
Capítulo 395
Assassino Atemporal
(Em algum lugar no interior montanhoso do Planeta Tithia)
Após desembarcar da nave, Leo foi conduzido sem palavras, cercado de guardas desconhecidos de ambos os lados, cujos olhos revelavam uma mistura estranha de cansaço e reverência.
Suas expressões oscilavam entre respeito cauteloso e medo silencioso, como se não soubessem se deveriam saudá-lo ou prendê-lo.
O Décimo Segundo Ancião caminhava logo na frente, sem dar explicações ou palavras, seu silêncio tão deliberado quanto opressor.
O percurso passava por diversos postos de controle, cada um mais fortificado que o anterior, com camadas de encantamentos mágicos, construções de sentinelas e pessoal de elite em vigília. Finalmente, embarcaram em uma aeronave de voo estacionária que desviava do caminho principal e entrava numa passagem oculta esculpida entre as montanhas.
Só então Leo começou a compreender a gravidade do destino, pois o terreno por onde passavam tornava-se assombrosamente silencioso.
A cada algumas dezenas de árvores, Leo detectava um novo artefato de vigilância montado em um poste de metal, além de um número crescente de sentinelas humanas.
'Provavelmente vou encontrar alguém muito importante', deduziu Leo, ao perceber que as camadas de segurança indicavam claramente que ninguém passava por ali sem ser autorizado.
Eventualmente, ele chegou a uma pequena cabana situada no ponto mais baixo de um vale pitoresco, rodeado por quatro lados por altas montanhas, num lugar que parecia o refúgio final para qualquer pessoa que desejasse viver isolada.
A estrutura era simples, parecia uma residência pacífica feita de pedra branca e cimento natural, com cachoeiras tranquilas nas proximidades.
No entanto, embora parecesse um lugar de um sábio silencioso, de poder imenso, Leo se sentiu pouco impressionado ao finalmente encarar o proprietário da casa: um velho homem, elegantemente trajado, que pouco mais tinha de poderoso do que o Décimo Segundo Ancião no Nível Transcendente.
— Saudações, Primeiro Ancião... — disse o Décimo Segundo Ancião, ao tirar a máscara cerimonial e revelar olhos afiados e perspicazes por trás dela.
O outro homem, um ancião de sobrancelhas grisalhas e rosto amplo e calmo, assentiu em resposta.
Sua postura era ereta, digna e completamente relaxada, como se a chegada de Leo não o excitasse ou perturbasse em nada.
— Saudações, Lorde Décimo Segundo, chegou exatamente na hora. — respondeu com um sorriso, fazendo um gesto para que os dois o seguissem até o jardim nos fundos, onde sentaram ao redor de uma pequena mesa de teca, com um conjunto de chá bastante caro.
Ambos ficaram em silêncio inicialmente.
Não um com o outro. Nem com Leo.
Em vez disso, trocaram olhares rápidos e pequenas acenadas, comunicando-se silenciosamente enquanto despejavam água quente, ajustavam as folhas e mexiam suavemente as xícaras.
Seus movimentos eram lentos, metódicos e precisos, refletindo anos de coordenação treinada, como se fossem antigos generais que lutaram centenas de guerras juntos.
Leo ficou sentado rígido, observando-os de longe, com a expressão neutra, mas sua paciência começava a se esgotar.
Ele não queria chá.
Querendo acabar logo com essa reunião inútil e seguir para encontrar sua família, mas os dois idiotas estavam testando sua paciência com movimentos lentos e silêncio prolongado.
— Terminei... — disse finalmente o velho, entregando a Leo uma xícara de chá recém-preparado com um sorriso calmo e educado.
— Desculpe pela demora, — falou suavemente, com voz tranquila e composta. — Aproveite minha hospitalidade.
Leo aceitou, suas mãos envolvendo a xícara.
Ele não deu um gole, mas também não recusou.
— Gostamos de recebê-lo aqui, Leo, — continuou o primeiro ancião, enquanto segurava sua própria xícara e respirava o aroma com delicadeza.
— Peço desculpas por insistir para que você viesse me encontrar antes de conhecer sua família, mas confie em mim: espero que não guarde rancor, pois será melhor para ambos se deixarmos isso para trás.
Daqui pra frente, precisamos aprender a agir não como adversários, mas como aliados, como se estivéssemos grudados. Então, é melhor que deixemos essa hostilidade para trás o mais rápido possível.
Ele fez uma pausa e acenou com a cabeça para o Décimo Segundo Ancião, que esclareceu sua garganta e continuou.
