Assassino Atemporal

Capítulo 388

Assassino Atemporal

(Ponto de vista de Leo, a bordo da Nave de Patrulha Cultista)

Leo seguiu silenciosamente enquanto dois acompanhantes encapuzados o conduziam pelos corredores de metal da nave de patrulha, com as botas tocando suavemente o chão limpo.

Cada curva revelava outro corredor cheio de olhos curiosos, todos interrompendo suas tarefas para lançar olhares atrás de terminais e anteparos.

Alguns fingiam estar ocupados com algo, só para olharem de lado no instante em que ele passava. Outros olhavam abertamente, sem vergonha, impressionados.

Por onde passava, as conversas paravam no meio da frase. Alguns sussurravam por trás das mãos, e uma mulher até deu uma risadinha alto antes de se calar rapidamente, com as bochechas coradas e os olhos brevemente cruzados com os de Leo.

Ele parecia uma criatura sendo exibida em um viveiro de vidro.

Uma criatura que não era temida, mas venerada.

A atenção fazia seus ombros se tensionarem um pouco, pois, mesmo não gostando nem um pouco de tanta reverência, ele de alguma forma conseguiu manter a expressão neutra.

Quando chegaram ao final do corredor, ele se abriu numa ante-sala curva com paredes revestidas de painéis prateados e uma iluminação suave ambiente.

Uma única porta deslizou silenciosamente, revelando o que só poderia ser uma sala de comandante, pois era a maior e mais mobiliada de todas as outras na nave.

Era simples em seu design, com apenas uma cama, um armário, uma mesa e uma cadeira, mas os móveis eram, indubitavelmente, de alta qualidade e acabamento premium.

Leo entrou lentamente, os olhos passando por cada detalhe.

"Meu Senhor, por favor, descanse aqui", disse o homem que caminhava um pouco à frente dele.

Ele vestia um uniforme azul profundo, com detalhes prateados e uma estrela de sete pontas no colarinho. Sua voz era formal, mas tremia com algo que Leo não conseguiu identificar.

"Chegaremos ao destino em aproximadamente trinta horas", continuou o homem, abaixando a cabeça em uma reverência profunda. "Este é Landen. Ele ficará do lado de fora da sua porta. Não permitirá que nenhuma perturbação o Alcance. Se precisar de algo… comida, bebida, roupas, informações… peça a ele."

Leo assentiu, sem dizer uma palavra.

O capitão fez uma reverência mais uma vez, depois recuou e deixou a porta deslizar para fechar atrás de si, deixando Leo na sala silenciosa e com pouca luz.

Ele permaneceu em pé por um longo momento, os dedos suavemente tensos ao lado do corpo, os olhos fixos na cama macia e no brilho dourado do ambiente.

Parecia demasiado confortável. E demais silencioso, para seu gosto.

Não sentia conforto nesse luxo, nem facilidade na reverência. Apenas um pressentimento de estar sendo observado—mesmo quando sozinho. Como se, em algum lugar, fora da vista, alguém estivesse observando cada movimento dele, anotando suas preferências, seu silêncio, seu olhar.

Inspirou lentamente e sentou-se na beirada da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas enquanto encarava a porta fechada.

Fora, Landen permanecia em posição rígida.

Dentro, Leo sentia o peso de cada par de olhos que tinha seguido seus passos pelos corredores, ainda pairando sobre sua pele.

E embora o colchão fosse macio e a luz suave, ele sabia que não descansaria tranquilo naquela noite... pelo menos, não nesta nave.

'Espero ver minha família em breve…' pensou Leo, enquanto finalmente se deitava na cama, relaxando os músculos e deixando a tensão acumulada nos últimos dias dissipar-se lentamente.


(Ponto de vista do policial Jayden, próximo ao espaço aéreo do Planeta Twin Fang)

A nave cultista disfarçada flottava silenciosamente pelo vazio, com aparência humilde e discreta—nada mais do que uma nave de entrega de nível civil, à vista de todos.

Porém, sob a blindagem falsa, doze soldados cultistas altamente treinados estavam prontos para um assalto.

Jayden permanecia perto do banco traseiro da cabine de comando, vestido com equipamento fosco elegante, um capacete escuro repousando sob um braço enquanto monitorava as leituras holográficas.

Sua expressão era calma, mas alerta, olhos afiados focados conforme a nave se aproximava lentamente da órbita do Twin Fang.

