Assassino Atemporal

Capítulo 260

Assassino Atemporal

Leo observava as várias missões e suas recompensas divulgadas no quadro de avisos, porém, após percorrer tudo cuidadosamente, percebeu que ali havia apenas duas missões atualmente disponíveis que concediam acesso irrestrito ao tesouro dos Serpentes Negras.

Uma delas era a missão Oportunidade de Ouro, em um mundo congelado no tempo, e a outra era uma missão de nível Preto para assassinar Soron, o Líder Supremo do Culto do Mal.

Como assassinar o Deus do Culto do Mal estava fora de questão para ele, a missão de Ouro permanecia como sua única escolha viável para obter o acesso ilimitado necessário para realizar o roubo do pergaminho.

“O que exatamente é um Mundo Congelado no Tempo? Por que nunca ouvi falar nisso durante meu tempo em Rodova?”— Leo perguntou, franzindo um pouco a testa.

O quadro de missões não fornecia qualquer informação sobre o que exatamente era esse mundo, nem detalhes sobre os riscos envolvidos ao visitá-lo.

“Se eu aceitar essa missão, primeiro preciso reunir mais informações sobre ela e avaliar se sou capaz de realizá-la ou não”, pensou Leo, enquanto vasculhava o salão em busca de alguém que parecesse comunicativo e acessível, com quem pudesse discutir a missão.

E, para sua sorte, logo avistou um rosto conhecido: o Sr. Raiden.

O assassin mais velho estava perto da extremidade do quadro, conversando animadamente com um homem de olhar atento, de cabelo escuro e comprimento até os ombros, com um tablet sob um braço. Sem hesitar, Leo se aproximou.

“Ora, ora, se não é o Leo Skyshard!”—disse Raiden, cumprimentando com calor ao vê-lo chegando, e dando-lhe um tapinha alegre no ombro.

“Estava justamente falando de você com o Cipher aqui”,—continuou Raiden, enquanto o homem ao seu lado se virava, lançando um olhar de reconhecimento enquanto uma expressão de surpresa passava pelo rosto dele.

“Espera… você é o Leo Skyshard, não é? Dos Circuitos Intergalácticos?”—perguntou, e Leo apenas deu um breve aceno de cabeça.

“Sabia. Você foi insano na final. Meu nome é Cipher”,—ele acrescentou, estendendo a mão. “Parceiro de Raiden… infelizmente, de assassino também.”

Leo aceitou a avaliação, mantendo-se calmo e controlado. “Prazer.”

“Então,”—disse Raiden, cruzando os braços com um sorriso debochado—“o que te trouxe até o quadro de missões neste horário? Não me diga que já está com vontade do seu primeiro contrato.”

Leo virou a cabeça na direção da missão dourada ao longe. “Essa chamou minha atenção.”

Raiden piscou, depois soltou uma risada alta. “Você está brincando. É exatamente essa missão que mencionei hoje à tarde. Parece que estamos na mesma sintonia já.”

Leo não sorriu.

Raiden prosseguiu. “Essa missão é das mais perigosas que existem, mas a recompensa? Vale a pena. Se um grupo de seis conseguir completá-la, cada um poderá se aposentar sete gerações à frente. A recompensa de 6,5 bilhões de MP é boa demais pra dispensar sem tentar.”

Ele se inclinou, baixando um pouco a voz. “Porém, já passaram de cem times que tentaram. Ninguém voltou.”

As sobrancelhas de Leo se franziram. “Do que se trata e por que é tão perigosa?”

“Não sabemos”,—disse Cipher. “Mas tenho coletado materiais —antigos papéis, teorias, diários sobre anomalias de mundos congelados no tempo. Estou confiante de que há uma estratégia para sobreviver a elas, e estou trabalhando em uma com Raiden.”

Raiden assentiu em direção a ele.

“Tenho uma equipe em formação para explorar o mundo congelado no tempo, comigo e com o Cipher. Já consegui convencer duas pessoas, e estou procurando mais duas ou três.”

“Você é um ótimo lutador, garoto. Poderíamos precisar de alguém como você. Além disso, é sempre mais seguro entrar em equipe do que sozinho.”—ele explicou. “Se der certo, ficaremos ricos. Se não, somos do tipo que prioriza a vida ao invés da recompensa, então vamos sair antes que o negócio fique muito perigoso.”—ele terminou, ao que Leo respondeu com um leve aceno de cabeça.

