Assassino Atemporal

Capítulo 393

Assassino Atemporal

(Ponto de vista do Primeiro Velho, Planeta Tithia)

A reação do Primeiro Velho foi semelhante à do Décimo Segundo quando descobriu que sua equipe de recuperação tinha se mostrado tão completamente incompetente.

"Essa falha prejudica seriamente nossas chances de transformar Leo Skyshard no próximo Dragão. Se Aegon Veyr conseguir alcançar o Nível Transcendente nas próximas semanas, pouco antes da cúpula anual no Planeta FrostBurn, então o Quarto Velho irá fazer de tudo para nomeá-lo Dragão na hora..." refletiu o Primeiro Velho, lentamente acariciando sua barba grisalha envelhecida.

"Para ser justo com Leo, isso não foi culpa dele. Qualquer Velho razoável perceberia isso.

Mas, por outro lado... um acordo é um acordo. Não posso voltar atrás na minha palavra a menos que haja uma razão justificável, uma que os outros Velhos aceitem," ponderou, enquanto começava a caminhar de um lado para o outro em seu escritório, visivelmente nervoso.

Por um tempo, tentou pensar em uma saída para essa confusão, mas nada promissor veio à mente ainda.

"Bom... esquece. Vou resolver isso depois de uma conversa séria com o garoto, quando ele chegar em Tithia," decidiu, optando por deixar o assunto de lado por ora, já que Leo chegaria daqui a algumas horas, de qualquer forma.

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(Enquanto isso, Ponto de vista do Quarto Velho, Planeta Tithia)

Ruído de risadas altas ecoava do escritório privado do Quarto Velho, enquanto ele folheava o relatório do roubo com os olhos marejados e o peito irrompendo de felicidade.

Ele simplesmente não conseguia acreditar na tamanha incompetência da equipe do Décimo Segundo.

"Por que se dar ao trabalho de montar planos para destruir seus inimigos, quando seus inimigos são idiotas que estão ocupados se destruindo?" falou entre risadas, batendo o pergaminho na mesa enquanto limpava as lágrimas do rosto.

"Pense que aquele moleque Leo realmente confiou no jovem e inexperiente Décimo Segundo para cumprir a parte dele no negócio," ele riu de novo, balançando a cabeça com uma falsa pena. "Pobre garoto... Se ao menos estivesse sob meu comando. Essa missão teria sido executada à perfeição. O pergaminho já estaria dentro da seita, e sua ascensão teria sido inevitável."

Levantar-se e caminhar até a grande janela de seu aposento, olhando para o horizonte com um brilho nos olhos.

"Mas, infelizmente... o destino tem outros planos," sussurrou, um sorriso lento se formando em seus lábios. "Com isso, nada impede Veyr agora. O caminho para se tornar o próximo Dragão está livre."

Sua voz ficou mais profunda, carregada de ambição, enquanto seus pensamentos corriam adiante.

"E assim que Veyr se tornar Dragão... serei eu, e não aquele velho Senhor Primeiro, quem controlará um Dragão.

Serei eu quem terá influência sobre o Conselho!

Serei eu, o mais jovem Velho a disputar a Primeira Cadeira." Disse, virando-se e voltando ao seu escritório, pegando um comunicador de cristal do interior.

"Diga a Veyr para pressionar ao máximo nas próximas duas semanas e alcançar o Nível Transcendente de qualquer jeito.

Diga que forneceremos toda a ajuda necessária, mas que ele só precisa alcançar o Nível Transcendente nessas duas semanas, e o título de Dragão será dele — com certeza," afirmou o Quarto Velho, enquanto instruía seu assistente a transmitir a mensagem a Veyr.

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(Enquanto isso, a bordo da Nave do Culto, Ponto de vista de Leo)

As próximas 24 horas transitaram suavemente para Leo enquanto ele permanecia na Nave do Culto, fazendo pouco além de comer, dormir e relaxar.

