
Capítulo 245
Assassino Atemporal
(Academia Militar de Rodova, Câmera de Despertar Genético)
Assim que os neurocapsulos se abriram com um suspiro, o Major Hen entrou imediatamente em ação, apoiando os dois garotos para fora das cápsulas e em direção à sala de recuperação.
Pela primeira vez desde a chegada de Leo em Rodova, Hen sentiu o peso do garoto contra seu ombro— instável, pesado, exausto.
'Ele nunca tinha se apoiado em mim antes', pensou Hen, olhando de relance para o jovem pálido ao seu lado. 'Nem mesmo após sua primeira injeção. Se está fazendo isso agora... seu corpo deve estar realmente destruído.'
Após cuidadosamente ajudar Leo a subir na cama de recuperação, Hen não perdeu tempo em pegar seu tablet de dados e fazer uma série de buscas por palavras-chave na expressão que ainda piscava em vermelho na tela de acompanhamento de sinais vitais de Leo:
[Coração de Maná – Formação Confirmada]
O que ele descobriu deixou-o mais confuso do que aliviado.
Segundo todas as fontes disponíveis, o 'Coração de Maná' não deveria existir em humanos— de jeito nenhum.
Não há registros confirmados de uma pessoa nascer com um órgão assim, nem relatos de alguém formando um após o Despertar Genético, tornando o caso de Leo o primeiro do gênero.
As poucas informações existentes remontam o fenômeno a uma origem muito específica: Dragões Ancestrais.
Todos os dragões ancestrais nasceram com um Coração de Maná, embora o órgão não se ativasse completamente até a fase adulta. Sua função principal era atuar como uma câmara de filtração e compressão—removendo impurezas e enriquecendo o sangue e o mana antes de bombeá-los de volta à circulação.
Essa filtração concedia aos dragões ancestrais uma vantagem extraordinária tanto em longevidade quanto em combate.
Algumas estimativas até afirmavam que um Coração de Maná totalmente despertado poderia prolongar a vida de um dragão por séculos e aumentar sua capacidade de batalha em até 30%.
Por isso, mesmo entre dragões do mesmo nível, a presença ou ausência de um Coração de Maná ativo criava uma diferença que chegava a ser como céu e terra.
Depois de tudo, quanto mais puro o mana que circula nos circuitos, mais forte é a técnica—mesmo a mais básica.
É a mesma lógica que permite a um guerreiro de nível Transcendente lançar uma feiticeira de [Bola de Fogo] que vaporiza um canyon inteiro—enquanto um Mestre mal consegue derreter pedra com o mesmo ataque.
No entanto, embora estudos básicos sobre Corações de Maná em dragões existissem—o pouco que havia sobre transplantes ou formação em humanos era sombrio.
Alguns guerreiros desesperados chegaram a tentar, cirurgicamente, transmutar os Corações de Maná de dragões mortos para si próprios, mas todos morreram em poucos dias—sofrendo rejeição sistêmica violenta, com o órgão estrangeiro lentamente envenenando seus corpos por dentro.
Nunca houve um caso de um humano formar um naturalmente.
Até agora.
Hen esfregou a nuca, olhando fixamente para a tela.
"Isso... isso não deveria ser possível", murmurou em voz alta, dividido entre admiração e preocupação. "O que diabos você está virando, Leo Skyshard?"
*Suspiro*
[Encaminhar Relatório ao Diretor]
Hen enviou imediatamente o relatório ao diretor Alric, na esperança de que ele pudesse ter acesso a mais informações.
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Enquanto isso, na sala de recuperação, Leo e Su Yang estavam deitados lado a lado, machucados e machucados— respirando sincronizados sob o suave zumbido dos monitores médicos.
Su Yang quebrou o silêncio primeiro, com a voz rouca, mas carregada de um sorriso meio maluco.
"Não acredito que essa seja a última vez, Skyshard... Não acredito que você realmente vá embora."
Leo virou levemente a cabeça, um sorriso cansado surgindo nos lábios apesar da dor ardente que consumia cada parte do seu corpo.
"Ainda bem que você falou, princesa. Você anda com uma atitude meio realeza nos últimos dias", murmurou, a voz seca e rouca.
