
Capítulo 398
Assassino Atemporal
(30 minutos depois, no mesmo refúgio oculto)
Aproximadamente meia hora após Leo ter revelado que já memorizara o conteúdo do pergaminho perdido, os dois anciãos finalmente decidiram dispensá-lo, enviando-o de volta à Área do Hangar, sob a justificativa de que seu papel ali tinha acabado.
No entanto, na verdade, eles apenas precisavam de um pouco de privacidade para conversar francamente sobre a estratégia futura, sem a pressão dos olhos penetrantes do garoto pesando sobre suas palavras.
Assim, com Leo fora de cena, a sala, que antes tinha uma atmosfera tensa por trás de conotações políticas, agora se acomodou em uma calma suave, enquanto o Primeiro Ancião pegava com cuidado um novo saquinho de folhas de chá e começava a preparar uma nova rodada, com mãos deliberadas e firmes.
"Então, o que você acha do garoto?" perguntou o Ancião doze, quebrando o silêncio ao se recostar levemente, com os braços cruzados, seu tom casual, embora uma leve preocupação fosse perceptível por baixo dele.
O Primeiro Ancião não respondeu imediatamente. Em vez disso, mexeu a panela delicadamente, observando o vapor subir em redemoinho antes de falar, sua voz calma e reflexiva.
"Acho que o menino caminha na linha tênue entre paixão e contenção. Ele dá a impressão de estar alheio, mas de vez em quando, dá pra ver sua expressão se quebrar… só por um instante.
Então, acho que, por trás dessas respostas calmas e do olhar frio, ele realmente arde."
"Tem fogo nele, e é bem mais apaixonado do que aparenta."
Ele fez uma pausa por um momento, servindo o chá com uma mão suave antes de continuar.
"Isso dito, ele é ponderado. Pensativo. Nunca reage sem calcular as consequências, e mesmo quando tudo está contra ele, não perde a vontade de continuar lutando.
Na minha visão, só isso já o diferencia da maioria dos jovens tolos que não sabem o quão alto é o Monte Tai."
Ele colocou uma xícara diante do Ancião doze, depois se sentou diante dele com a sua.
"Claro que, controlar ele não será fácil. Não é do tipo que acena com a cabeça automaticamente e segue ordens. Ele vai questionar tudo. Vai contra as pequenas detalhes. Vai discutir sobre métodos, sobre o significado. Se acharmos que podemos mantê-lo na linha como qualquer um dos nossos peões, sairemos frustrados."
O Primeiro Ancião tomou um gole lento, depois abaixou a xícara.
"Mas, mesmo com essa veia rebelde, ele ainda é um bom candidato a se tornar o Dragão. Talvez até o melhor em décadas. Ele possui a inteligência ágil que o papel exige, mas também a arrogância que faz as pessoas se unirem atrás dele. Essa mistura de inteligência e orgulho é rara, e é o que pode fazer os outros acreditarem na sua força."
Seu tom escureceu um pouco.
"Ainda assim, vamos ser sinceros. Nós só o temos sob controle porque manipulamos sua família. Essa é nossa corda. E, no dia em que ela se romper… será o dia em que ele deixará de nos escutar. Portanto, devemos ter cuidado para não exagerar na jogada."
Houve uma pausa, longa e pensativa, enquanto a declaração permanecia no ar como um aviso severo.
"Concordo. Vou tomar cuidado," disse o Ancião doze após um tempo, segurando a xícara de cerâmica quente enquanto fazia uma pausa para um gole cauteloso. "Não vou confiar na carta da família a não ser que seja absolutamente necessário. Se pressionarmos demais, ele começará a arquitetar uma volta. E, se ele começar a arquitetar uma volta… já teremos perdido."
A quietude voltou por alguns segundos, quebrada apenas pelo sussurrar de um riacho ao longe, além das paredes do retiro.
"E quanto à reunião anual que vai acontecer no Planeta FrostBurn?" perguntou o Ancião doze, mudando de assunto com uma nota de tensão na voz. "Você já tem uma estratégia em mente para como vai jogar isso?"
O Primeiro Ancião olhou para cima novamente, os olhos dirigindo-se à claraboia aberta acima enquanto uma brisa suave agitava as folhas lá fora.
Sua expressão era relaxada, enquanto um sorriso quase de diversão surgia nos seus lábios.
"Sim, eu já sei como jogar."
Ele se inclinou um pouco para frente, seu tom ficando mais deliberado.
"Se o garoto realmente memorizou o pergaminho, então posso argumentar fortemente que ele seja nomeado Dragão, mesmo sem o artefato físico. Vou apresentar como uma providência divina, a mente prodigiosa do garoto compensando nossas falhas táticas."
Ele pausou novamente, girando o restante do chá antes de dar mais um gole.
"Mas, para que esse discurso seja convincente… talvez eu precise te repreender em público," disse, olhando para seu colega de conselho, suas palavras nem cruéis nem zombeteiras, mas pragmáticas.
A face do Ancião doze se tensionou, linhas de expressão surgindo nas bordas dos olhos. Ser repreendido publicamente na Câmara do Conselho nunca era agradável, e certamente não ajudava na aparência, mas ele sabia que era necessário.
