Assassino Atemporal

Capítulo 240

Assassino Atemporal

"Posso ficar a sós com o menino por um instante?" Ladina finalmente perguntou, com a voz tensa, quase sem esconder a frustração.

"Se você não se incomodar...?" ela acrescentou, lançando um olhar para o Diretor Alric.

Alric apontou para o próprio rosto, confuso, e depois olhou ao redor do escritório como se estivesse se certificando de que ela realmente estava falando com ele.

Era seu próprio maldito escritório— e, ainda assim, lá estava ele, sendo solicitado a sair como um convidado que já passou do tempo de ficar.

"Claro... Vou esperar na sala de estar lá fora," Alric respondeu após uma pausa, reprimindo sua irritação enquanto se levantava e se dirigia à porta.

Normalmente, ele não teria aceitado tão facilmente um pedido assim.

No entanto, Ladina Horizon não era qualquer pessoa.

Ela era a maldita CEO do Grupo Horizon Dominion e, quando ela pedia para usar seu escritório, você simplesmente entregava. Sem questionar.

Ele não sabia exatamente o que ela queria dizer que não poderia ouvir, mas, qualquer que fosse, estava claro que não era para ele.

*Cliq*

Ao fechar a porta atrás de si, o clima na sala mudou quase instantaneamente.

O sorriso suave e compreensivo que Ladina usara a noite toda desapareceu.

Seus olhos se afinavam, tornando-se frios, profissionais e predatórios enquanto ela se aproximava de Leo.

"Garoto," ela disse, a voz baixa e cortante, "não pense por um segundo que a Horizon Dominion não sabe o que você é— e o que você fez."

Leo levantou levemente a sobrancelha, surpresa genuína surgindo no rosto.

Ele não fazia ideia de onde vinha aquela raiva repentina.

"Você está sendo procurado no Planeta Terra Nova por vazamento de documentos confidenciais do governo e por fraude contra o estado," Ladina continuou, fria.

"E há uma investigação aberta vinculando você às mortes de dois agentes de segurança."

Sua fala atingiu como punhaladas lançadas, mas Leo não vacilou.

"Você não é um cavaleiro de armadura reluzente, Skyshard.

Então, chega de besteira."

Ela avançou ainda mais, ficando tão perto que Leo pôde sentir o leve calor de sua pele contra a dele.

Apesar de sua altura modesta—mal chegando ao seu colarinho—Ladina não hesitou em olhar diretamente nos olhos dele, a presença imponente fazendo o que seu tamanho não podia.

"A única razão pela qual você não está sob investigação do governo universal agora," ela sussurrou, "é porque a Horizon apagou seus registros criminais antes das Finais do Circuito."

"Fizemos isso," ela enfatizou, apontando delicadamente para o peito dele com um dedo manicure, "porque você era um bom investimento. Nossa estrela em ascensão."

"E enquanto você continuar brilhando, nós continuaremos a te proteger."

Sua voz caiu ainda mais, quase num rosnado.

"Mas faça uma besteira como se juntar aos Serpentes Negros— e eu pessoalmente vou arrancar esse escudo de você."

Por um momento, Leo sentiu uma energia perigosa começar a surgir dentro dele.

A vontade de matar— de despedaçar a mulher que ousava ameaçá-lo— piscava perigosamente sob a superfície.

Mas ele não se mexeu.

Não piscou.

Simplesmente ficou olhando para ela, frio e imóvel, seu instinto assassino enterrado sob camadas de controle absoluto.

Ladina sorriu de forma contida, confundindo sua contenção com submissão.

"Após o ataque terrorista na Arena, uma verificação completa de antecedentes foi feita em todos os participantes," ela disse.

"Você de alguma forma infiltrou a equipe de Rodova com seu histórico, mas, sem a intervenção discreta da Horizon, você não teria saído da Arena do Deus do Céu sem ser detido."

"Você também nos deve uma dívida de honra, Skyshard."

"E sugiro que se concentre em pagá-la primeiro." ela afirmou, com uma expressão impassível, enquanto o quarto permanecia praticamente congelado por um momento.

Então—

Leo jogou a cabeça para trás e soltou uma risada.

Um som baixo, agudo, quase feroz, que fez até Ladina recuar meio passo.

Porque naquela risada... não havia medo.

