Assassino Atemporal

Capítulo 225

Assassino Atemporal

(Ponto de Vista de Dupravel Nuna, Câmara de Interrogatório, Quartel-General da Guilda Serpente Negra, Planeta Dente Gêmeo)

Doze horas após a sua investida na sala de escritórios, Dupravel Nuna permanecia imóvel no centro de uma câmara circular, enterrada bem abaixo da instalação principal da Guilda Serpente Negra.

Era um lugar selado contra luz, som e oração. Um espaço construído exclusivamente para violações.

O chão da sala era marcado por glifos rituais mergulhados em sangue antigo, as manchas secas eram provas de todos os horrores que aconteceram ali ao longo dos anos.

E, no centro de tudo, estendido sobre um pedestal de pedra, jazia o cadáver recém-recebido de um guerreiro transcendental, que a guilda havia providenciado especialmente ao matar um mestre de guilda de uma guilda menor.

"Corresponde," disse Antonio enquanto puxava o pano que escondia o corpo. "Mesma assinatura de mana, tamanho semelhante, exatamente o que você pediu."

Dupravel não respondeu, apenas levantou a mão e convocou a urna.

*SISSL*

A temperatura do ambiente caiu alguns graus de repente, enquanto de um espaço quadridimensional emergia uma urna.

Ela não flutuava, deslizou na palma de Dupravel, enquanto os glifos brancos escritos em seu corpo prateado brilhavam suavemente.

Antonio não podia deixar de estremecer diante dela, pois, embora já tivesse visto Dupravel executar esse ritual pelo menos cem vezes para trazer alguém de volta à vida, ainda tremia toda vez que testemunhava a cena.

"Mahumta, Falleva, Mareba, Makumbaya!"

Dupravel pronunciou em voz alta na antiga língua, enquanto lentamente soltava a tampa da urna.

*SHHHHK*

Um sibilo seco saiu da urna, como ar de uma tumba esquecida ao ser aberta com sucesso.

Depois, ao inclinar a urna, um fio de cinzas negras, finíssimo, escorreu devagar, que Dupravel cuidadosamente segurou com as mãos antes de fechar imediatamente a urna.

"Mahumta, Falleva, Mareba, Makumbaya!"

Ele repetiu o cântico, sinalizando para Antonio abrir a boca do morto.

*Abrir*

Antonio fez o que lhe foi pedido, mantendo a boca aberta, enquanto Dupravel lançava as cinzas na garganta do cadáver, cobrindo seu rosto com a palma da mão e canalizando sua mana através do corpo morto.

A reação foi instantânea.

*SOM*

O cadáver arqueou violentamente.

*TRINC*

Costelas se partiram para dentro, a pele ruiu na altura do esterno, e de dentro daquela ferida... surgiu luz.

Havia um leve piscar de luz branca, seguido de um grito alto.

"ARGHHHHH—-"

Uma voz rugiu pela sala, porém, de forma arrepiante, não vinha da garganta do morto, mas de dentro de seus pulmões, de sua própria alma.

O corpo se convulsionou, agitando-se enquanto a alma de Jishan, agora presa de forma forçada à carne alienígena, lutava para retornar à consciência.

*GASP*

Os olhos se abriram de repente.

E então, silêncio.

Até que Jishan olhou para cima e viu Dupravel de pé acima dele, calmo, sereno e sorridente.

"Não... não, eu morri... Eu morri... Eu— o que é isso?" Jishan gaguejou, com a voz deformada, frágil, enquanto o medo surgia em seus olhos.

"Ah, você morreu, sim," respondeu Dupravel com frieza, agachando-se ao lado da mesa.

"Mas agora você está de volta. E vai responder algumas perguntas para mim, Jishan. Porque uma alma invocada e vinculada à minha urna não consegue mentir." Disse Dupravel, enquanto passava os dedos de forma maliciosa pelo rosto assustado de Jishan, deliciando-se com cada segundo de sua intimidação.

"Não... não... não—"

Jishan tremeu. Seus dedos tremiam, arranhando a superfície da mesa, mas seus membros mal respondiam, enquanto o medo florescia em seu novo rosto.

