
Capítulo 401
Assassino Atemporal
*Hop*
Quando Leo sentiu o peso familiar de seu animal de estimação repousar sobre seu ombro, deu uma leve tapinha na cabeça do sapo com o dedo indicador antes de seguir adentro da casa, subindo rapidamente as escadas e se dirigindo à seção onde ficava o quarto de Luke.
Assim como na chamada de vídeo, Luke ainda permanecia em estado grave até hoje, enquanto um grupo de médicos e Alia aguardava do lado de fora da porta dele, todos surpreendidos ao ver Leo se aproximar.
"Leo?"
Alia chamou, com a expressão chocada, os olhos arregalados, até que um sorriso surgiu em seu rosto ao avançar e puxá-lo alegremente para um abraço, claramente feliz por vê-lo vivo e de volta ao lar.
"Querida..." Leo reconheceu, retornando brevemente o abraço dela antes de soltá-la e imediatamente direcionar a conversa para o que realmente importava.
"Como ele está? Luke está bem?"
Alia ficou momentaneamente confusa, sem entender como Leo já sabia da ferida de Luke, mas logo afastou o pensamento e começou a explicar seu estado.
"Ele está melhor do que antes. Os médicos dizem que o corpo dele está respondendo à magia de cura e que está se estabilizando lentamente. Entretanto, eles também afirmam que a resposta dele à magia é muito mais lenta do que a de uma pessoa normal.
Em condições normais, com a quantidade de poções de cura que ele tomou, ele já estaria completamente recuperado. Mas é como se, de toda a dose diária, pouco mais de dois a três por cento fosse efetivamente absorvido, e essa eficiência diminui ainda mais quanto mais frequentemente administramos a medicina.
Parece que... tudo o que foi usado para machucá-lo impõe uma dificuldade quase impossível para que ele possa se recuperar, e por isso os médicos acham que levará pelo menos quatro a seis meses antes que ele possa sair dessa cama
— explicou detalhadamente Alia, enquanto Leo sentia sua raiva aumentar a cada palavra ouvida."Quem fez isso?"
— perguntou em tom sério, totalmente decidido a punir quem quer que fosse que tivesse magoado seu irmão. Contudo, Alia apenas abaixou a cabeça, envergonhada, sem responder."Não sabemos... nós— não estamos juntos."
"Ninguém sabe o que aconteceu com Luke ou comigo nesses últimos meses."
"Elena e Jacob estavam juntos."
"Amanda e eu estávamos juntos."
"Mas você e Luke estavam sozinhos."
"Não temos nenhuma ideia do que aconteceu com vocês dois, e como Luke ainda não está consciente, ele também não consegue nos contar a história."
"Mas, segundo os médicos, o que aconteceu com ele não foi em um só dia."
"Algumas cicatrizes no corpo dele têm meses, enquanto outras ainda estão recentes."
"Mesmo assim, as cicatrizes mais antigas não foram limpas ou tratadas corretamente, o que indica que Luke provavelmente estava fugindo por sua vida e não teve tempo de cuidar delas nos momentos certos."
"Ele aparentemente vem levando seu corpo ao limite há entre nove e doze meses, sem parar."
E é por isso que ele está nessa condição crítica.
"Isso não foi uma coisa de um dia."
"Alguém vinha caçando ele como se fosse um animal, há meses." Alia narrou, sua voz deixando escapar a angústia, enquanto a fúria de Leo aumentava silenciosamente.
"Alguém vinha caçando barbaramente seu irmão há meses?"
Isso era absolutamente inadmissível.
E, assim que descobrisse quem foi, fosse um Deus, uma guilda ou um cidadão comum, Leo prometeu destruí-lo por ter colocado seu irmão em coma.
"Posso pelo menos vê-lo?"
— perguntou Leo, que rapidamente acenou com a cabeça e começou a afastar alguns dos médicos, abrindo caminho para que Leo entrasse na sala de Luke, onde seu irmão, ainda pálido e frágil, deitado imóvel em uma cama, usava uma máscara de oxigênio presa ao rosto e vários aparelhos de suporte à vida conectados ao corpo.'Irmão...' Leo pensou com emoção, o peito apertado ao ver o estado miserável do homem que antes era tão vibrante.