— Tenho certeza de que você tem dúvidas, perguntas, e muita frustração, — disse com um tom treinado. — Não vamos fingir que isso não exista. Mas te chamamos aqui para que possamos falar abertamente sobre esses sentimentos. Porque, goste ou não, a partir de agora, nossos destinos estão muito mais ligados do que você imagina.
Ele se inclinou um pouco para frente.
— Como provavelmente te disseram, o sangue que você carrega não é comum. Neste universo, talento não melhora após o nascimento. É herdado, moldado pela ancestralidade e aprimorado através do treinamento.
— Eu poderia ter um milhão de filhos e nenhum deles alcançar o Nível Monarca. Mas seu legado, sua herança, é diferente. Você é um descendente direto do Assassino Atemporal.
Leo não reagiu externamente, mas seu silêncio deixou de ser passivo, e ele começou a ouvir com atenção.
— Na geração atual de nosso Culto, há apenas alguns indivíduos que compartilham essa linhagem… — continuou o Décimo Segundo Ancião. — São exatamente sete.
Lorde Soron e seus dois filhos.
Um órfão chamado Aegon Veyr.
Seu pai, seu irmão, e você.
Ele fez uma pausa, deixando que as implicações se assentassem.
— Os filhos de Lorde Soron, embora promissores, não têm potencial para alcançar o auge. Acreditamos que o potencial do seu pai e do seu irmão já atingiu seu limite. Ou seja, há apenas duas pessoas realmente qualificadas a serem chamadas de Dragão: Aegon Veyr e você. — explicou o Décimo Segundo Ancião, enquanto o primeiro ancião, que permanecia em silêncio, finalmente retomou com uma voz mais dura:
— Veyr é um gênio. Um gênio assustador. Mas não tem moral, nem empatia. Vê as pessoas do Cult como peças a serem movidas, ferramentas a serem usadas. Não podemos confiar o futuro do Cult a alguém assim. — disse o Primeiro Ancião, fixando seu olhar intenso em Leo.
— A má atitude de Aegon é a razão de estarmos aqui hoje, porque, ao invés dele, queremos QUE VOCÊ seja o próximo Dragão. — afirmou o primeiro ancião, deixando essas palavras pesarem no ar por um momento.
— Entendemos que você não busca glória nem lealdade, — retomou o Décimo Segundo Ancião.
— Então, vou falar na sua língua. — falou mais próximo, com a voz firme.
— O Dragão é o guerreiro supremo do Culto. A esperança do seu povo.
— Existem doze técnicas secretas no Culto da Ascensão. Cada uma delas dominada e preservada por um Ancião, que transmite essa técnica apenas ao seu sucessor, ao próximo patriarca do culto, ou ao próprio Dragão.
— Com apenas o Patriarca ou o Dragão, a oportunidade de aprender todas as doze… — explicou o Décimo Segundo Ancião, enquanto Leo criava uma imagem mental.
— Cada técnica é como uma estrela numa constelação… — disse, entrelaçando as mãos. — Cada uma poderosa por si só, mas juntas, são absolutas!
— Se você for nomeado Dragão, herdará todas elas. Serás treinado em todas as doze, e te tornarás o guerreiro supremo, imparável na mesma fase.
— Você se tornará um assassino como nenhum outro, com capacidades que superarão até mesmo os guerreiros mais geniais do lado justo! — concluiu o ancião, com expressão de entusiasmo.
As sobrancelhas de Leo franziram levemente, mas seu interesse não estava mais oculto. A mudança em seu olhar foi sutil, mas ambos os anciãos perceberam.
Para ele, força pessoal sempre teve importância, pois era uma das coisas que buscava ativamente na vida.
— Sabemos que poder é sua prioridade, — comentou o Primeiro Ancião, quase gentilmente. — E, se você se juntar a nós, de verdade nos ajudar a torná-lo o ser mais forte do universo, isso eu garanto.
— E isso é só o começo, — acrescentou o Décimo Segundo, entrando com naturalidade novamente. — Coopere conosco, e sua família será tratada como realeza. Será protegida, valorizada e terá recursos além da imaginação.
— A segurança deles e seu status dentro do Culto serão incomparáveis. —
— Enquanto o Dragão estiver entre nós, sua família será considerada sagrada. —
As palavras ficaram no ar por um instante, pesadas na atmosfera.
— Sabemos, pelas avaliações de Mu Fan, que você se preocupa apenas com duas coisas neste universo: força pessoal e família… —
— ...E estamos lhe oferecendo a chance de conquistar o melhor de ambos, — concluiu o Primeiro Ancião, sua voz calma, mas firme. — Tudo o que pedimos em troca é que você derrote Veyr e se torne o próximo Dragão, custe o que custar… —