Dumpy comentou, demostrando que não se importava nem um pouco que o homem diante dele fosse um poderoso Monarca.
Ou que provavelmente poderia matá-lo com um simples movimento de pulso.
"A rã sempre se comporta assim? Além disso, como vocês conseguiu domesticar uma Rã do Pântano Antiga? Elas são notoriamente difíceis de domar e criar por causa do temperamento difícil, não é?" Su Pei perguntou, enquanto Leo imediatamente segurava Dumpy pelo rosto, impedindo-o de atacar, pois sabia que o sapo dele estava totalmente pronto para isso.
"Meu animal de estimação se chama Dumpy. Se quisermos desenvolver uma relação amistosa, sugiro que lhe dê o devido respeito." Leo respondeu, soltando a cabeça de Dumpy e fazendo um gesto para que o frog permanecesse calmo.
"Ainda não decidi se quero ou não te servir. Mas não pude deixar de ficar intrigado ao conhecer o homem que conseguiu fazer Dupravel Nuna lhe servir, mesmo sendo um Grande Mestre.
Então, aqui está minha proposta—" Su Pei começou, enquanto Leo se inclinava para escutar atentamente.
"Se você prometer devolver os soldados capturados ao Clã Su, ao invés de vendê-los como escravos.
E também se comprometer a fazer o mesmo com os soldados que se entregarem daqui pra frente, estou disposto a largar minhas armas e não participar desta guerra." afirmou Su Pei, enquanto Leo assintia compreendendo e sinaliza para que ele continue.
"Independentemente de eu decidir ou não te servir, essa parte da minha oferta permanece.
Percebi que lutar pelo Clã Su é uma perda de tempo, por isso, não vou mais arriscar minha vida por eles.
Nem os homens que lidero, por uma causa que está morrendo."
Su Pei falou, parecendo um pouco envergonhado ao pronunciar essas palavras.
"Sobre se vou ou não te servir pessoalmente... "ele continuou, com fogo retornando aos olhos.
"Sugiro que resolvamos isso com um duelo. Limitarei minha força ao Nível Grande Mestre, e se você conseguir me vencer em igualdade de condições...
Eu me unirei a você sob o mesmo contrato de Dupravel.
Servirei por 20 anos, com 60 dias livres por ano para fazer o que quiser, e a opção de romper o contrato ao final, com todos os meus crimes contra o Culto perdoados."
"Mas se você não conseguir me vencer, e eu decidir não te servir...
Quero sua palavra de que providenciará uma nave e um passageiro seguro para sair deste planeta, pois provavelmente passarei o resto da vida em um planeta neutro." sugeriu Su Pei, enquanto Leo levantava uma sobrancelha ao ouvir as palavras dele.
Ele não compreendia completamente as motivações de Su Pei, mas Dupravel parecia ansioso para que Leo aceitasse assumir Su Pei como aliado.
E assim, após pensar um pouco na oferta, e garantir que não haveria prejuízo para ele, independentemente de vencer ou perder, Leo decidiu aceitar os termos.
"Aceito. Mas, se não for inconveniente, por que me escolheu para essas negociações?"
Você sabe que eu não sou o comandante supremo aqui, né?
Sou apenas o Dragão das Sombras.
Não sou a esperança do Culto."
Leo questionou, ao que Su Pei apenas respondeu com uma risada.
"Eu não me importo com qual é sua titulação dentro do Culto... Venho até você porque Dupravel Nuna parece confiar que você é um homem de palavra, alguém que não hesitará em virar as costas para o Culto se eles entrarem em conflito com sua gente.
Já fiz a burrada de oferecer minha lealdade a uma organização que não se importava com ela.
Não quero cometer o mesmo erro novamente..." disse Su Pei, enquanto Leo olhava de relance para Dupravel, que acenou em aprovação.
Embora toda essa situação parecesse absurda, ele confiava no instinto de Dupravel e aceitou o pedido de duelo de Su Pei.
"Então, vou te enfrentar na floresta abandonada, daqui a três horas.
Assim, não teremos muitas pessoas por perto enquanto lutamos..." sugeriu Leo, enquanto Su Pei acenava em concordância.
"Três horas então. Nos vemos lá," disse ele, girando nos calcanhares e saindo, com seu sobretudo se arrastando levemente atrás de si, enquanto a porta quebrada rangeu ao fechar.
Leo se inclinou um pouco na cadeira, ainda atento ao espaço que Su Pei acabara de ocupar, enquanto Dumpy se ajeitava e se enroscava no seu pescoço.
"Vinte anos de serviço por uma única luta," murmurou Leo para si mesmo.
"Uma aposta ousada," respondeu Dupravel silenciosamente, com os braços cruzados apoiados na parede.
Leo não respondeu, mas uma leve faísca passou por seus olhos.
Se vencesse, ganharia mais um servo extremamente poderoso sob seu comando, cuja lealdade, num jogo de poder sempre mutante do Culto, poderia virar o jogo a seu favor.