A cada poucas horas, uma nova iguaria chegava para ele, variando de uma tigela de ensopado bem temperado a uma sobremesa meticulosamente decorada que quase parecia tarde demais para comer.

Os cozinheiros a bordo davam o seu melhor, fazendo de tudo para agradar seu paladar e conquistar sua aprovação.

A tripulação o servia em turnos rotativos, cada equipe chegando com a mesma cortesia treinada e reverência silenciosa. No entanto, apesar da troca de faces, um padrão estranho começou a surgir.

Todo servidor que entrava em seu quarto, independentemente de sexo, idade ou posto, era envolto por uma tênue aura azul que Leo reconhecia do códice como a cor da 'Alegria e Esperança'.

Era uma manifestação visível de seu espírito interior, um reflexo da fé que depositavam nele, como se realmente acreditassem que ele era quem os lideraria rumo a um futuro melhor.

Por um lado, não era a primeira vez que Leo se via no centro de uma adoração cega.

Durante seu período como 'O Chefe', quando liderava 'A Rebelião', todos os membros da guilda sob seu comando mais ou menos olhavam para ele da mesma forma. Contudo, as circunstâncias naquela época eram diferentes. Esse papel, essa imagem, esse peso — tudo havia sido escolhido por si, que tinha entrado voluntariamente.

Mas desta vez, ele não tinha feito isso.

E essa distinção, por mais sutil que fosse, fazia toda a diferença para ele.

Quando os olhares esperançosos da equipe recaíam sobre ele sem motivo, ele se sentia desconfortável.

Não estava acostumado que as pessoas sorrissem para ele como se fosse a luz ao fim do túnel.

Ele não se via como um farol de esperança. Nunca foi assim.

Messias, salvadores, campeões do povo — esses títulos eram destinados a alguém mais nobre. Alguém que realmente acreditasse em ideais como paz, união ou o chamado bem maior.

Mas não ele.

Ele não era uma dessas pessoas.

Não era líder. Não era símbolo. Não era uma lenda em formação.

No fundo, era apenas mais um guerreiro impiedoso. Sobrevivente. Um homem que passou por sangue e fogo. Muito egoísta, que se importava pouco além de sua própria força e da segurança da família.

Então, ao ver essas pessoas e perceber seus olhos brilhando de gratidão por ele simplesmente estar vivo e existir, como se estivessem banhadas pelo próprio destino, tudo que sentia por elas era pena.

Pena de que, entre todas as pessoas, eles tenham escolhido alguém tão egoísta quanto ele para ser o salvador.

Porque, mais cedo ou mais tarde, iriam perceber que o homem no qual depositaram seus sonhos não era quem eles acreditavam.

"Bem, não me dá prazer desapontar pessoas inocentes," refletiu Leo, recostando-se na cama enquanto o aroma de pãezinhos recém-assados invadia o ar, "mas não sou eu quem disse a eles que era o messias."

Ele deu de ombros e respirou fundo, deixando o peso da fé mal colocada escorrer por sua mente como água na pedra.

Se procuravam um herói, tinham que procurar em outro lugar.

Pois simplesmente não tinha interesse em carregar suas esperanças e sonhos.

Porque acreditava firmemente que essa não era sua carga.

*Knock*

*Knock*

Justo quando começava a saborear seu pãozinho, uma batida suave na porta interrompeu seus pensamentos. Landen, o guarda na porta, apareceu com a cabeça na porta, esperando permissão para falar.

"Pode falar..." disse Leo, enquanto Landen lhe fazia um breve cumprimento militar e dizia:

"Vamos entrar na atmosfera do Planeta Tithia em 20 minutos, então, por favor, me avise antes para que eu possa tirar seus pratos, Meu Senhor. Não quero que turbulências na hora da aterrissagem arruinem suas vestes," disse Landen inocentemente, mas suas palavras tocaram Leo.

"Planeta Tithia?" perguntou, confuso, quase jurando que o planeta onde sua família estaria presa era chamado de 'Vorthas'.

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