
Capítulo 413
Assassino Atemporal
Enquanto Leo olhava ao redor do terraço, observando o complexo militarizado que se estendia sob seus pés, não conseguiu deixar de se perguntar exatamente onde Charles o mantinha, quando de repente uma explosão retumbante no céu acima o despertou de seus pensamentos.
*BOOM*
Uma nave surgiu a cerca de dez quilômetros bem acima de sua cabeça, sua carapaça de metal explodindo como um foguete de artifício, enquanto estilhaços flamejantes se espalhavam em todas as direções, dispersando destroços pela alta atmosfera como uma chuva de meteoros feita de máquinas moribundas.
Observando os fragmentos fragmentados descendo lentamente em arcos espirais através do ar repleto de mana, Leo não pôde evitar estreitar os olhos e questionar exatamente o que estava acontecendo ali, já que até então ele não tinha ideia da guerra de fronteira do Cult contra a facção justa.
"Leo Skyshard?" uma voz o interrompeu nesse momento, enquanto, à sua esquerda, estava um homem bem construído, vestindo uma armadura preta elegante com um acabamento esmeralda na lateral, um par de botas pesadas de combate bem amarradas na canela e uma faixa grossa de comunicação envolvendo sua mandíbula.
"O comandante Charles me mandou cuidar do telhado, só por precaução, caso você tentasse fugir," disse o homem, assentindo como se esse resultado fosse algo esperado. "Disse que, se você conseguisse sair, eu devia levá-lo direto até ele."
Leo se virou na direção do estranho, com a sobrancelha levemente franzida enquanto seus olhos percorriam a postura do homem e sua mandíbula marcada por cicatrizes, notando a precisão no equipamento e o ritmo cortante na voz dele, antes de dar um breve aceno de cabeça.
"Nome dele é Tenente Bart," acrescentou o homem, batendo com dois dedos no emblema na sua armadura do peitoral. "Vai comigo?"
Dumpy espiou por trás do ombro de Leo, com seus olhos escorregadios estreitados e as narinas tremendo.
"Eu não quero," declarou o sapo de forma direta. "Não confio em quem mantém cintos ao redor da cintura assim. Cintos significam chicotadas. E ainda estou me recuperando emocionalmente de um trauma extremo."
Leo respirou fundo lentamente, dando um leve toque no focinho do sapo antes de empurrá-lo um pouco mais para cima no ombro.
"Ele também vai junto," murmurou Leo, começando a caminhar, enquanto Bart apenas sorriu de lado e virou-se de costas.
Eles caminharam por uma passarela estreita que ligava a torre de comando ao quartel abaixo, mas os olhos de Leo continuaram levantando, atraídos repetidamente pelos lampejos de luz piscando no céu superior.
Mais uma explosão sacudiu os céus enquanto uma segunda nave inimiga se transformava em cinzas em uma espiral flamejante, seus restos ricocheteando de forma inofensiva contra o domo reluzente de luz que pairava bem acima da atmosfera do planeta, como um segundo céu.
"O que é isso?" perguntou Leo, inclinando o queixo enquanto a luz reluzia mais uma vez em um tom de arco-íris. "A camada brilhante no céu... isso é algum tipo de barreira?"
Bart olhou por cima do ombro, com uma expressão um pouco incrédula, como se a própria pergunta o tivesse pego de surpresa.
"Sério? É a barreira de mana planetária," explicou apontando para cima. "Uma das melhores tecnologias de defesa do Cult. Noventa e nove por cento das naves inimigas nem consegue passar por ela sem explodir primeiro."
Leo ficou em silêncio por mais um momento, seus olhos seguindo os padrões delicados semelhantes a uma teia que se propagavam pela barreira, enquanto outra nave inimiga atingia o escudo e era instantaneamente vaporized em um flash branco brilhante.
"Se elas não conseguem passar, por que então estão indo direto nela? E o que exatamente está acontecendo aqui?" perguntou Leo, enquanto o tenente lhe lançava outro olhar incrédulo, como se lutasse para acreditar que alguém pudesse estar tão desatento.
