
Capítulo 414
Assassino Atemporal
(Base Militar Ativa, Planeta Juxta, Ponto de Vista de Leo)
Ignorando os insultos infantilizados de Charles, Leo permaneceu ereto diante dele, com os braços cruzados atrás das costas, o olhar fixo no homem com uma expressão de tédio gravada no rosto, como se o desafiando a dizer algo mais absurdo.
"Você disse que, se eu conseguisse escapar em vinte e quatro horas, ajudaria no meu treinamento de aura. Bem, eu escapei..." Leo declarou de forma firme, com o tom calmo, mas incisivo, enquanto Charles parava de rir no meio de uma risada para examinar de perto a teimosa resistência no rosto do garoto.
"Certo, certo, Senhor Retidão," Charles acabou cedendo, passando a mão imaginária na roupa como se tirasse poeira, um sorriso brincando nos lábios. "Já que estou de bom humor hoje de manhã, vou cumprir minha palavra..."
Com isso, ele fez um gesto para dispensar o Tenente Bart e colocou de leve um braço ao redor do ombro de Leo, deixando os dedos pairando pouco acima da cabeça de Dumpy, chegando perigosamente perto de tocar, mas parando antes de tocar na superfície viscosa.
'Vamos lá... só um pouquinho mais baixo... deixa o veneno da minha pele derreter esses dedos malditos!' Dumpy pensou feliz, com os olhos inchados de ansiedade, enquanto encarava a mão suspensa e silenciosamente rezava para Charles cometer o erro tão esperado.
"Antes de eu te passar minhas impressões sobre aura, me diga o que você já entendeu até agora," Charles disse, guiando suavemente Leo para frente enquanto o encorajava a falar primeiro, "para eu saber por onde começar."
*Suspiro*
Inspirando de maneira lenta e deliberada, Leo começou a explicar que atualmente estudava o códice de Revelação Sete-vezes, e tinha conseguido detectar até agora seis das sete cores fundamentais da aura, o que fez Charles levantar ambas as sobrancelhas surpreso, impressionado de verdade.
Embora não tivesse dito em voz alta, uma fagulha de genuína surpresa passou pela mente do velho comandante, pois ele sabia que tinha levado mais de cinquenta anos de treinamento dedicado e inúmeros encounters com a morte para compreender todas as sete, e mesmo assim Leo, com menos de um ano de jornada, já estava quase na metade do caminho.
"Bem, não posso te dizer exatamente como será a última cor," Charles disse, inclinando a cabeça como se ponderasse cuidadosamente suas palavras, "porque a aura não se manifesta da mesma forma para todo mundo. Ela está ligada à sua interpretação do universo."
"Mas, com base nas seis que você já identificou," continuou, sua voz ficando mais firme, "apostaria que a última que falta para você é a cor verde."
Charles explicou tudo de forma clara, usando palavras simples que qualquer um poderia entender. Sem pausas dramáticas, sem metáforas enigmáticas, como a maioria dos guerreiros de alto nível preferia, Charles foi direto ao ponto, como um homem rude.
"Verde é uma das cores mais difíceis de identificar," acrescentou, massajando o queixo com nostalgia enquanto buscava na memória. "Na verdade, acho que só vi essa cor uma vez na vida."
Ele ficou em silêncio por um momento, depois prosseguiu.
"Vi durante uma missão de resgate," disse, sua voz mais baixa agora, carregada de reverência, "fomos enviados para recuperar um agente de nível Transcendente preso atrás das linhas inimigas. Ele tinha a missão de recuperar algo vital para o Culto... algo insubstituível."
O tom de Charles ficou levemente mais sério, cada palavra carregada de memória.
"Quando o encontramos, o homem já estava completamente dilacerado. Feridas no peito, membros cortados, entulhos de órgãos saindo por todos os lados... e mesmo assim ainda respirava. Ainda se agarrava à vida, como se nem a morte fosse forte o suficiente para levá-lo."
"E foi aí que eu vi o verde," ele disse, sua voz baixando para um sussurro, carregada de reverência.
Seus olhos se perderam por um instante na lembrança.
"E o homem... apesar de tudo... olhou nos meus olhos e disse: 'Comandante, não se preocupe. Eu não vou morrer.'"
