
Capítulo 386
Assassino Atemporal
(Em algum lugar no espaço profundo, a bordo da nave privada rumo a Rodova, ponto de vista de Leo)
Poucos minutos após a nave ter saído do campo gravitacional do planeta Twin Fang, e estar suficientemente afastada no espaço, Leo finalmente deixou seu assento e caminhou calmamente em direção à cabine do capitão.
Ele passou os dedos pelos cabelos, com expressão relaxada, ao se aproximar da porta e fingir entrar de maneira despreocupada, com a postura descontraída e a caminhada ponderada, fazendo de tudo para não assustar o homem que controlava os comandos.
O capitão olhou rapidamente para trás ao ver Leo entrar, oferecendo um aceno casual antes de voltar à cabine de controle.
Leo devolveu o gesto de forma educada e se aproximou, parando logo atrás da cadeira do piloto.
"Quanto tempo até chegarmos a Rodova?" ele perguntou de forma casual, como quem está apenas entediado e conversa para passar o tempo.
"Cerca de doze horas", respondeu o capitão, conferindo um dial. "O percurso está livre de qualquer asteroide ou cometa flutuante, e não há nuvens de nebulosa na nossa trajetória atual, então deve ser uma viagem tranquila."
Leo inclinou um pouco a cabeça, fingindo um interesse moderado.
"E essa é a velocidade máxima que vocês podem alcançar?"
"Já estamos levando ao limite, meu amigo", disse o homem com uma risada. "Mais do que isso, os reguladores vão ficar irritados. Você não quer que as bobinas de mana queimem no meio do percurso."
Leo deu um leve zumbido, como se estivesse satisfeito.
"Sabe, sempre quis saber o que é aquele pequeno botão vermelho–" Leo começou, apontando para um botão específico no console com uma mão, chamando a atenção do piloto para ele…
Enquanto com a outra, ele apunhalou o homem.
*SPLAT*
Um brilho prateado rasgou o ar enquanto a adaga atravessava direto o lado do pescoço do capitão.
O sorriso do homem mal teve tempo de desaparecer antes que seus olhos vidrassem, uma borrifa de sangue cobrindo o painel de controle enquanto ele engasgou uma última vez e colapsou para frente.
Leo pegou o corpo antes que caísse no chão, colocou de lado e deslizou sem esforço para a cadeira de comando.
Os dedos do piloto mortos mexeram-se uma última vez antes de ficarem imóveis, mas Leo não deu atenção a isso.
Em vez disso, ele alcançou o console manchado de sangue e começou a digitar uma nova rota de voo, as coordenadas fornecidas pelo Cult armazenadas em sua mente como um rito sagrado.
Alguns segundos depois, a trajetória da nave mudou. A gravidade artificial vibrava enquanto os propulsores ajustavam o curso, afastando-se da rota rumo a Rodova e seguindo em direção ao vazio árido à frente.
*Ding*
Uma mensagem pequena e piscante apareceu no canto da tela.
[Tempo estimado de viagem: 19 minutos]
Leo recostou-se na cadeira do capitão e soltou um suspiro suave, os dedos repousando no queixo enquanto observava as estrelas distantes.
Tudo o que ele precisava fazer agora era esperar, e em aproximadamente 19 minutos, estaria no destino planejado.
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(A cerca de metade de um sistema solar de distância, ponto de vista de Fredrick)
No cockpit da nave de caça Black Serpent, os olhos afiados de Fredrick fixavam-se intensamente na tela piscando à sua frente.
Um triângulo vermelho apareceu na borda da varredura do radar, emitindo um pulso fraco enquanto se movia por um setor silencioso do espaço.
"Lá", ele murmurou. "É ele."
O piloto assentiu. "ID da nave 20H3 com destino a Rodova, é de fato a nave que devemos perseguir."
Os olhos de Fredrick se estreitaram. Na velocidade atual, eles conseguiriam alcançar a nave à frente em cerca de sete a oito minutos.
Mas então, algo inesperado aconteceu.