O orgulho precisava ficar em segundo plano quando o poder político entrava em jogo, e assim, ele assentiu sem protestar.
"Se for preciso, vou suportar."
O Primeiro Ancião recostou-se, satisfeito.
"Não se preocupe. Mesmo que eu não consiga nomear Skyshard como Dragão na próxima sessão, pelo menos não vou deixar que Veyr assuma o posto. A última coisa que podemos fazer é deixar a facção do Quarto Ancião ganhar força. Enquanto retardarmos esse resultado, permanecemos vivos nessa disputa."
Ele colocou suavemente sua xícara vazia na mesa de madeira, o som claro no silêncio do refúgio.
Depois, fechou os olhos, respirando lentamente e fundo, sorrindo mais uma vez, parecendo calmo, calculista e preparado.
O jogo tinha começado. E, por ora, o tabuleiro ainda favorecia eles devido à genialidade de Leo em memorizar o pergaminho enquanto teve a chance.
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(Enquanto isso, Leo)
Após a breve reunião com o Primeiro Ancião, Leo foi rapidamente escoltado de volta à Área do Hangar, onde foi colocado na primeira viagem disponível com destino ao Planeta Vorthas.
Dessa vez, ele viajou a bordo de uma pequena nave privada, projetada para acomodar apenas um piloto e no máximo sete passageiros.
Compartilhando o espaço com ele, além do piloto, estavam um guarda de segurança designado para protegê-lo e um civil solitário que também viajava para Vorthas.
Havia apenas quatro pessoas na nave, e com o tempo de voo previsto em menos de duas horas, Leo não se importou com o espaço limitado ou o interior apertado.
Ele simplesmente se recostou, fechou os olhos e esperou pacientemente até chegar ao seu destino.
*Bate*
*Bate*
Alguns minutos após o início do voo, Leo sentiu alguém cutucando-o suavemente com um bastão.
Ele se moveu, com os olhos se abrindo lentamente, um pouco confuso, e virou-se para olhar atrás de si, só para encontrar o idoso sentado na fileira atrás, o único civil no barco, encarando-o com um brilho curioso nos olhos.
"Sim?" perguntou Leo, com um tom neutro, embora não sem gentileza.
O velho, visibly tremendo de idade, abriu a boca para responder, mas primeiro precisou limpar um pouco de saliva que se acumulava perto dos lábios, esforçando-se para falar claramente.
"Jovem… alguém já lhe disse que você se parece bastante com o Dragão Kevin?" perguntou com um sorriso gentil, já colocando a mão no bolso da jaqueta. Logo, puxou uma carteira de couro desgastada, com as bordas fraying por décadas de uso.
"Conheci o Dragão Kevin quando tinha apenas sete anos… e até guardo uma foto para recordar o dia. Ver você agora trouxe aquela memória de volta," continuou calorosamente, estendendo a carteira para Leo.
Dentro havia uma fotografia—amarelada pelo tempo—mostrando uma versão jovem do velho ao lado de uma figura que tinha uma semelhança assustadora com o pai de Leo, Jacob.
Na verdade, o homem na foto parecia cerca de 80% parecido com Jacob e, por extensão, com Leo mesmo, o que levou Leo a dar uma segunda olhada só para ter certeza.
'Ah sim, ele parece comigo…' pensou Leo, como se sobrepusesse seu próprio rosto à foto, adotando o mesmo penteado e corte de barba, e certamente pareceria um irmão ou parente daquele homem.
"Muito legal," disse Leo sinceramente, oferecendo um sorriso educado. "Deve ter sido uma experiência incrível conhecer o Dragão."
Ele devolveu delicadamente a carteira, mas, ao invés de guardá-la, o velho segurou-a contra o peito com as mãos tremuras, os olhos encheram-se de emoção.
"Eu não pude servir ao Dragão Kevin… não pude servir ao Dragão Noah… minha vida não passou de nada no fim," disse o velho, sua voz triscando. "O único desejo que me resta é ver um novo Dragão nomeado antes de partir… mas o Conselho dos Anciãos não encontra um candidato digno há décadas."
A dor na sua voz era tão crua, tão genuína, que pegou Leo de surpresa.
Durante um longo tempo, ele sentiu uma pontada no coração, como uma empatia silenciosa e inesperada.
"Aguente firme, velhote," disse Leo com um meio sorriso, um tom mais leve, tentando animar o ambiente. "O futuro Dragão ainda pode precisar dos seus serviços."
O homem deu uma risada fraca, claramente mais animado.
"Se o Dragão me chamar, eu estarei lá. Esses ossos velhos ainda têm força suficiente para enfrentar alguns idiotas que apoiam facções! Pode crer que sim!" ele afirmou, com o espírito elevado e a voz mais forte.
Leo acenou respeitosamente para ele, depois virou-se novamente para a frente, seus olhos fixos na parede vazia da nave à sua frente.
'O Dragão… O que esse título realmente significa para essas pessoas? Para esse velho, carregar tanta emoção por isso, mesmo depois de todos esses anos?'
Essa dúvida permaneceu em sua mente, ecoando suavemente enquanto ele permanecia em silêncio.
Entre esse breve encontro e o tratamento reverente recebido a bordo da nave do Culto, Leo não pôde deixar de imaginar—
O que realmente significava ser o Dragão?