Charles colocou a mão no peito, com orgulho, como se estivesse rendendo homenagem a um irmão de armas caído.
"Acredito que a emoção que ele sentiu naquele momento foi a vontade de sobreviver, pura e inabalável," ele disse devagar. "Não aquele desejo superficial de viver mais, nem o instinto de evitar a morte. Não... era algo mais profundo que tudo isso."
"Não confunda isso com medo ou desespero de quem se agarra à vida por pânico. Isso não era nada disso. Era algo que só os homens mais raros possuem."
Sua voz se tornou mais firme agora, como quem tenta enfatizar a importância do que vai dizer a seguir.
"Aquele soldado chegou a um ponto em que a maioria pediria piedade, onde a dor sozinha faria uma alma fraca optar pela morte ao invés de continuar sofrendo. Um ponto em que o homem comum se entregaria, não por covardia, mas porque sua vontade quebraria."
"Mas ele não. Aquele homem suportou tudo. Com força de vontade, com nada além da recusa em morrer. Ele continuou lutando."
Charles ficou em silêncio por um momento, deixando que a ideia se assentasse, antes de falar novamente.
"Não posso explicar isso com total clareza… ninguém consegue. É algo que você precisa sentir na pele para entender de verdade. Mas, se fosse pra resumir: acho que o verde é a cor que desafia a morte, a aura da vida na sua forma mais teimosa e resistente."
Sorriu de forma tranquila, uma expressão que carregava tanto tristeza quanto respeito.
"O soldado resistiu mais dois dias depois que o trouxemos de volta. E juro que até hoje, ele só morreu quando a aura esmeralda finalmente desapareceu de seu corpo."
"Enquanto aquele verde envolvia ele... nem a morte podia tocá-lo."
Leo ficou surpreso, com os olhos arregalados, ao ouvir essas palavras.
Ele nunca imaginou que Charles lhe ensinaria algo tão valioso de forma tão casual, enquanto o enigmático códice nem sequer dava uma pista do que ele deveria buscar.
Ainda não compreendia completamente o conceito e provavelmente precisaria ver por si mesmo para entender o que realmente simbolizava, mas ao menos agora tinha uma direção geral para investigar.
A chance de ele tropeçar por acaso num cara morrendo, com uma força de vontade tão grande, era bem baixa.
Por outro lado, tendo uma ideia do que procurar, podia visitar hospitais e instituições onde as pessoas geralmente estavam quase morrendo, para aumentar suas chances de encontrar a cor verde, ao invés de só ficar andando por aí sem rumo. Esse entendimento, por mais simples que fosse, era extremamente valioso.
'Caramba… esse idiota não parece, mas é bem esperto quando fica sério.'
Talvez eu tenha julgado rápido demais.
Talvez eu realmente possa aprender alguma coisa com ele,' pensou Leo, inclinando a cabeça em sinal de agradecimento.
"Muito obrigado," disse com sinceridade, enquanto Charles começava a rir de novo, rindo alto de forma espontânea.
"Um estudante agradecido? Nunca pensei que teria um desses… HAHAHAHA," Charles riu, como se fosse uma coisa que ele nunca imaginou que iria experimentar na vida.
"Posso perguntar? Até que ponto você já aprendeu o códice?" Leo perguntou, enquanto Charles parava por um instante na risada, antes de explodir em gargalhadas novamente.
"HAHAHAHA… GAROTO! O Códice de Revelação Sete-vezes não é a única técnica de meditação de aura no universo.
Porém, a primeira camada de quase todas as técnicas de meditação de aura é compreender as sete cores básicas.
A técnica que eu sigo foi ensinada ao Soron, o irmão mais novo.
A técnica que você está aprendendo é do Kaelith, o mais velho," disse Charles com um sorriso, enquanto bagunçava os cabelos de Leo e apontava para o céu.
"Olhe para aquela nuvem branca no céu..." Charles apontou, e Leo junto com Dumpy olharam na direção apontada, até serem imediatamente derrubados ao chão por Charles, que atingiu seus pontos de pressão.
"HAHAHAHAHA! COMPLETOS IDIOTAS!" Charles riu, enquanto os carregava nos ombros em direção ao segundo prédio da prisão, onde voltariam a acordar e tentar escapar, tudo de novo, agora com condições diferentes.