Apenas desprezo.

"Você acabou de admitir que cometeu crimes e alterou registros do governo... bem na minha frente?" Leo perguntou, retórico, com a voz plana de incredulidade enquanto encarava Ladina.

A expressão de Ladina se aprofundou, mas ela não disse nada.

"Não tenho memórias do meu passado. Isso é verdade. Entrei em Rodova com a mente apagada, e todo mundo já sabe disso."

Ele deu um passo à frente, o ar ao redor dele ficando mais pesado.

"Se eu fosse mesmo um criminoso, entregaria a mim mesmo às autoridades assim que surgissem essas acusações," ele disse com firmeza.

"Porque esse é o padrão de honra e integridade moral que sigo."

Os olhos de Ladina se arregalaram de horror ao perceber onde aquilo ia parar.

"E estou mais do que disposto a fazer isso agora mesmo," Leo continuou, quase numa conversa casual.

"Não tenho medo da prisão. Não tenho medo de punição."

Ele sorriu de lado, como um predador mostrando os dentes.

"Mas acho que as autoridades achariam ainda mais interessante descobrir sobre o Horizon Dominion Group— e como vocês alteraram meus registros sem meu consentimento."

Ele deixou isso pairar no ar por um instante, antes de aprofundar a ameaça.

"Depois de tudo, agora tenho um seguidor bem grande, não é?"

Que tal eu ligar para alguns canais de mídia e dar uma entrevista exclusiva?

Dizer como o grande Horizon Dominion manipulou investigações do estado para encobrir um produto 'estrela' que mal compreenderam?"

Visivelmente pálida, a máscara profissional de Ladina começava a se partir.

"Você está bluffando!" ela disparou, tentando retomar o controle.

"Você não faria isso. Por quê faria? Por que se entregar voluntariamente à prisão?"

Sua voz ficou tensa, cheia de incredulidade.

Para ela, aquilo não fazia sentido.

Por que alguém, tendo uma fuga limpa à vista, escolheria deliberadamente correntes ao invés de liberdade?

Mas, ao olhar para o rosto calmo e indecifrável de Leo... ela não conseguiu saber se ele estava blefando ou não.

Pois aquele olhar frio, calculista, não traía nada.

"Realmente sou assim?" Leo perguntou suavemente, inclinando a cabeça com um brilho travesso, a voz quase brincalhona— mas com um perigo inegável por trás.

Ladina sentiu o estômago cair.

Porque, lá no fundo, seus instintos gritavam a verdade:

Leo Skyshard não estava blefando.

E ao abrir essa porta— ao tentar intimidá-lo— ela cavou sua própria sepultura.

Se Leo revelasse a encenação, o governo não perdoaria facilmente o Horizon Group.

Eles descobririam como a Horizon tramou o assassinato do investigador principal, como subornaram oficiais, falsificaram registros e gastaram milhões para limpar uma bagunça que nunca entenderam completamente.

Na atual situação política— com o Governo Universal desesperado para combater a corrupção após o ataque na Sky-God Arena— o Horizon Dominion seria exposto, destruído peça por peça.

E Ladina Horizon... seria a responsável por isso.

*Gargalhada nervosa*

Ela engoliu em seco, percebendo que o que começou como uma jogada de intimidação contra Leo, tinha se voltado de forma tão catastrófica que agora ela mesma se via sob ameaça.

"Como você se autodenomina minha ‘irmã mais velha’ e como o Horizon Group só quer o ‘melhor’ para mim."

Vou deixar suas crimes passarem, só dessa vez, contanto que não me incomode.

Vou procurar Darnell Nuna e salvá-lo, e, enquanto isso, espero que o Horizon Group não envie mais convites estúpidos de testes de equipamentos para mim.

Sei que está no meu contrato que tenho que comparecer a partidas de exibição quando necessário, mas isso pode esquecer, agora.

Vou participar dessas partidas só depois de estar moralmente livre, após salvar Darnell, mas antes disso... nada," Leo concluiu, tranquilamente, dando uma leve palmada nos ombros de Ladina antes de virar as costas e partir.

"Até mais, Sra. Ladina, foi um prazer te conhecer hoje!" Ele disse enquanto saía, e só então Ladina percebeu que Leo não era um tolo, mas sim uma onça disfarçada de cordeiro.

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