"Você não consegue se mexer... Não pode fazer nada além de respirar e falar, a não ser que eu queira. E, no momento, eu não quero... então você não pode—" disse Dupravel com um sorriso, enquanto Jishan finalmente percebia a posição em que se encontrava.

A Magia da Alma era umas das magias mais difíceis do universo, e não havia mais do que três casos registrados de Magos de Alma de nível Grande Mestre ou superior.

Portanto, o que Dupravel fez aqui hoje, ao ancorar sua alma a um corpo estrangeiro, era simplesmente impossível, pois isso era logicamente inatingível.

E ainda assim, lá estava ele, vivo de novo, encarando o homem que mais odiava, totalmente à sua mercê.

"Onde está meu filho?" perguntou Dupravel, com a voz suave, sorriso gentil no rosto.

Quando Jishan hesitou... tentou resistir à pergunta com todas as suas forças, mas algo dentro dele quebrou instantaneamente, e ele não conseguiu evitar de começar a falar desesperadamente.

"Eu... não sei. Não me disseram. Sempre achei que iria morrer... era descartável. Não me contaram o plano além do ataque... ."

Os olhos de Dupravel se estreitaram, desagradando-o profundamente com aquela resposta.

"Fdp de Culto Maldito... Gastei minha força resurrectando esse palhaço, ele não sabe de nada—" amaldiçoou Dupravel, furioso, puxando a mão de Jishan em direção ao rosto e começando a morder seus dedos um a um, causando dores inimagináveis ao corpo de Jishan.

"ARGH... ARG... AAA..." Jishan gritou, mas ninguém na sala se importava com ele.

Enquanto Antonio soltou um suspiro longo e disse: "Embora ele não saiba de Darnell... talvez saiba de algo sobre o Culto Maldito que possamos usar... Pergunte a ele—"

Ele sugeriu, enquanto Dupravel parava por um momento sua violência e olhava para Jishan com olhos frios.

"O que você sabe sobre o culto? Fala tudo pra gente—" ordenou, e, com lágrimas escorrendo, Jishan começou a falar tudo que sabia sobre o culto.

"O ancião a quem eu reportava era conhecido apenas como Rato Moderno... foi ele quem arquitetou toda essa operação, o cérebro por trás de tudo, que começou a preparar o terreno para esse ataque há..."

Jishan começou, a voz tremendo, despejando toda a verdade sem controle.

E, nas duas horas seguintes, falou sem parar.

Contou tudo—

Desde o começo, sobre os irmãos que treinou desde criança, os rituais que suportaram, os códigos secretos e frases que usavam para se reconhecerem em planetas diferentes, as rotas clandestinas de armas que os abasteciam, as fontes financeiras que os sustentavam, os santuários que construíram em sistemas afastados, a hierarquia do culto, até os nomes dos outros dois operativos transcendentes que levaram Darnell Nuna e desapareceram pelo portal espacial.

Confessou tudo, como um animalzinho obediente e assustado demais para morder, tremendo a cada resposta que dava.

E, no entanto, quando a última palavra saiu de sua boca e a verdade ficou totalmente exposta diante de Dupravel, não houve misericórdia.

Não houve clemência.

Houve apenas um sorriso lento e cruel que se curvou no rosto do Mestre da Guilda, prometendo dor não por necessidade, mas por uma indulgência perversa.

"Muito bem," disse Dupravel suavemente, aproximando-se, agora com uma voz quase afetuosa. "Agora que cumpriste teu papel... posso te matar de novo, desta vez lentamente... desta vez de verdade... desta vez por diversão."

Assim, ao som de gritos que rasgavam as pedras como uma música amaldiçoada, Dupravel cumpriu a promessa.

Seis horas de dor se seguiram.

Mais seis horas de crueldade inventiva, não porque ele precisasse extrair algo mais, mas simplesmente porque podia.

Só quando as cinzas foram completamente drenadas de sua agonia ele finalmente deixou a alma de Jishan sucumbir ao silêncio, concedendo-lhe a única misericórdia que reteve até o fim— o esquecimento.

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