O triângulo vermelho de repente desviou de rota, como se tivesse mudado seu percurso sem aviso prévio.
Em vez de seguir em direção a Rodova, começou a virar para um setor menos povoado da galáxia, uma região sem planetas habitáveis por pelo menos alguns dias de jornada à frente.
"Por quê?" Fredrick sussurrou, mais para si mesmo do que para alguém. "Por que a direção mudou de repente?"
O piloto virou-se para ele. "Devemos seguir?"
"Claro. Siga-o. Não perca de vista", ordenou Fredrick rapidamente, a mente já pensando em possibilidades, nenhuma das quais ele gostava.
Um momento depois, quando a distância entre as duas naves reduziu-se para menos de quatro milhões de quilômetros — o alcance máximo em que os radares de voo funcionam —, o piloto de Fredrick finalmente acessou o sistema de comunicação e enviou uma solicitação.
"Nave Black Serpent 20H3, por favor, entre em contato. Repito, nave 20H3, recebeu?" ele pediu, mas não houve resposta.
"Nave Black Serpent, aqui é uma nave de perseguição enviada pelo Vice Guildmaster Antonio. Por favor, pare imediatamente se receber", avisou o piloto, com a voz tensa, enquanto aguardava.
Porém, novamente, não houve resposta da nave à frente.
O piloto voltou-se para Fredrick, incerto. "Nada até agora, senhor."
"Tente novamente. Mude de frequência", disse Fredrick, com a mandíbula apertada a cada segundo que passava.
O piloto assentiu e percorreu mais três canais, enviando a mesma mensagem repetidas vezes, mas tudo terminou em silêncio.
"A nave à frente não responde, mas estamos nos aproximando. Devemos estar bem atrás deles em dois minutos", informou o piloto.
Fredrick assentiu, com a expressão imperturbável, ficando atrás do piloto e olhando fixamente à frente.
Os próximos dois minutos decorreram numa invasiva concentração, o silêncio na cabine pesado, enquanto a nave renegada se aproximava cada vez mais na sua visão frontal.
Quando estavam diretamente atrás dela, Fredrick inclinou-se levemente.
"Tente de novo. Uma última vez. Desta vez, deixe-os saber que, se não pararem imediatamente, vamos disparar e expulsá-los do espaço."
"Sim, senhor." O piloto ligou um interruptor e transmitiu com tom firme.
"Nave 20H3, se você não parar agora, vamos explodi-la. Repito, vamos explodi-la."
As palavras ficaram no ar por alguns segundos, mas ainda assim, não houve resposta.
Mais três minutos de tensão interminável se passaram.
A nave de perseguição agora pairava exatamente acima da nava renegada, sua silhueta completa visível através do visor principal, deslizando silenciosamente à frente como um espectro.
Fredrick ficou atrás do piloto, com os braços cruzados e os dedos tremendo ao lado do corpo.
"Não gosto disso", murmurou baixinho. "Por que esse silêncio? Por que o percurso mudou? O que diabos vocês estão planejando, Skyshard?"
Uma tensão silenciosa instalou-se em seu peito enquanto ponderava suas opções. Por um lado, ele realmente não queria explodir a nave, pois isso tornaria quase impossível recuperar o item que Leo havia roubado entre os destroços.
Por outro lado, permitir que ele continuasse para frente, rumo a coordenadas desconhecidas e com motivos incertos, também era algo que Fredrick não podia permitir.
Algo precisava ceder.
E assim, Fredrick fez sua escolha.
Ele deu um passo à frente e emitiu uma última ordem. "Aponte as armas de mana para os propulsores traseiros deles; o objetivo é desativar, não destruir."
O piloto confirmou, os dedos voando pelo console enquanto as armas da nave travavam em alvos.
O olhar de Fredrick nunca desviou da nave à frente, seus instintos gritavam que, qualquer que fosse o plano de Skyshard, precisava ser detido antes que fosse tarde demais, ou o dano causado seria irreversível.