Quando os sensores do planeta sinalizaram autorização para uma entrada de desembarque de baixa prioridade, Jayden virou-se para a tripulação.

"Vamos fazer a infiltração em menos de dois minutos. Mantenham a calma, não pode haver erro agora", instruiu, enquanto os outros nervosamente batocavam os pés e esfregavam as mãos.

Assim que a nave chegou à distância mínima necessária do ponto de âncora dimensional do Black Serpent Vault, Jayden rapidamente abriu o diagrama do portal que lhe foi dado pelo Mestre Argo, alimentando-o com quatro cristais de mana de alta qualidade para iniciar a conexão.

*BRRRR*

Um zumbido suave preencheu o ar, enquanto o diagrama do portal na nave se conectava à estrutura do portal dentro do cofre, abrindo um portal dimensional.

"Temos aproximadamente um período de 18 minutos", disse Jayden firmemente, pressionando o cronômetro de contagem regressiva em seu console de pulso. "Todos ajustem seus relógios com o meu agora."

*Tchik*

Um por um, os onze soldados atrás dele sincronizaram seus cronômetros com o dele. Em silêncio, colocaram suas máscaras de oxigênio, verificaram seus equipamentos e se prepararam para atravessar.

Jayden liderou, mergulhando no portal sem hesitação.

A transição foi instantânea.

Seus botas tocaram suavemente um piso polido, o ar frio e silencioso ao redor.

Ao seu redor, a vasta câmara interna da Guilda do Black Serpent se estendia como uma catedral de ganância, com tesouros flutuando suavemente em campos de estase, suspensos por runas anti-gravidade.

Armas, artefatos, pedras antigas, orbes cristalinos, joias reluzentes… em todos os cantos, o ar estava carregado de riqueza desprotegida.

Um por um, seus soldados surgiram atrás dele, armas empunhadas, olhos arregalados.

Jayden não precisou falar.

Sinais manuais.

Ele movia os dedos em uma sequência precisa, sinalizando o plano.

Três homens, incluindo ele, avançariam para o pergaminho-objeto.

O resto? Limparia a câmara de todo o saque possível, colocando os artefatos em seus anéis de armazenamento.

O time dispersou-se em formação perfeita. As equipes de saque moveram-se rapidamente, carregando artefatos em seus anéis de armazenamento, sem resistência alguma, como se o cofre nunca tivesse sido feito para roubo de dentro.

Enquanto isso, Jayden correu para o extremo oposto da sala, onde uma estrutura de vidro estreita pulsava com runas de proteção.

Dentro, flutuando sobre um suporte de veludo preto, estava o pergaminho—selado atrás de sete camadas distintas de vidro transparente grosso, cada uma vibrando com seu próprio circuito defensivo.

Ele fez mais sinais manuais.

O soldado à sua esquerda rapidamente soltou uma pequena ampola do cinturão. Dentro, havia um líquido verde-escuro, viscoso como alcatrão, com pequenas bolhas que borbulhavam violentamente mesmo na contenção.

Veneno de rã de pântano antigo.

Jayden deu um passo para trás enquanto o soldado soltava o selo da ampola e, com precisão cirúrgica, despejava seu conteúdo ao longo da junta do painel de vidro externo.

*SSSSHHH*

Um assovio ecoou enquanto a fumaça subia. O veneno grudava no vidro e começava a corroer a malha molecular, a superfície chiando e rachando lentamente sob seu peso.

Então—

*CRACK*

A primeira camada se quebrou com um estalo limpo e frágil.

Imediatamente, a atmosfera do cofre mudou.

*VREEEEEEE*

*VREEEEEEEEE*

*VREEEEEEEEE*

As luzes acima mudaram de branco suave para vermelho intenso.

Alarmes sopraram furiosamente por todo o cofre, abafando qualquer outro som na sala.

Jayden não hesitou, esperando por isso, mas isso não tornava tudo menos perigoso.

Ele tocou seu comunicador uma vez e fez um gesto de corte com dois dedos, enquanto rapidamente dois soldados interrompiam o saque, jogando seus anéis de roubo aos colegas e se dirigindo para a entrada da câmara, preparados para defender até a morte.

Esses dois seriam os últimos a sair, junto com Jayden, pois, enquanto os demais deveriam sair assim que concluíssem sua parte na missão.

Jayden e esses dois só poderiam sair com o pergaminho… ou não sairiam de jeito nenhum.

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