Assassino Atemporal

Capítulo 372

Assassino Atemporal

(Planeta Twin Fang, Anel de Moradia Externa, Apartamento de Leo, Dois Dias Depois)

*Thud*

*Thud*

*Thud*

A coluna de Leo arqueou-se para trás antes de ele colapsar novamente no chão, com a respiração firme e controlada enquanto concluía mais uma série de abdominais.

Gotas de suor escorriam pela têmpora, acumulando-se na cavidade da clavícula, mas seus movimentos não diminuiam.

Apesar de ter treinado continuamente pelos últimos dois horas, a explosividade de seus movimentos não havia diminuído nem um pouco, um claro indicativo de como seu corpo havia evoluído drasticamente durante seu tempo no Mundo Congelado no Tempo, onde a mana ambiente era muito mais densamente concentrada do que o normal e acelerou seu desenvolvimento físico, especialmente considerando que seu limite anterior, antes da fadiga, mal tinha atingido quarenta e cinco minutos.

*Bzzz*

*Bzzzzzz*

Uma vibração repentina ao seu lado fez com que ele perdesse a noção de suas repetições, pois seu pescoço ficou tenso e ele pausou os abdominais.

A vibração vinha do cristal de comunicação dele, que tinha colocado ao seu lado antes de começar a treinar, já que hoje era o dia em que Mu Fan havia prometido uma chamada de vídeo com sua família, para mostrar que as exigências feitas por ele tinham sido atendidas pelo Cult.

'Tomara que seja essa ligação–' ele pensou, ao alcançar o cristal de comunicação e canalizar sua mana através dele, para estabelecer a conexão.

*Gurgle*

Sua barriga rangeu de expectativa quando a ligação finalmente se conectou, e ele mal conseguiu esconder o sorriso no rosto, contudo, o rosto que apareceu do outro lado não era o que ele esperava.

Ele aguardava ver um dos seus familiares, mas ao invés disso, apareceu o rosto de um homem desconhecido, de uniforme, com mandíbula quadrada, postura militar e tom de voz que não admitia negociação.

"Sua voz e vídeo estão ambos silenciados aqui do meu lado, então fazer sinais ou gritar desesperadamente será em vão. O que estou mostrando é para visualização somente," declarou o homem friamente, girando a esfera que segurava na mão, enquanto a imagem mudava do rosto dele para a de uma grande propriedade murada, entre colinas verdes e paredes fortificadas.

"Essa propriedade fica no coração da capital de Vorthas," continuou o soldado enquanto seus passos soavam firmes sobre as pedras, "uma vez foi propriedade do Dragão Derrick, há duzentos e cinquenta anos. Agora pertence à família Skyshard, conforme seu pedido."

Leo se inclinou instintivamente, com os olhos fixos na cena que se desenrolava diante dele, enquanto admirava sua nova casa.

Era de estilo vintage, com bastante vegetação e esculturas, e na primeira vista parecia grande o suficiente.

'Nada mal–' pensou internamente, com os lábios levemente apartados, mas sem emitir som.

*Passo*

*Passo*

Assistiu o soldado marchar com uma cadência militar, enquanto sucessivamente uma ou duas portas de segurança se abriam para ele, permitindo que marchasse sem obstáculos pelo terreno da propriedade.

*Saudação*

*Saudação*

Outros soldados ao longo do caminho se alinhavam, formando fileira de atenção e saudando à passagem dele. Porém, ele não retribuía o gesto. Apenas caminhava, passo firme e constante, até subir uma pequena escada e chegar ao alpendre da mansão.

Lá, na antiga rede de balanço sob a cobertura sombreada, estava uma mulher afiando uma lâmina com movimentos suaves, fluidos e despreocupados, seus olhos levantando-se momentaneamente para olhar o orbe antes de retornar à peça de aço nas mãos.

Era Alia. Namorada do seu irmão.

A respiração de Leo ficou presa na garganta. Um sorriso suave rompeu seus lábios enquanto um calor genuíno e involuntário se espalhava pelo peito.

Agora ela tinha fios de prata na cabelo preto, antes impecável, sinais sutis de que os últimos dois anos tinham sido provavelmente difíceis para ela, mas sua postura permanecia firme, seu espírito indomável, parecendo saudável e forte, mais ou menos.

O soldado pausou para mostrá-la por alguns segundos, antes de seguir sua ronda.

Ele percorreu o amplo corredor da mansão até chegar à sala de estar, onde Leo viu ambos – sua mãe Elena e seu pai Jacob.

Elena parecia Magra. Seus braços mais finos do que se lembrava, os ossos mais visíveis sob a túnica gastada que vestia. Ela segurava a mão de Jacob com força, as juntas pálidas pelo aperto, como se temesse que soltá-la pudesse fazer ele desaparecer.