No entanto, ao perceber a confusão genuína no rosto de Leo e a seriedade na sua postura, ele respirou lentamente e começou a explicar.
"Isso é Juxta, um dos três planetas de fronteira do Cult que formam nossa linha de defesa com a facção justa."
"Além deste planeta, todo o espaço exterior é controlado pelo inimigo, e atrás de nós fica toda a área do Cult...." começou Bart, enquanto Leo acenava compreendendo.
"Tivemos uma paz relativa aqui nas últimas décadas, mas desde que o Cult atacou a Sky-God Arena, as tensões na fronteira reacenderam."
"Temos tecnologia muito superior à do inimigo, mas eles têm recursos de sobra para gastar."
"Então, todos os dias, eles forçam a gente a manter o escudo de mana protetor funcionando ao redor do planeta o tempo todo, consumindo nossas reservas estratégicas de pedras de mana, enquanto eles queimam suas naves de baixa qualidade ao colidirem contra o nosso escudo." explicou o tenente, apontando para mais uma nave que tocou o escudo e se desfez em poeira.
"A nave que acabou de explodir é lixo mesmo. Mesmo se deixarmos ela passar, provavelmente não consegue derrubar mais do que dois edifícios antes de ser abatida."
"Todas têm pelo menos 40, 50 anos e estão quase sendo desativadas, mas os idiotas da facção justa ficam enviando elas aqui, para nos impedir de descansar em paz."
"Por ora, só nos restam cerca de 12 dias de reservas de pedras de mana para manter o escudo funcionando, mas, se o Cult continuar repondo nossos estoques, podemos resistir por muito mais tempo." explicou o tenente, e só então Leo começou a realmente entender a dimensão do que estava acontecendo.
Não era uma simulação de realidade virtual, nem uma guerra de guildas promovida de forma gloriosa, travada sobre castelos medievais e territórios insignificantes; era um campo de batalha de verdade!
Não existiam respawns, buffs sobre-humanos ou desenvolvedores regulando a partida por trás de uma tela.
Aqui, as guerras eram travadas com pesquisa, com centros de comando, com divisões treinadas e linhas de suprimento bem alimentadas, com canhões aéreos de aço e infraestrutura de defesa piramidal, projetada para resistir a cercos orbitais.
E, embora ele já tivesse presenciado muitas guerras no mundo do jogo… nenhuma tinha sido tão real assim.
Essa guerra não era caótica. Era organizada. Não buscava glória. Era sobrevivência.
E, pela primeira vez desde sua aliança com o Cult, Leo começou a entender exatamente que tipo de mundo ele tinha entrado.
Um mundo onde você era o azarão lutando pela sobrevivência contra o valentão que tinha uma pilha de dinheiro para gastar com resultados mínimos.
"Pois bem, tenho que dizer, esse escudo é realmente impressionante," disse Leo, admirando a eficácia daquela barreira e silenciosamente elogiando seu criador.
Se não fosse por mais nada, o Cult certamente tinha alguns ferreiros talentosos capazes de produzir tecnologias como essas, e isso já era algo digno de elogios aos olhos de Leo.
*Passo*
*Passo*
O tenente conduziu Leo pelo convés superior e subiu uma escada metálica curta que levava a uma plataforma de observação voltada para o horizonte distante, onde Charles estava sozinho, com as mãos nos bolsos, seu olhar fixo na barreira acima.
"Trouxe eles aqui, como pediu," disse Bart, em tom firme e respeitoso.
Charles não falou inicialmente, apenas virou o rosto para olhar para a dupla machucada antes de baixar os olhos na sombra de bolso elegante pendurada na sua jaqueta.
"Se vocês tivessem escapado duas horas antes," disse, com um sorriso sutil nos lábios, "não precisariam levar uma surra dessas, sabe?"
Ele fez uma pausa, depois jogou a cabeça para trás e riu mais uma vez, sua voz ecoando pelo topo do prédio como um trovão distante, enquanto o olho esquerdo de Leo pisca de raiva.
'Quem é esse idiota que o Cult colocou pra me ensinar?' pensou Leo, apertando os punhos e respirando fundo para não deixar a raiva dominá-lo.