Su Yang soltou uma risada, depois riu mais fundo— algo entre diversão e arrependimento.
"Pois é, ainda estou bravo com você. Mas... talvez essa seja a última momentânea paz que vamos ter. Então pensei— por que não?"
Sua voz ficou mais suave, mais calma.
"Eu queria te recrutar como meu braço direito, Skyshard. E digo braço direito—de forma metafórica. Você sempre será meu igual. Meu irmão."
Leo não interrompeu, apenas ouviu em silêncio.
"Você sabe que sou um dos candidatos ao cargo de patriarca da família Su. Quando essa fase na academia acabar... vou ser puxado para um mundo de política, alianças sanguíneas e jogos de poder frio e sufocante."
A garganta de Su Yang deu uma tossida ao engolir em seco.
"Eu pensei... não, esperava— que teríamos um ano. Um último ano para lutar lado a lado, brigar como demônios, nos desafiar ao limite e dar um jeito na Geneva antes que os lobos venham atrás de mim."
Ele olhou de relance, a voz trêmula.
"Mas sem você, tudo parece... cinza. O único rival que me mantinha afiado, o único que fazia as lutas valerem a pena— agora vai embora."
Ele exalou, com uma respiração longa e amarga.
"Nem sei mais pelo que esperar. É como se uma névoa estivesse chegando, e eu ainda nem saí de verdade."
Leo ficou em silêncio— porque sabia que Su Yang ainda não tinha acabado.
"Você é uma tempestade, Skyshard", murmurou Su Yang, agora com a voz mais suave. "Você age por instinto. Pensa cinco passos à frente, mas nunca se dá ao trabalho de dizer pra onde está indo. Na maior parte das vezes, eu não te entendo, e na outra... acabo me enganando."
Não havia malícia no tom dele, apenas sinceridade.
"Respeito o que você está fazendo pelo Darnell. Cara, é uma honra que até gostaria de ter em mim. Mas o que me irrita de verdade é que você não falou comigo. Nem uma vez. Você tomou sua decisão e partiu como se eu nem fosse parte do cálculo."
Sua voz tremeu levemente, não por raiva— mas por vulnerabilidade.
"Talvez eu esteja exagerando. Talvez não seja tão sério assim. Mas quando você trata tudo como se não importasse, às vezes... acho que também não importa pra mim."
Pausa. Então, uma risada baixa.
"Você é um idiota, Skyshard, não é à toa que sou seu único amigo." completou Su Yang, rindo de verdade agora— nervoso a princípio, mas aos poucos se soltando, mais livre, mais relaxado.
E, entre risos e silêncio, a própria risada de Leo se juntou à dele.
Não foi alta, nem duradoura.
Mas foi verdadeira.
E assim, o peso entre eles— dias de desapego, palavras não ditas e emoções guardadas— começou a se dissolver.
"Quem sabe, Yang", disse Leo ao final, a voz fraca, mas firme. "Talvez um dia, se precisar de uma lâmina ao seu lado nessa luta pelo patriarca... você me encontre lá."
Depois de uma breve pausa, acrescentou com um sorriso de canto de boca: "Aliás, não estou morrendo. Ainda estou vivo, não estou? Com certeza vamos nos encontrar de novo…"
Su Yang virou a cabeça, olhando para ele com os olhos semi cerrados.
"Verdade", sussurrou, concordando com a cabeça.
"Promete estar lá quando eu precisar de você, e eu prometo o mesmo—" disse Su Yang, os olhos abrindo de repente com força, enquanto Leo fez um gesto de concordância.
"Vou fazer o meu melhor, essa eu prometo—"
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(Enquanto isso, escritório do Diretor Alric)
O olhar do Diretor Alric caiu sobre a notificação piscando no canto de seu tablet de dados.
[URGENTE: Assunto Leo Skyshard | Anomalia no Status de Despertar Genético Detectada]
Ele tocou uma vez, os dedos pairando sobre o botão "Ver Relatório".
Depois, com um suspiro cansado, fechou a aba completamente.
"Ele não é mais problema nosso, que os Serpentes Negras cuidem do seu prodígio valioso", comentou consigo mesmo, descartando o assunto sem sequer verificar qual era a anomalia.