
Capítulo 477
Assassino Atemporal
Quando o Décimo Segundo Elder começou sua demonstração real de como dominar lentamente a técnica, tanto Leo quanto Veyr já haviam aceitado que aquilo não seria uma aula convencional.
Não haveria bonecos de treino ou equipamentos para aprender… Somente metal, tiras e dor.
"Teoricamente, você pode começar a aprender essa técnica usando qualquer aparato aqui, mas, para simplificar, vamos começar com este, que provavelmente é o grupo muscular mais fácil para vocês dominarem—" Disse o Elder, parando diante de uma máquina grande, em forma de barril, cuja superfície externa era coberta por faixas de aço flexível e bobinas de cobre embutidas.
Ele fez sinal para que prestassem atenção, então levantou as mangas do robe e colocou seu braço dominante na estrutura.
"Este aparelho trabalha o músculo braquioradial, braquialis e o tecido conectivo ao redor do seu braço dominante…"
"Como seu braço pode ser o tecido que você já está acostumado a usar em isolamento, vamos começar treinando essa parte primeiro."
A máquina fez um chiado. As faixas se prenderam. Os músculos tremiam sob a pele do Elder enquanto as bobinas se ativavam, criando um selo de vácuo ao redor do antebraço dele que começou a exercer pressão.
A princípio parecia que ele só estava apertando as mãos. Mas, em segundos, Leo e Veyr perceberam uma mudança.
O braço do Elder expandiu-se, não de forma grotesca, nem de jeito exagerado de desenho animado, mas com uma precisão extrema.
Vinhas ficaram mais grossas.
Fibras se realinando.
O que antes parecia um braço treinado, porém normal, agora assemelhava-se ao de um fisiculturista de elite, até mesmo nas estriações naturais do músculo.
"O que estou fazendo aqui não é só inflar o músculo com mana," explicou, com a voz calma mesmo com a máquina vibrando de esforço. "Estou reconstruindo o tecido de forma natural.
Estou canalizando mana para a região desejada e permitindo que meus músculos absorvam água do meu corpo rapidamente para aumentar de volume."
"Para evitar deformações, também reforço as fibras musculares com mana, e, lentamente, deixo que elas se ajustem na minha estrutura antes de reconectá-las aos nervos."
Com a mão livre, ele bateu no próprio bíceps. Não mexeu. Quase não se mexeu.
"Isso não é uma ilusão. É uma transformação estrutural. O músculo aprendeu a expandir, contrair e manter a forma sob comando."
Depois, ele reverteu o processo.
Em menos de três segundos, o braço que tinha inchado para parecer de um campeão genético voltou ao tamanho original… com aspecto firme, magro e comum.
"Isso," disse ele, retirando o braço e indo até um conjunto de tablets de dados, "é sua próxima missão."
Os tablets ativaram automaticamente quando os dois garotos avançaram, e as telas se iluminaram com uma grade de imagens em alta resolução.
Centenas de silhuetas humanas. Cada forma, tamanho, densidade e tom de pele imagináveis estavam disponíveis na tela, enquanto o décimo segundo Elder selecionava aproximadamente 25 imagens diferentes delas.
"Estas são algumas das formas de braço que quero que vocês aprendam a copiar. E, quando conseguirem reproduzir todas as 25 com perfeição, passamos para o próximo grupo muscular—" Disse, enquanto Leo e Veyr folheavam as imagens escolhidas.
Alguns braços eram longos e magros.
Outros, curtos e pesados.
Alguns apresentavam ombros exagerados, tríceps minimalistas ou veias assimétricas.
Alguns pareciam completamente naturais. Outros, sutilmente aprimorados por anos de bioengenharia ou aumento mágico.
"Quanto de semelhança a reprodução precisa ter?" perguntou Leo, já calculando mentalmente o processo.
"Perfeita," respondeu o Elder sem hesitar. "Sem flacidez. Sem estreitamento artificial. Sem incompatibilidade visual com suas proporções atuais. Se você deseja virar um soldado com braços de vinte polegadas, então precisa se tornar esse soldado. Não basta parecer com ele."
