
Capítulo 400
Assassino Atemporal
—Como você tem se sentido? Está bem? Está com algum membro faltando? — perguntou Elena, ofegante, após abraçar Leo por alguns segundos. Suas mãos mexiam rapidamente pelo corpo dele em busca de ferimentos, e só soltou um suspiro longo e trêmulo de alívio quando confirmou que ele estava, de fato, inteiro.
—Estou bem. Estou mais alto e forte do que nunca — respondeu Leo com um sorriso suave, tensionando levemente os músculos para demonstrar o progresso que havia feito, um convite sutil para ela notar o quanto cresceu.
No entanto, sua mãe não ouviu nada disso.
—Deus me livre que você esteja mais alto e forte — ela repreendeu, com as sobrancelhas franzidas de preocupação. — Olhe como você está magro. Não há uma grama de gordura nesses músculos, e sua pele é tão fina e vascular… Você não se alimentou direito esses últimos anos? — ela perguntou, com uma voz cheia de apreensão, como se sua aparência física por si só confirmasse suas piores suspeitas.
*Risada*
Diante de suas preocupações maternas irracionais, Leo só pôde rir silenciosamente, sem dar atenção às suas ansiedades com uma resposta.
—Leo!
Uma voz masculina repentina cortou o reencontro emocional, fazendo mãe e filho se voltarem ao mesmo tempo. Jacob saiu de dentro da casa, ouvindo o soluço de Elena e vindo verificar o que havia acontecido, apenas para parar de repente ao ver Leo lá parado.
—Fa... Jacob— — começou Leo, instintivamente querendo chamá-lo de pai, mas se corrigindo na última hora e substituindo a palavra por Jacob.
—Jacob, olha! Nosso menino voltou pra casa! — exclamou Elena, com alegria, limpando uma lágrima que escorria pelo rosto enquanto se virava para sorrir radiantemente para o marido.
—Boa… — sussurrou Jacob, com a voz quase inaudível, enquanto rapidamente limpava o nariz e desviava o olhar.
Claramente, ele estava tentando esconder as emoções que queimavam por trás dos olhos. Embora todo o seu corpo desejasse correr e abraçar sua esposa e seu filho, ele se conteve, sabendo que os sentimentos de Leo em relação a ele eram complicados, afetados por anos de afastamento.
Apesar de sua contenção física, a aura de Jacob traía tudo o que ele sentia. Uma tonalidade suave de rosa flutuava ao seu redor, sem que ele pedisse, revelando a Leo exatamente como o homem parecia se sentir por dentro.
Jacob tinha abandonado a família na Terra para servir nas forças armadas, e Leo nunca tinha perdoado completamente essa decisão.
No entanto, nos anos seguintes, Jacob tentou — de verdade — fazer as pazes, lentamente destruindo a barreira que Leo havia construído entre eles. E agora, ao ver a sinceridade e o amor radiantes na aura do homem, Leo finalmente respirou fundo e decidiu, enfim, deixar a mágoa antiga de lado.
—O que aconteceu com seu olho, pai? — perguntou Leo, com uma voz firme e mais grave agora, recuperando a compostura ao se dirigir a Jacob com um título que não usava há quase duas décadas.
Os olhos de Jacob se arregalaram levemente — não pelo questionamento sobre seu olho, mas pelo uso da palavra “pai”. Era um título que não ouvia desde que Leo tinha apenas três anos.
—Eu — eu, eu, — começou Jacob, tropeçando nas palavras, com a voz trêmula enquanto uma pequena lágrima se acumulava no canto do olho.
Com cinquenta e sete anos, ele já não tinha mais o controle emocional de outrora. E, embora desejasse desesperadamente segurar as lágrimas, algo naquele simples chamado de “pai” atravessou sua compostura, cortando fundo.
Aquela palavra foi suficiente. Era a confirmação de que, após todos esses anos, Leo finalmente tinha decidido perdoá-lo. Que seu filho o via novamente como parte da família.
Era um sonho que Jacob sempre temeu que nunca se realizasse, mas, milagrosamente, aconteceu hoje.
—Ah, venha! Você precisa de um convite especial para vir abraçá-lo? Venha logo! — Elena brincou, com uma voz marcada por lágrimas e determinação, agarrando o pulso de Jacob e puxando-o escada abaixo.
Com os olhos marejados e as mãos trêmulas, Jacob obedeceu, entrando no abraço que Elena iniciou, enquanto ambos envolviam os braços ao redor de Leo.
Leo, por sua vez, colocou o braço apenas ao redor de Elena. Não retribuiu o gesto de afeto de Jacob, mas também não o afastou.
Por ora, Leo tinha aceitado o homem de volta à família, mas isso não significava que estavam de braços dados emocionalmente ainda.
Isso levaria mais tempo.
— Meu olho vai ficar bem — disse Jacob, ao se afastar um pouco, respondendo à pergunta que Leo fizera anteriormente.
—Perdi-o na batalha, mas logo vão encontrar um substituto. Prometeram que entregam um novo em cerca de trinta dias, e, se não for um olho de tecido vivo, será um cibernético. De qualquer forma, vou ficar tranquilo — afirmou, com um tom firme e cortante, enquanto se levantava.
—Muito bem — reconheceu Leo, com um aceno curto, seu tom seco mas cortês. E, com isso, virou-se e começou a ascender os degraus da varanda, pensando em entrar na casa e seguir para encontrar Luke.
Porém, quase no instante em que entrou, foi parado em seco — nem dois passos adentro, Leo se deparou com uma pequena figura prostrada no chão.
—Este humilde ser saúda o Senhor Pai… — vinda uma voz familiar do chão. — Ele suportou dois anos duríssimos de separação e se tornou mais forte, atingindo o Nível Transcendente para não desapontar as expectativas do Senhor Pai. Contudo, esses dois anos de ausência foram os mais difíceis de sua existência.
Leo riu, quase esquecendo como o pequeno sapo costumava se dirigir a ele de forma tão formal.
—Viver sem a sabedoria do Senhor Pai tem sido extremamente difícil — continuou Dumpy —, pois 'morangos' indignos tentaram extrair meu veneno várias vezes. Inútil dizer que nunca conseguiram, pois só cuspo veneno por ordem do Senhor Pai.
—Mas minha recusa me colocou em muitas encrencas. Fui transformado em sapo de combate, forçado a batalhas na arena para o entretenimento de estranhos — prosseguiu, elevando levemente a cabeça para olhar no rosto de Leo, com a voz mais orgulhosa.
—E tenho o orgulho de dizer que, após dois anos, trezentas e quatro batalhas e incontáveis oponentes mortos, essa criatura humilde chamada Dumpy ainda está invicta!
—Senhor Pai, se acredita que sou digno de retornar ao seu lado, e se sente que não desonrei seu nome na sua ausência, permita-me voltar a ficar no seu ombro, onde pertenço. Sempre desejei esse momento, há muito tempo — disse Dumpy, com um tom reverente e cheio de esperança.
Leo sorriu, uma pequena chama de calor silencioso se acendendo no peito ao acenar com a cabeça.
—Você fez bem. Não me decepcionou. Pode voltar ao seu lugar no meu ombro, meu pet genial — falou Leo, calmamente, enquanto Dumpy radiava de alegria.
*Ribbit–*
Com um coaxar orgulhoso, Dumpy pulou do chão e pousou com destreza no ombro de Leo, sua alegria quase transbordando enquanto retomava seu lugar de direito ao lado do mestre.