
Capítulo 342
Assassino Atemporal
( Mundo Congelado no Tempo, Planalto Espectral, Primeira Rodada de Questionamentos Leo permaneceu sentado, com as pernas cruzadas e a testa franzida, enquanto o silêncio entre ele e o espectro se tornava cada vez mais pesado a cada segundo que passava, como se até o ar ao redor tivesse parado para esperar sua decisão. Ele tinha revisto cada história na mente inúmeras vezes, procurando uma brecha, um equívoco, uma pista escondida sob sua cadência quase mítica. A história dos arquitetos parecia quase plausível neste mundo tão fragmentado, onde a loucura frequentemente se torna lógica e a fé pode distorcer a própria realidade. Ele poderia realmente acreditar que existia uma tribo desfeita em algum lugar neste mundo, que teria tentado cavar para baixo em direção ao que eles acreditavam ser a salvação, quando o sol desapareceu. No entanto, talvez fosse por o enredo parecer demais para ser verdade que ele se perguntava se aquilo não seria uma armadilha? Por outro lado, a história do rei era carregada de arrogância, ambição e punições poéticas, e ainda assim algo nela também não fazia sentido. Conforme os registros antigos que ele leu, não havia menção a nenhum rei antigo que tivesse feito algo parecido com aquilo. Além disso, não parecia que Zharnok estivesse num estado em que pudesse aplicar punições tão mesquinhas após perder seu corpo físico. A própria história soava como uma lenda folclórica tirada de um livro infantil… E de alguma forma, Leo não conseguia decidir se era verdade ou não. E, por fim, havia a história do homem do espelho… vazia e assombrosa, falando de autorreflexão e apagamento, mas de algum modo com menos peso do que as outras, como se fosse uma mentira fabricada enquanto as outras duas estavam ancoradas na realidade. Era a única história cujo tema principal permanecia vago, como se o espectro tentasse cobrir uma base ampla sem ser específico, de modo que sua mentira pudesse passar por verdade. E, embora ser vago fosse um sinal claro de mentira, Leo sabia que também poderia ser uma armadilha, por isso, no final, ele não se sentia confiante de poder confiar na terceira escolha também. *Suspiro* Ele exalou lentamente, então sussurrou entre dentes: "Ou a segunda ou a terceira… Tenho uma forte sensação de que a primeira não pode ser." Mas, mesmo ao dizer isso, as palavras pareceram insatisfatórias. Porque sua intuição se recusava a escolher uma prioridade, e, apesar de todos os seus instintos, cálculos e cautela adquirida, Leo não conseguiu se arriscar a colocar sua vida na jogada de uma aposta cega. "Não posso arriscar aqui," murmurou para si mesmo, balançando ligeiramente a cabeça, "não assim… não quando o fracasso significa ser caçado pelos mortos." E então, como um raio de sol rompendo nuvens, uma lembrança despertou dentro dele. Uma lembrança de sua conversa recente com o velho dragão, onde o velho havia mencionado que, se Leo pudesse dominar o Codex, seria capaz de distinguir verdade de ilusão, de separar o real do fabricado, não apenas em objetos ou pessoas, mas talvez na própria essência das histórias. Leo piscou, a realização se encaixando com uma clareza inesperada. 'Certo…' ele sussurrou internamente, uma calma intensa se estabelecendo em seus pensamentos, 'o Codex.' Se ele pudesse perceber a aura de um mentiroso ao ver o espectro narrando as histórias, talvez pudesse encontrar uma maneira de avançar sem precisar arriscar sua vida nisso!
'Sim… essa é minha melhor chance–' concluiu Leo, levantando-se lentamente e encarando o espectro mais uma vez, desta vez não com insegurança, mas com determinação silenciosa.
"Você pode, por favor, repetir as histórias para mim? Preciso ouvi-las de novo para confirmar o que já sei!" disse, com tom firme, mas não confrontador, mais um pedido do que uma exigência.
O espectro de três cabeças inclinou seus crânios em sincronia inquietante, como se estivesse divertido com a audácia de seu pedido, mas não protestou, e novamente começou sua estranha recitação.
Mas Leo já não ouvia apenas com seus ouvidos.
Ele já observava o espectro com sua mana acumulada atrás dos olhos, na primeira vez em que narrou a história, mas desta vez tentou ao máximo esmaecer sua visão e focar somente no contorno sutil ao redor do fantasma, que ele presumiu ser sua aura.
Primeiro, não viu muita coisa, apenas a mesma aura de cor de pele se borrando além de sua ilusão de carne, enquanto focava somente na frágil fronteira entre o que terminava o contorno do espectro e onde sua aura deveria estar.
A primeira cabeça voltou a falar – sobre a cidade enterrada, as torres de cabeça para baixo, os portais para o além… – e enquanto Leo ouvia, percebeu uma leve ondulação de tensão na aura do espectro, não hostil ou enganosa, mas distorcida de orgulho, como se o narrador se deleitasse na estranheza de seu próprio conto.
A aura ao redor de seu corpo permaneceu discreta até o final, porém, no último instante, Leo percebeu um pequeno splash de preto que desapareceu assim que surgiu.
A segunda cabeça seguiu, contando a história do rei que reescreveu a história e foi punido por um deus esquecido, e aqui a aura mudou mais uma vez, ficando mais opaca, carregada de uma tristeza amarga que parecia refletir arrependimento ou memórias, como se a história carregasse o peso de uma verdadeira consequência.
A aura da segunda cabeça também não mudou durante seu relato, mas, próximo ao fim, ela também oscilou com uma leve splash de preto.
Finalmente, a terceira cabeça começou seu conto, falando do homem e de seu espelho, e Leo fechou novamente os olhos e seguiu a narrativa até o final, até o momento em que a história terminou e a aura da terceira cabeça também oscilou de um preto sutil, como as outras duas antes dela.
'Droga?' amaldiçoou Leo, uma expressão de frustração surgindo em seu rosto, pois não esperava tal resultado.
As três fantasmas emitiram a mesma aura ao final de suas histórias, o que não ajudou em nada a reduzir suas suspeitas.
Mas, paradoxalmente, isso acabou sendo uma coisa boa disfarçada.
Olhando para seu próprio corpo, Leo focou nas pontas de seus dedos e começou a falar mentalmente mentiras e verdades alternadamente.
'Não sinto falta da minha família nenhuma.'
'Será que o Dumpy está vivo e bem?'
'Nunca pensei em enfiar um guarda-chuva no traseiro do professor David.'
'Tenho medo da morte.'
O objetivo desse experimento era verificar se sua própria aura ficava preta ao mentir ou não, e embora não tenha notado qualquer alteração nas primeiras dezenas de mentiras, ao dizer a décima primeira, observou uma leve centelha de preto surgindo ao redor de seus dedos.
'Huh? Era isso? Consegui no final?' pensou Leo, feliz… Sentindo-se encorajado, continuou com o método por mais algum tempo.
Até perceber que podia continuamente detectar uma tênue centelha de preto emergindo de suas pontas dos dedos toda vez que mentia.
'Acho que achei… Mas preciso consultar o Codex para confirmar!' concluiu Leo, ao pegar imediatamente seu Anel de Armazenamento e retirar o [Codex das Revelações Sete Vezes].