Assassino Atemporal

Capítulo 254

Assassino Atemporal

Leo abandonou a orientação de Mu Fan a meio caminho da fuga, convencido de que não precisava mais dela.

Ele achava que se dava melhor sozinho.

Acreditava que ainda era intocável.

Em sua cabeça, ainda era "O Chefe" — o mais forte do sistema, o rei entre os homens.

Mas essa ilusão que tinha sobre seu poder estava prestes a despedaçar-se de vez, pois, no mundo real, um guerreiro classificado como "Mestre" mal era uma pontinha na escala de poder.

Nada mais do que um lixeiro e um plebeu.

No entanto, cegado por arrogância e auto confiança narcisista, Leo voltou marchando em direção à Nave Arc, decidido a proteger os interesses de sua família… só para ser interceptado e preso antes mesmo de chegar na metade do caminho.

As autoridades locais não apenas o prenderam. fizeram dele um exemplo, batendo, zombando e torturando-o como se fosse um criminoso, cuja vaidade valia bem menos do que ele queria fazer parecer.

Foi durante essa fase da sua vida que Leo realmente se lembrou do que significa ser humilde. Do que é viver como um esquecido, sobrevivendo às margens, onde dignidade é luxo e a violência rotina diária.

Arremessado numa das prisões mais brutais de Terra Nova, Leo enfrentou dificuldades inimagináveis desde o momento em que colocou os pés lá dentro.

Facadas, assassinatos e lutas de morte corpo a corpo não eram eventos isolados, mas entretenimento diário para os presos.

À medida que foi jogado na lama do planeta, no pior que a humanidade tinha a oferecer, e se quisesse sobreviver, não teria outra escolha a não ser se adaptar rapidamente.

Então, tornou-se inteligente.

Aprendeu a ficar alerta, a dormir de cabeça leve e a observar cada canto como se sua vida dependesse disso, porque, na maioria das vezes, ela dependia.

Mas mesmo a cautela tinha limites, pois, apesar de seus esforços, ainda apanhava quase todo dia, e seu comportamento de "Chefe" só piorava a situação.

Isso não assustava os outros presos, nem quando ele mal era um guerreiro de nível mestre, mas, ao contrário, provocava-os e fazia com que quisessem quebrar seu espírito ainda mais.

Até que, eventualmente, a esperança começou a se esvair.

Leo sabia que precisava encontrar uma saída, qualquer que fosse, e rápido.

E, finalmente, viu um fio de esperança ao ouvir um preso comentar sobre os testes genéticos do Diretor da prisão.

O boato dizia que o Diretor era discípulo de um cientista genético perverso, que havia desaparecido dos registros públicos.

Porém, como seu principal discípulo, o Diretor continuava seu legado por meio de experimentos clandestinos com presos selecionados, prometendo liberdade a quem conseguisse sobreviver aos testes.

Na maioria das vezes, ninguém sobrevivia.

Mas Leo se ofereceu como voluntário mesmo assim.

Porque, mesmo a menor chance de escapar daquele inferno e reencontrar sua família era melhor do que a certeza da morte que enfrentava na prisão.

E assim, foi levado pelo Diretor para ser testado primeiro quanto à sua composição genética, e o resultado foi de tirar o fôlego até do próprio Diretor.

Leo tinha, além do sangue de um Deus, o sangue de um dragão ancestral, na sua composição genética, a mais única que ele já tinha visto.

Obcecado, o Diretor passou a tratar Leo como seu paciente mais precioso e até entrou em contato com seu mestre, o Cientista Louco, para colaborar nos testes, e o mestre aceitou feliz da vida, porque, assim como ele, não resistia à tentação de testar uma amostra tão única.

E assim começaram os experimentos genéticos subótimos em seu corpo, já que esses dois idiotas loucos tiveram a ideia maluca de introduzir um coração de mana em seu organismo.

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(Flashback, Uma instalação subterrânea de testes, em algum lugar do Planeta Terra Nova)

Leo se viu amarrado nu numa mesa de operação de metal frio, com os membros presos por cabos grossos que pulsavam suavemente com mana repressora.