“Tenho interesse. Mas vou fazer minha lição de casa primeiro, antes de me comprometer”,—anunciou, antes de virar-se para Cipher. “Você disse que está coletando notas. Pode me dizer onde posso começar?”

Cipher sorriu.

“Tem um arquivo restrito na biblioteca da Guilda, na seção Zeta-9. Pergunte pelo ‘Arquivo do Véu Crono’. Foi lá que encontrei a maioria das teorias úteis.”

“Vou conferir”,—disse Leo, e então olhou pela última vez para o plaque dourado ao longe.

Ele ainda não tinha o quadro completo, mas, se essa missão tinha sequer uma pequena possibilidade de levá-lo mais perto do pergaminho e do cofre — então valia a pena explorar.

Mesmo que fosse preciso correr riscos calculados.


(Biblioteca da Guilda dos Serpentes Negras, Seção Zeta-9 – Arquivo do Véu Crono)

*Passo*

*Passo*

Os passos de Leo ecoaram levemente pelo corredor iluminado por tochas, enquanto ele se dirigia às câmaras internas da Biblioteca da Guilda dos Serpentes Negras.

A arquitetura aqui parecia mais antiga, mais esculpida do que construída — tetos abobadados sustentados por arcos de pedra rústica, cada um com tubos de cristal finos que pulsavam suavemente mana, projetando uma luz fraca e oscilante.

Comparado à biblioteca da Academia Militar de Rodova, essa parecia menor e menos refinada.

A seção de arquivos de Rodova era uma fortaleza intelectual: um monumento extenso ao conhecimento, com alas dedicadas às ciências, caminhos guerreiros e tratados políticos de todos os sistemas estelares.

Já essa… era diferente.

Era mais fria. Silenciosa. Menos sofisticada.

Mas também mais focada.

Aqui, as estantes não eram feitas para estudiosos ou estudantes—eram feitas para assassinos.

Dezenas de tomos e pergaminhos manuscritos permaneciam selados atrás de proteções especiais, muitos cheios de estudos proibidos, relatórios confidenciais e experimentos militares banidos há tempos do registro público.

Essa biblioteca não era um lugar para pesquisar ou saciar a curiosidade, mas sim uma preparação para assassinato.

Zeta-7

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Zeta-8

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Zeta-9!

Ao chegar ao canto mais distante da biblioteca, Leo finalmente viu uma placa de latão opaco pendurada sobre um arco de madeira preta, marcada: Zeta-9.

Essa seção, conhecida como Arquivo do Véu Crono, continha uma lista de habilidades, eventos e mundos ligados a anomalias “no tempo”.

Menos de 100 livros estavam lá, pois a maior parte do espaço era preenchida por anotações manuscritas de assassinos sobre como derrubar alvos com habilidades temporais peculiares; porém, ainda assim, havia alguns itens úteis.

No primeiro estante, havia um livro grande com capa desgastada intitulado “Rastreamento e Eliminação de Alvos em um Mundo Congelado no Tempo”, que despertou a curiosidade de Leo. Ele pegou o livro e se sentou na mesa central para começar sua pesquisa.

*Slam*

O livro fez um leve som ao ser aberto, e a primeira página que Leo encontrou estava em branco, exceto por uma frase escrita com tinta vermelha:

"Se tiver de escolher entre entrar ou não em um mundo congelado no tempo... não vá."

Os olhos de Leo se estreitaram, mas ele virou a página sem vacilar.

Quem quer que tivesse escrito isso claramente não queria que outros seguissem o mesmo caminho, para deixar uma advertência assim. Contudo, Leo não se deixou intimidar.

Não estava ali para ser protegido ou assustado por escritas ominosas. Estava em busca de respostas. E, se a verdade sobre os mundos congelados no tempo estivesse escondida nessas páginas — por mais sombria ou perturbadora que fosse — era um conhecimento que ele buscaria desvendar.

Devagar, virou a próxima página, seus olhos se aguçando ao ver a primeira página escrita, começando a ler com a mente clara.

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