Seu coração sangrou ao vê-lo assim, mas ele não desviou o olhar.
Não fechou os olhos.
Pelo contrário, manteve-se ereto, respirando fundo, deixando aquele momento gravado em sua memória, prometendo encontrar e destruir quem fosse responsável por colocar seu irmão naquela condição, nem que para isso precisasse pagar qualquer preço.
'Não se preocupe, irmão. O dia em que você despertar dessa coma... será o dia em que outra pessoa tomará seu lugar aqui,' pensou Leo sombriamente, enquanto ficava ao lado da cama por vinte minutos inteiros, sem fazer mais nada além de olhar silenciosamente para o corpo debilitado de Luke, arquivando cada detalhe daquele quadro de fraqueza em sua memória, até que, finalmente, virou-se para sair do quarto.
Ao sair, encarou cada médico, com o olhar severo e carregado de uma advertência silenciosa, lembrando-os de cuidar bem de seu irmão, ou então se preparem para se juntar a ele na próxima vida se algo acontecesse a Luke.
"Amanda está no terceiro cômodo à esquerda, lá no final do corredor..."
— disse Alia quando Leo começou a caminhar, e ele sorriu, fazendo um sinal de positivo com o polegar.
*Passo*
*Passo*
Depois de encontrar tanto a mãe quanto o irmão, Leo finalmente queria conhecer a pessoa que mais amava na vida, a garota que assombrava seus sonhos desde a separação, a única pessoa cuja ausência doeu tanto quanto as feridas de seu irmão.
*Batida forte*
*Batida forte*
Enquanto caminhava lentamente pelo corredor, sentiu seu coração acelerar, não por medo ou ansiedade, mas por um sentimento misturado de saudade, esperança e expectativas que fermentaram ao longo dos anos.
Quando chegou à terceira porta à esquerda, pausemomenntaneamente, levantou a mão para bater.
*Batida*
*Batida*
Não obteve resposta.
Esperou um instante, mas ainda assim não ouviu nada lá dentro, o que o levou a girar suavemente a maçaneta e entrar sem hesitar.
O que encontrou foi exatamente o que esperava ver quando entrou no quarto de Amanda num dia qualquer: ao invés de estar na cama lendo um diário ou sentado perto da janela olhando o jardim abaixo, como uma típica garota delicada, Amanda estava na escrivaninha do seu quarto, completamente absorta no trabalho, rodeada por ferramentas, fios e painéis abertos.
As mangas dela estavam arregaçadas, uma mancha de óleo manchava seu rosto, e suas mãos pareciam trabalhar com delicadeza em algo que parecia ser uma placa de circuito danificada.
As sobrancelhas franzidas, os lábios levemente abertos em concentração, ela nem olhou ao seu chegar, provavelmente tão absorta na recalibração de algo que claramente exigia toda a sua atenção.
Leo ficou em silêncio por um momento, sem saber se chamava seu nome ou se esperava, mas no final decidiu que nenhum dos dois parecia a melhor opção.
Então, ao invés disso, se aproximou por trás dela e, sem dizer uma palavra, colocou delicadamente ambas as mãos sobre os olhos dela.
"Alia, eu te disse pra parar—" Amanda interrompeu, claramente irritada, levantando a mão para afasta-lo, só que parou no meio do movimento ao sentir que algo naquele toque era diferente.
Seu corpo ficou completamente imóvel.
Seu ar ficou preso na garganta.
Devagar, hesitante, ela se virou, seus olhos encontrando os dele, e ao perceberem aqueles olhos cinzentos nublados e o sorriso malicioso inconfundível, ela de repente ficou em branco, tomada por um choque súbito e pelo reconhecimento.
"Leo…?"
— sussurrou ela, com a voz quase inaudível, como se dizer o nome em voz alta pudesse fazê-lo desaparecer como uma ilusão cruel.Por vinte segundos inteiros, ela simplesmente ficou encarando seu rosto, confusa, incerta se aquilo era apenas mais um sonho febril ou se era a dura realidade.
Somente quando Leo estendeu a mão e a puxou para um beijo ela finalmente percebeu que aquilo era, de fato, a realidade.