
Capítulo 548
Assassino Atemporal
Leo concluiu o contrato de alma com Su Pei sem problemas, com os termos sendo semelhantes aos que assinou com Dupravel.
O prazo foi estipulado em vinte anos, com duas cláusulas específicas adicionadas a pedido de Su Pei.
Primeiramente, ele deveria ser tratado com a dignidade de um Monarca sênior dentro do culto.
E, em segundo lugar, nunca deveria ser enviado a uma missão suicida sem motivo justificável.
Ambas eram condições que Leo aceitou sem muita resistência, já que Su Pei não se encontrava numa situação desesperada como Dupravel ao assinar o acordo e havia, de certa forma, escolhido voluntariamente servir a ele.
Mas, além dessas condições, tratava-se de um contrato padrão de Mestre e Servo, que obrigava Su Pei a obedecer a todas as outras ordens dele sem exceções.
"Mestre, estou me despedindo agora. Pretendo informar minhas forças em Sanfe City, assim como as que estão espalhadas pelo planeta, para se renderem.
Espero que honre sua palavra e trate todos os soldados que entregarem as armas com respeito, permitindo-lhes passagem segura para fora de Koral como se fossem civis comuns." pediu Su Pei, enquanto Leo apenas acenava casualmente com a mão em resposta.
"Por favor, me chame apenas de Leo. E sim, qualquer soldado que se renda voluntariamente será tratado como civil, sem perguntas. Mas se alguém ousar se rebelar ou criar caos por ilusão de patriotismo distorcido, garantirei que seja punido sem misericórdia." respondeu Leo, com a voz firme, enquanto Su Pei agradecia com um gesto de cabeça e silenciosamente se despedia.
No final, Su Pei sabia que o melhor que podia fazer agora era oferecer a seus homens uma chance de sobreviver... uma chance de sair de uma batalha já perdida.
E embora esperasse que a maioria aceitasse essa realidade, sabia que sempre haveria alguns cegos pelo orgulho, que se recusariam a se render e prefeririam lutar mesmo quando não havia mais nada a defender.
E mesmo com o coração apertado por esses homens, ele sabia que não poderia ajudá-los se eles não quisessem ajudar a si mesmos.
"Certo, Viper. Vamos voltar. Ainda preciso pensar na melhor forma de explicar tudo isso para Veyr…" murmurou Leo, coçando a cabeça desconcertado.
Dupravel olhou na direção de Valterri e Veyr, que estavam escondidos, contudo, decidiu ficar em silêncio por ora, jogando o jogo da aparência de ignorância.
"Como desejar," respondeu calmamente, enquanto ambos começavam a retornar à base militar da Zona Um.
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Dupravel deliberadamente atrasou seu retorno à base da Zona Um, garantindo que Valterri e Veyr chegassem antes deles.
Assim que voltaram, Leo não perdeu tempo e foi direto procurar Veyr, encontrando-o dentro de seu quarto, recostado numa cadeira, engolindo um copo de água e tentando recuperar o fôlego.
"O que foi com você? Por que essa respiração de quem acabou de correr uma maratona?" perguntou Leo ao entrar, e Veyr fingiu confusão, tentando se acalmar rapidamente e agir como se nada estivesse incomum.
"Respiração de quê?" respondeu Veyr, fingindo que não tinha acabado de correr uma maratona, enquanto Leo elevava uma sobrancelha, mas decidiu não insistir.
"Pois bem, primo… tenho boas e más notícias," começou Leo, caminhando até ele, compartilhando tudo sobre como Dupravel voltou com Su Pei, como acabou recrutando o comandante inimigo para seu lado, e como Su Pei agora planejava ordenar a rendição de seus homens.
Enquanto Leo falava, Veyr permanecia em silêncio, olhando para baixo, de vez em quando lançando olhares furtivos em direção a Valterri, que fixava o olhar no chão e não dizia nada.
"A boa notícia é… que a guerra pode acabar bem mais cedo do que esperávamos, e dezenas de milhares de vidas podem ser poupadas."
A má notícia é… que nossas tropas não vão adquirir a experiência de batalha necessária para evoluírem. Ainda serão novatos, sem a exposição que forma veteranos." concluiu Leo, enquanto Veyr se levantava e colocava a mão firme no ombro dele.
"Haverá outras guerras, primo. E muito tempo para que eles ganhem experiência.
Por ora, acho que salvar vidas já é mais do que suficiente.
Você se saiu muito bem hoje. E EU CONCORDO COM TUDO QUE PROMETEU," disse, elevando um pouco a voz no final, claramente falando com alguém ali na sala, e não com Leo.
Mais uma vez, Leo levantou uma sobrancelha.
"O que está acontecendo aqui?" voltou a perguntar Leo, mas mais uma vez, Veyr fingiu não entender.
"Acontecendo? Não está acontecendo nada," Veyr deu de ombros, atuando de forma exagerada, enquanto caminhava em direção à janela e olhava lá fora com os braços cruzados atrás das costas. "Só estou admirando o tempo."
Leo franziu um pouco os olhos, mas deixou passar por ora. Ele tinha assuntos mais importantes do que ficar caçando o jogo estranho de Veyr e Valterri.
"Partirei para Sanfe City amanhã," disse Leo de modo calmo, mudando de assunto. "Preciso acompanhar a rendição pessoalmente e garantir que nenhum Major ou Tenente sob comando de Su Pei tente alguma travessura às escondidas."
"Quer que eu vá com você?" ofereceu Veyr, com o tom voltando ao normal.
"Não. Fique aqui e supervisiona a rendição de outras cidades maiores.
Mantenha a linha de comunicação aberta, caso algo mude. E, mais importante… comece a se preparar para a próxima fase da guerra, que é a transferência civil e a mensagem universal sobre a tomada do culto."
Veyr concordou sem hesitar, finalmente levando a conversa a sério.
"Entendido."
Leo então virou-se para Valterri, que permanecia calado no canto o tempo todo, com a expressão difícil de ler.
"Não sei o que aconteceu com você hoje, mas proteja Veyr. Nos próximos dias, ele estará mais vulnerável a quem quer matá-lo."
"Sob seu comando, Senhor Dragão Sombrio," respondeu Valterri, com a cabeça levemente abaixada.
Sem mais nada a dizer, Leo olhou mais uma vez para o primo e saiu silenciosamente do cômodo.
Se tudo ocorresse conforme o planejado, a conquista do planeta Koral poderia estar concluída em 10 a 14 dias.