Leo deu uma leve sonora, mas assentiu, o desafio já despertando uma competição interna nele.
Veyr, por sua vez, parecia sobrecarregado. Folheava as imagens, com os dedos tremendo enquanto observava músculos após músculos, tamanhos após tamanhos. Não havia padrão ou ritmo na galeria. Cada um parecia completamente diferente do outro.
"Isso é loucura," murmurou.
"Não," corrigiu o Décimo Segundo Elder. "Loucura seria eu esperar que você recriasse a aparência de Orc ou Demônio… Isso aqui é simples."
Ele fez um gesto de volta para a máquina.
"Agora, ambos, insiram seus braços dominantes na máquina. Vamos começar o primeiro ciclo de treino. Sua missão será isolar o braquialis, canalizar mana nas fibras sem deixá-la transbordar para o tecido ao redor, e tentar sua primeira expansão controlada."
Leo foi o primeiro. Deslizou o braço nas bobinas e sentiu o aperto frio envolver sua pele como uma cobra faminta.
Veyr seguiu, com hesitação.
Com ambos presos, o Elder ativou a máquina.
*CLANK*
O vácuo interno foi acionado. As faixas de cobre apertaram-se. O calor percorreu o metal enquanto uma suave pulsação elétrica surgiu, estimulando os músculos com precisão.
"Concentre-se no controle," instruiu o Elder. "Não na força bruta. Não é sobre encher de mana como se estivesse inflando um balão. Você precisa acompanhar cada fio do músculo, desde a inserção até a origem. Focar, isolar, expandir, sustentar."
Leo fechou os olhos, já visualizando sua circulação interna. Canalizou mana para o braço direito, guiando cuidadosamente além do deltoide, ignorando o tremor no ombro, e direcionando-o até o braquialis.
Sentiu as fibras se alongarem, resistirem, tremerem, e, lentamente, responderem, absorvendo água das células do sangue para crescerem.
Veyr fez um gesto de dor ao seu lado. Sua mana escapava pelo punho, causando uma pontada de dor que subia pelo braço.
"Muito amplo," disse o Elder secamente. "Seu foco está disperso. Puxe a energia para dentro, atrás do cotovelo, não por ele."
Veyr rangeu os dentes e ajustou a postura.
Começaram a suar na testa. Cada segundo parecia uma eternidade. A máquina não aliviava. Pelo contrário, a pressão só aumentava.
"Este é o primeiro de 108 aparelhos," anunciou o Elder com frieza, enquanto o zumbido ao redor deles ficava mais alto.
"Cada um deles atua em uma parte diferente do corpo. Alguns vão trabalhar sua mandíbula. Outros, seus dedos. Outros seu tórax, suas orelhas, sua língua, seu diafragma, sua coluna."
Veyr sentiu o estômago se apertar. Treinar as orelhas? A própria língua? Que tipo de monstros criaram esse programa?
"Sua missão é dominar todos eles. Só assim seu corpo ficará maleável o bastante para a transformação total. Até lá," o Elder fez uma pausa, abaixando a voz, "considerem isso apenas um treino de músculos isolados."
Leo não disse uma palavra. Não precisava.
Porque, no fundo, ele já sabia,
Que essa ia ser uma temporada de treinamento infernal, e que só tinha começado.
No entanto, enquanto Leo permanecia calmo de forma inquietante, mesmo com a pressão da máquina subindo, Veyr não conseguia esconder seu desconforto. Ele winced, gemeu e se mexeu nas cordas, claramente despreparado para uma dor contínua e específica.
"Que diabos, Skyshard? Você é só um Grande-Mestre… por que não está pisando na bola sob essa pressão?" Veyr perguntou entre os dentes, alguns minutos após o ciclo começar.
Leo deu um sorriso suave e balançou a cabeça.
"Dor e eu temos uma história longa, primo. Isso? Isso não é suficiente para fazer eu piscar."