O ar ao redor cheirava a ferro, antiseptico e carne queimada, enquanto o teto era revestido de luzes brancas e intensas que piscavam de vez em quando, revelando lentes de observação no teto e dutos com encantamentos de runas pingando condensação.

A própria sala parecia mais um horror disfarçado de ciência.

Tanques de vidro altos, cheios de criaturas meio formadas, alinhavam as paredes, algumas tremendo fracamente em seus fluidos nutritivos, outras imóveis como a morte.

Órgãos dissecados flutuavam em potes de contenção, enquanto máquinas zumbiam e assovio davam intervalos irregulares, muitas construídas com tecnologias diferentes, biotecnologia, mana-tech, ligas alienígenas, tudo preso por parafusos enferrujados e amarras improvisadas.

Duvidas voavam de trás de uma grossa parede de vidro de observação, discutindo insistentemente sobre como avançar nos experimentos.

"O sangue de Deus que corre nele é muito ralo," disse uma delas. "Passou por pelo menos quinze gerações de diluição. Se não fosse a traço de sangue de dragão misturado ao corpo dele, nem reação teria causado."

"Você está enganado," retrucou a segunda voz, mais aguda e agitada. "É ao contrário. É o sangue de Deus que ativou a linhagem de dragão adormecida. O sangue de dragão é ainda mais ralo que a linhagem divina. Só reagiu depois que ele aprendeu a absorver e circular a mana. Os dois são sinergéticos — um amplifica o outro."

"Que desperdício," murmurou o primeiro. "O garoto cresceu num planeta sem mana. Deve ser uma quantia imensa de gerações de sua família que viveu e morreu sem jamais saber o que tinha nas veias."

"Por isso mesmo precisamos enriquecê-lo. Antes de qualquer outro teste, clone suas células-tronco, concentre os traços que queremos e reinalde seu corpo com sangue de maior qualidade. Isso vai torná-lo mais receptivo ao Soro de Despertar Genético mais tarde."

"Idiota. Devíamos implantar uma matriz de mana forçada agora. Estabilizar sua essência primeiro, para que produza resultados mais rápidos—"

"Não, não, não. Isso vem depois. Primeiro vamos reforçar a fonte. Você não constrói uma torre em carne podre!"

Os argumentos ficaram mais intensos, as vozes se sobrepuseram e ecoaram com frustração, enquanto Leo, entre a dor e os sedativos, só conseguiu captar pedaços, mas o suficiente.

Ele tinha o sangue de um deus nas veias.

E, também, sangue de dragão.

Naquele momento, ele não sabia o que isso significava. Não via seus pais como divinos ou dracônicos, nem acreditava que seu parentesco fosse algo além do humano. Mas, aparentemente, enterrado em seu código ancestral, havia uma combinação rara e volátil.

Por fim, a discussão terminou, e as ações tiveram início.

Fios foram conectados ao seu pescoço, braços e peito. O zumbido das máquinas de circulação sanguínea encheu o cômodo, seguido pelo ardor de várias agulhas sendo inseridas.

Seu corpo começou a tremer enquanto seu sangue natural era extraído e substituído, aos poucos e sistematicamente, por uma versão sintética criada a partir de suas próprias células.

Esse sangue novo só continha os atributos que os cientistas consideravam valiosos, sendo eliminado tudo o mais.

O processo foi brutal.

Seu corpo rejeitou o sangue novo quase que imediatamente após a inserção.

Seus músculos se contrairam, a visão escureceu, e cada célula gritou em resistência ao reconhecer a infusão como algo estranho.

Mas Leo resistiu.

Com força de vontade e pelo fato de seu DNA ainda manter compatibilidade com o novo sangue, por menor que fosse, seu corpo começou a se adaptar.

Não foi fácil nem gracioso.

Mas, com a obstinada determinação de quem quer viver e voltar para sua família de qualquer jeito, Leo conseguiu sobreviver à transfusão.

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