Jacob permanecia em silêncio ao lado dela, com o olho direito coberto por uma bandagem espessa, manchada suavemente de vermelho e amarelo, sinais de uma ferida não cicatrizada, visível mesmo pelo ângulo limitado da câmera.

Os olhos de Leo suavizaram-se ao vê-los.

Senti uma vontade instantânea de correr até sua mãe e abraçá-la ali mesmo, mas sabia que não podia.

Também sentiu uma sensação estranha de preocupação com a ferida no olho do pai, perguntando-se se ele havia perdido o olho ou se era apenas um arranhão.

'Acho que só vou descobrir quando encontrar eles pessoalmente…. Estão vivos, e por enquanto isso basta—' pensou, enquanto a transmissão mudava novamente, agora mostrando o soldado indo em direção à cozinha da mansão.

*Sizzle*

Leo percebeu um som alto de chiar ao entrar na cozinha, onde havia um homem grande, de cabelos grisalhos, usando um avental manchado, aparentemente fritando algo em um fogão aberto enquanto discutia com uma pequena criatura sobre seu ombro.

Leo piscou e soltou uma risada silenciosa, incapaz de conter o sorriso involuntário que se formou no rosto.

"Estou te dizendo, Vovô, o óleo não está quente o suficiente! O peixe perde sabor quanto mais você aquece—" reclamou Dumpy, em sua voz pequena.

"E estou te mandando ficar quieto! Eu já cozinhava peixe antes mesmo de você nascer, sua pestinha!" retrucou Ben sem olhar para ele, virando a carne chiando com um semblante rude.

A risada de Leo cessou somente quando a cabeça do minúsculo anfíbio de Dumpy se inclinou em direção ao soldado, seus olhos se apurando ameaçadoramente.

"Já tolerei sua presença tempo demais, demônio. Saia da minha vista agora ou prepare-se para lutar."

O soldado não respondeu à ameaça verbalmente, apenas bufou e virou-se, dirigindo-se para o passage que levava às escadas no andar superior.

*Passo*

*Passo*

Subiu as escadas, antes de chegar a outro corredor amplo e virar à esquerda, aproximando-se de uma porta fechada, a batendo suavemente antes de entrar.

*Bata*

*Bata*

Empurrou a porta lentamente, revelando uma mulher de cabelo castanho, sentada em uma mesa desarrumada, com um espírito de chamas pairando ao seu lado, enquanto ela usava uma ferramenta semelhante a uma chave de fenda para ajustar o interior de uma máquina complexa.

Ela se virou com uma expressão vazia, confusa.

"Quer alguma coisa?" ela perguntou, enquanto o soldado apenas balançava a cabeça e saia, deixando a garota de cabelo castanho voltar ao seu trabalho, enquanto a porta se fechava com um clique.

*SUSPIRO*

Leo sentiu seu fôlego ser tomado quando viu por um instante sua amada, Amanda. Apesar de breve, o momento foi suficiente para ele perceber que ela estava bem, e que continuava tão linda quanto sempre.

Um calor irresistível se espalhou dentro do seu peito ao vê-la, enquanto ele começava a sorrir como um completo idiota… com o coração batendo fora do peito.

'Até logo, meu amor–' pensou, enquanto o soldado caminhava em direção à última e mais especial porta.

Essa era diferente das outras, pois do lado de fora dela havia uma multidão de médicos, enfermeiros e curandeiros, com o espaço inteiro parecendo vibrar com tensão.

"Com licença," disse o soldado ao empurrar a multidão e entrar na sala pouco iluminada, onde havia apenas uma cama e bastante maquinaria ao redor.

As pupilas de Leo contraíram-se.

Na cama jazia Luke. Magro. De olhos fundos. Mal respirando.

Suas costelas sobressaíam fortemente sob a pele tensa, pálida, marcada por manchas escuras e feridas abertas que nunca cicatrizavam.

Cicatrizes cruzavam seu pescoço, percorrendo os braços, enrolando-se como cipós de dor gravados na carne.

Leo ergueu-se, sem sequer perceber que tinha se levantado. Seus punhos cerraram-se, e por um momento, o cristal tremeu em suas mãos, piscando com uma energia instável enquanto a raiva avassaladora que o consumia se expandia sua aura.

O soldado permaneceu na sala por tempo suficiente apenas para mostrar a Leo que Luke estava vivo, antes de retornar à saída.

"O acordo de nossa parte está cumprido. Vocês poderão ver a família pessoalmente assim que a sua missão for concluída," disse o soldado, com voz monótona, cortando a ligação de forma fria, enquanto a esfera de cristal nas mãos de Leo ficava preta com o término da conexão.

"O que… aconteceu… com… meu… irmão?" Leo falou lentamente, com uma intenção assassina queimando no peito, uma aura vermelha sangue poderosa envolvendo-o, algo nunca antes visto.

Neste momento, Leo finalmente entendeu por que o Cult decidiu silenciar a ligação.

Pois essa era uma conversa provavelmente indesejada de ouvir com ele agora…

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