
Capítulo 522
Assassino Atemporal
(Planeta Koral, Quartel do Tenente Aaron, 22h04)
Nesse dia específico, Leo e Veyr decidiram se reunir na sala de Aaron para a noite, apenas para quebrar a rotina do dia a dia.
Veyr foi o primeiro a falar, relatando detalhadamente a conversa que teve mais cedo com o Major, transmitindo tanto as palavras trocadas quanto as nuances sutis que as acompanhavam.
Ele pintou um quadro claro de um homem que era ao mesmo tempo ponderado e inabalável, alguém que falava da Cultue não com medo, mas com uma confiança tranquila, que Veyr achava perturbadora.
"O que mais me assustou, Tio, foi como ele disse que a Fação Righteous aprendeu com os erros do passado na luta contra a Cultue," murmurou Veyr, o maxilar apertado enquanto seus dedos se fechavam suavemente em uma fistinha contra o joelho. "Parecia quase demais seguro de si… como se já soubesse exatamente como nos esmagar se tentássemos alguma coisa."
Leo recostou na cadeira, apoiando o cotovelo no braço enquanto massageava o queixo, com uma expressão difícil de decifrar. "Hmmm…"
Mas, diferente do seu primo, Leo não parecia especialmente nervoso.
"Olha," começou calmamente, com um tom pensativo, mas firme, "se você tem uma sensação, siga com ela. Investigue até entender o motivo da confiança deles, porque entender seu oponente é sempre fundamental."
Ele fez uma pausa antes de continuar.
"Mas não deixe que esse fator desconhecido te distraia totalmente. Já temos mais do que bastante com o que lidar. Nossos objetivos principais são claros: descobrir como desativar o núcleo do escudo de mana deles, para abrir um ponto de entrada para nossas naves, e também saber se eles têm forças aliadas próximas que possam responder a um sinal de socorro."
Ele se inclinou para frente, com uma expressão mais séria.
"Essas duas variáveis vão determinar o ritmo da guerra. Quão rápido podemos atacá-los, quanto tempo podemos manter a vantagem e, no final das contas… quantas vidas vamos perder nesse processo."
Leo deixou essa dúvida pairar por um instante, antes de finalizar: "Se houver outra ameaça oculta além dessas duas, algum truque na manga deles, então sim, devemos nos preparar para ela.
Mas sempre haverá esses incógnitas na guerra….
E simplesmente não é possível planejar tudo sempre.
Chega um momento em que você precisa confiar no plano e dar o salto."
Os olhos de Veyr estreitaram-se levemente enquanto ele balançava a cabeça.
"Mas essa não é uma variável qualquer, Tio. Estamos falando da vida de dezenas de milhares de pessoas… pessoas que confiam em mim para liderá-las, protegê-las. Sou o Dragão deles, e não vou deixar que minha negligência na espionagem seja a razão de suas mortes."
Sua voz não levantou tom, mas a intensidade por trás dela era inconfundível. Havia fogo em suas palavras agora, convicção na sua postura, e o olhar de Leo se afinou enquanto observava seu primo falar com tamanha determinação.
'Hmmm?' Leo pensou silenciosamente, um pouco surpreso. Era a primeira vez que Veyr realmente abraçava o papel que lhe fora atribuído, não por dever, mas por uma espécie de posse pessoal.
'Então finalmente está assumindo o papel do Dragão, hein?', pensou Leo, os lábios se cerrando um pouco ao assentir, enquanto um suspiro profundo escapava.
*Suspiro*
"Certo então," disse por fim, com a voz mais baixa agora. "Vamos dividir o trabalho de agora em diante. Eu vou focar em derrubar o escudo de mana e descobrir os protocolos de reforço deles. Você se dedica a descobrir esse truque na manga… e, mais importante, comece a fazer reconhecimento do comandante planetário."
Ele fez uma pausa.
"Segundo minhas pesquisas de hoje, há um comandante da família Su neste planeta, localizado na Zona 1, que é o único lutador de nível Monarca aqui."
Minha intuição diz que ele pode ser a raiz da confiança deles."
Veyr relaxou um pouco os ombros, assentindo firmemente. "Obrigado, primo. Sinceramente. No final das contas… você é a única pessoa em quem realmente posso confiar. Sei que isso aumenta bastante sua carga de reconhecimento, mas tenho certeza de que você vai conseguir."
Leo não respondeu imediatamente, mas seu semblante suavizou um pouco ao olhar em direção à janela, onde a luz fria das estrelas de Koral penetrava de forma tênue pelo vidro transparente.
"Estamos nisso juntos," disse em tom silencioso. "Sempre estivemos."
Desde a manhã seguinte, Leo e Veyr passaram a agir em direções completamente diferentes, cada um dedicado integralmente à sua metade da missão, deixando de relatar os pequenos progressos e reunindo-se apenas quando alguma questão realmente crítica surgia.
Leo, como sempre, preferia trabalhar nas sombras. Usou a autorização de Larry para se infiltrar silenciosamente em várias reuniões de comando de divisões distintas, sem fazer perguntas diretas, apenas ouvindo, observando e juntando as sutilezas por trás das operações da base.
Prestou atenção a detalhes que a maioria ignoraria, como de onde exatamente vinham os caminhões que traziam cristais de mana para a instalação do escudo?
E se eles retornavam com resíduos ou não.
Também aproveitou suas habilidades de Assassino, identificando pontos cegos nas redes de vigilância e oficiais júnior que poderiam ser manipulados, corrompidos ou simplesmente pressionados por informações sem que percebessem que estavam entregando algo.
Cada caminhada noturna, cada comentário despretensioso no refeitório, cada conversa aparentemente trivial virou uma ferramenta em seu arsenal, enquanto ele estrategicamente buscava vulnerabilidades na estrutura da base.
Veyr, por outro lado, abordava as coisas como um comandante que se prepara para a guerra.
Passava seus dias analisando listas de oficiais e registros de solicitações, compilando nomes de oficiais superiores destacados em Koral, especialmente aqueles que já tinham trabalhado em missões fora do horário oficial.
Requisitava direitos de inspeção das tropas sob o pretexto de verificar moral e disciplina, usando essas visitas para avaliar discretamente quais unidades recebiam tratamento especial, equipamentos incomuns ou briefing secretos.
Sua perguntas eram mais incisivas, mais pontuais do que as de Leo, muitas vezes feitas à luz do dia, mas sempre de forma a não levantar suspeitas.
E assim, com uma determinação silenciosa, os dois primos começaram a cavar em busca das verdades que precisavam, cada um na sua maneira, lentamente se aproximando de seus objetivos específicos.