
Capítulo 479
Assassino Atemporal
(Planeta Vorthas, Instalações de Treinamento do Jovem Décimo Segundo Elder)
Dois dias completos haviam se passado desde o início do treinamento de Forma Animal.
Dois dias de dor intensa, noites sem dormir e tentativas e erros contínuos, sob o zumbido das bobinas de cobre e o sussurro das soldas a vácuo.
Apesar de tudo isso, Leo progredia.
Seu corpo, há muito acostumado ao estresse e aos microajustes, começava a responder ao treinamento de formas sutis, mas perceptíveis.
Ele aprendeu a isolar o músculo braquial sem deixar sua mana escapar para o tríceps, a aumentar a retenção de água nas fibras do antebraço sem distorcer as proporções, e a reestruturar a simetria visual de um bíceps sem interromper o fluxo sanguíneo.
E agora, diante do Décimo Segundo Elder mais uma vez, Leo mantinha seu braço direito em um ângulo perfeito, com a forma quase idêntica à primeira imagem na placa de dados.
Seus músculos não inchavam de forma artificial. As veias permaneciam na mesma posição do modelo de referência. Até a curvatura do deltóide e o ângulo do cotovelo estavam exatamente iguais.
O Elder avançou sem falar, examinando minuciosamente cada detalhe com um olhar severo… avaliando tom, densidade, forma, conexão nervosa e fluxo de mana.
Ele tocou a placa uma vez. A tela piscou.
"Aprovado", afirmou de forma impassiva, antes de passar para a próxima imagem. "Agora, faça essa."
Leo estreitou os olhos. O próximo braço parecia diferente; parecia mais longo, mais definido, com uma veia radial mais visível e uma densidade de fibras mais apertada perto do pulso.
Mas ele não reclamou.
Simplesmente virou-se para a máquina e começou a relaxar o braço para o reset, enquanto o Elder mudava seu olhar para o lado oposto da instalação.
"Veyr."
O jovem primo fez uma leve reação, o suor ainda escorrendo pela testa, enquanto massageava o antebraço direito, que agora estava inchado e desigual após uma tentativa frustrada alguns minutos antes.
"Você está atrasado", disse o Elder. "Recupere o ritmo."
"Estou tentando", murmurou Veyr entre os dentes cerrados, girando lentamente o braço enquanto franzia a testa de dor. "Mas é como se, quando acerto a ponta, a densidade muda, ou as veias desaparecem, ou os nervos travam..."
"É porque você está forçando o resultado visual", respondeu o Elder. "Forma Animal não é fantasia. É imitação anatômica. Você precisa entender a função antes de moldar a aparência."
Leo manteve a cabeça baixa, sem dizer uma palavra, rewindando mentalmente o processo e se preparando para a próxima transformação.
Mas, pela primeira vez desde o início do treinamento, ele se viu olhando de lado—vendo Veyr sentar-se ao lado da máquina, resmungando silenciosamente enquanto revisava os diagramas repetidas vezes, claramente frustrado, claramente perdido.
Leo soltou um suspiro devagar.
Já não eram mais rivais. Isso já estava decidido.
Agora, eram parceiros ligados pela mesma herança.
E, mesmo que ser irmão mais velho não lhe fosse natural, algo na sinceridade de Veyr durante esses dois dias de treino ficou com ele—suficiente para despertar um silêncio sentimento de obrigação, ou talvez até o início de uma camaradagem.
"Você está fazendo errado", finalmente disse Leo, com a voz calma, mas firme.
Veyr olhou para cima, piscando confuso. "O quê?"
"Acho que você não entende bem a anatomia humana de um nível fundamental", continuou Leo, seu olhar passando para a forma distorcida do músculo que Veyr tinha formado. "Você chegou a receber alguma orientação formal sobre isso?"
Veyr soltou uma risada seca. "Fui criado órfão. A única educação que tive foi o que consegui juntar por mim mesmo."
Leo concordou, não com pena, mas com compreensão. "Então, beleza. Pegue sua placa de dados e venha aqui. Tenho algo importante para te mostrar."
Veyr hesitou por um instante, um pouco desconcertado. Não esperava que Leo fosse ajudá-lo. Mas, como o homem estava se oferecendo, ele não tinha orgulho suficiente para recusar. Sem dizer uma palavra, avançou e ficou ao lado de Leo, com a placa na mão.
Leo se inclinou e guiou Veyr pelo funcionamento da interface, abrindo um diagrama anatômico detalhado do braço humano. Começou a apontar o braquial, o braquiorradial e diversos músculos menores cujo nome Veyr nem sabia.
"Esses aqui são os que você deve isolar", explicou Leo. "Você não está apenas bombeando mana aleatoriamente para o braço. Cada fibra tem uma função. Algumas criam volume. Outras dão controle. Algumas sustentam a forma. Se você não souber qual é qual, nunca vai conseguir reproduzir a imagem corretamente."
Veyr franziu a testa, as sobrancelhas unidas. No começo, tudo parecia uma confusão de nomes desconhecidos e fibras musculares. Mas Leo foi paciente. Ampliou a visão, rodou os modelos e até mostrou uma divisão em camadas do que cada músculo fazia quando contraído ou relaxado.
"Tente contrair essa parte aqui", disse Leo, apontando uma região logo abaixo do bíceps. "Sente? Agora, olhe para o diagrama. Essa é a parte que você está saturando muito cedo. Afaste-se um pouco. Direcione para cá ao invés."
Passo a passo, Veyr começou a entender. Sua confusão deu lugar à clareza, até que finalmente compreendeu qual músculo fazia o quê, e como cada um respondia a comandos específicos de mana.
"Ah... então é esse músculo que tinha que canalizar mana", murmurou, os olhos arregalados, quando as peças se encaixaram.
Leo deu um pequeno aceno de cabeça. "Exatamente."
Com o foco renovado, Veyr voltou à sua máquina e tentou novamente. Desta vez, guiado tanto pela referência visual quanto pelas correções de Leo, conseguiu imitar quase perfeitamente a primeira imagem de referência em duas horas.
O Décimo Segundo Elder inspecionou seu trabalho e deu um curto assentimento de aprovação antes de passar para a segunda imagem. "Próxima."
Veyr olhou para Leo, sua respiração ainda pesada pelo esforço, mas seu olhar iluminado por algo novo.
Gratidão. Séria e sincera.
Este momento elevou ainda mais a estima de Leo, pois, mesmo sem precisar, ele ainda oferecia dicas reais e úteis.
Mesmo na situação mais difícil, Veyr começou a sentir uma conexão genuína com Leo.
Não era exatamente amizade ainda.
Mas já era um começo.
Seu primo, afinal, não parecia um homem tão mau assim.